sábado, 11 de novembro de 2017

ALBUM REVIEW | Twice - Twicetagram (2017)


Em março, escrevi em uma resenha a respeito do, à época, recém-lançado primeiro LP da TaeYeon. Nele, expliquei que, dentro do K-Pop, os primeiros álbuns completos dos atos costumam ser marcos em suas carreiras, pois é o momento onde a mensagem passada através deles é de que o importante é a música. É a ocasião onde, teoricamente, os esforços e preocupações costumeiramente direcionados apenas aos lead singles e MVs passam também para o resto das faixas selecionadas aos trabalhos. Teoricamente.

Então, existe um aval não declarado em esperar que uma tracklist coerente seja montada, com canções niveladamente fortes e memoráveis bem mais do que esperaríamos de um EP ou single. Ainda mais de um grupo das big three, certo?

Dito isso, o Twice lançou um dos piores álbuns coreanos femininos que ouvi nesses últimos anos. Confiram aí os meus dois centavos sobre o Twicetagram...

File:TWICE - Twicetagram digital.jpg

Antes que uma dúzia de onces apareçam aqui me xingando apenas pela introdução, preciso esclarecer uma coisa. Eu não tenho absolutamente nada contra o Twice. Muito pelo contrário. Na verdade, eu gosto bastante do grupo, por diferentes motivos.

As integrantes são extremamente carismáticas, os videoclipes estrelados por elas são espetaculares e boa parte de suas titles me agradam demais. "TT" foi um dos meus troços favoritos do ano passado, assim como "Knock Knock", provavelmente, estará beirando o meu top 10 de faixas coreanas de 2017. Só "Cheer Up" mesmo que não me desce, pois a grande quantidade de elementos contidos nela interferem muito no meu aproveitamento.

Obviamente, o grupo tem defeitos. O maior deles é o certo descaso criativo para qual as album tracks de seus mini-álbuns são tratadas, sempre óbvias, pouco inventivas ou memoráveis. As únicas que me vêm na mente enquanto escrevo isso aqui são "Do It Again" e "I'm Gonna Be a Star", regravações do reality a qual elas participaram antes de debutar. "Touchdown" também costuma ser bem citada, embora eu não escute com tanta frequência.

A impressão que tenho é que a JYP Entertainment tem tanta confiança na imagem delas e na marca "Twice" como um todo que prefere investir apenas nas músicas que serão trabalhadas, clipes etc., pois qualquer que sejam as outras escolhidas para integrar as tracklists, honestamente, não farão diferença alguma. Não sei se me importo com isso quando o assunto são EPs, mas quando esse ideal é estendido para full albums, aí a coisa azeda...



É exatamente o que acontece com o "Twicetagram", só com o plus de ainda existirem umas outras duas mais bem trabalhadinhas que o resto foram a title. No caso, Likey é o grande destaque nele, embora não esteja nem entre as minhas 5 favoritas do grupo.

O refrão é grude puro, o instrumental é super legal com os teclados mais oitentistas batalhando pela atenção com a bateria eletrônica que dança pra lá e pra cá, os versos de rap são uma delícia com os timbres mais graves da Dahyun e da ChaeYoung. É o tipo de bubblegum pop idiota (num bom sentido) que faz valer a estranheza do K-Pop.

Só que as coisas já começam a desandar logo na segunda faixa. Turtle não é o tipo de música que cola pro Twice. Seria preciso uma certa interpretação vocal mais trabalhada para retirá-la do lugar comum desses números acústicos que o grupo não consegue impor aqui. Esse lance mais orgânico exige mais habilidade para se tornar memorável que farofas como "Likey", ainda mais quando, no próprio instrumental, não há absolutamente nada que eleve a produção e a destaque do resto. Rolam uns acordes remetendo à Bossa Nova após o refrão, mas não chegam a se concretizar como, sei lá, em One Afternoon, Drunken Shrimp ou Obliviate. Pra piorar, essa mesma fórmula é repetida lá no final do álbum em Jaljayo Good Night, mas numa roupagem minimalista pior ainda para elas.

Quase todo o resto da lista é composto por faixas que não são exatamente ruins, mas estão longe de serem boas. Fillers, como vocês gostam de qualificar. Missing U parece manter a vibe "Um Barzinho, Um Violão" de sua antecessora, mas adquire alguns elementos teen pop em seu pré-refrão, que estoura dance eletrônico divertidinho, mas que não vai pra lugar nenhum no fim das contas. Wow parece carregar elas para aquilo de "retrô-futurista" que as Wonder Girls faziam muito bem, mas morre no refrão, que quase não se diferencia dos versos.

FFW parece ir na mesma linha de "Likey" de tentar grudar na cabeça, mas não tem o mesmo efeito, soando só como um descarte do lado ensolarado do E-Girls. Esquecível demais. Ding Dong e Look At Me sofrem com o mesmo mal de "Cheer Up" e de singles de grupos que tentam reproduzir a fórmula de sucesso do Twice ao exagerar no açúcar e enfiar elementos sônicos demais na música. Quase atingem o limiar do irritante. Don't Give Up também. É tudo muito cansativo e sem replay factor.

Love Line engana. Ela começa parecendo um número dance mais emocional, mas uns batidões histriônicos demais surgem no refrão, quase infantis, que não casam em nada com a atmosfera que estava sendo criada. Uma pena. You In My Heart também vem com versos bem fortes, com a voz da Mina soando arrepiante ao pré-refrão, mas quando o tal chega, ela vira só mais uma power ballad qualquer. Essas duas podiam ser destaques da carreira delas, representando um amadurecimento na sonoridade, mas falham em sua execução.

Nesse mar de desperdício de tempo, apenas duas album tracks se salvam. A primeira é a boa 24/7. Há uma crescente no instrumental, que vai aos poucos juntando vestígios EDM até eles estourarem no refrão. Não há uma mudança brusca nas propostas, é tudo costurado corretamente. Uma ótima música para dançar, divertida, bem feita.

A outra é a excelente Rollin, que mescla Funk nos versos com House dos anos 90 no refrão duplo. É toda fácil de curtir e em momento nenhum cai no mais do mesmo que domina 90% do álbum. Dá até uma pena de não ter sido usado como single, pois vai acabar passando despercebida de um monte de gente.



O "Twicetagram" é um álbum muito fraco. E o que fode ainda mais o Twice nessa equação é o fato delas serem da JYP Entertainment, que costuma montar LPs (e EPs até) relativamente melhores que o comum para seus atos. Comparem ele com o "Reboot" ou com o "Wonder World", do Wonder Girls, ou com o "Colors" ou o "Hush", do miss A, ou os minis de debut da Yenny e da Sunmi. É bizarra a preguiça aqui.

A imagem do Twice vende, as meninas são legais, o grupo funciona... Até então. Porém, na real, vocês conseguem imaginá-las deixando um legado como outros grupos já deixaram? Vocês conseguem se imaginar sentindo uma vontade louca de ouvir o "Twicetagram" do início ao fim daqui uns anos? Bom, eu não. Ainda mais por um monte de gente ter soltado coisa bem melhor nessa mesma linha nos últimos meses.

Nota 4,0

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Btw, vocês não contam o TWICEcoaster: LANE 2 como LP não? Ele tem mais de 30 minutos, mesmo sendo repackage e tals...

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