domingo, 19 de novembro de 2017

ALBUM REVIEW | Red Velvet - Perfect Velvet (2017)


Oie. To vivo, tá? Como vocês já devem saber, diferente desse blog, que anda mais apagado que a fé no retorno do F(x), a carreira do Red Velvet esse ano está bastante agitada. Dois mini-álbuns, dois stations e, agora, um LP de inéditas completinho. Os fãs não podem reclamar da SM por tentarem, certo?

Enfim, aqui vamos nós em mais um reviewzão. Novamente, não vou prender ninguém em introduções longas, pois já tem muita coisa para ler abaixo. Confiram os meus dois centavos sobre o Perfect Velvet...

File:Red Velvet - Perfect Velvet.jpg

Honestamente, o Red Velvet deve ser um dos grupos mais superestimados da atualidade. Efeito semelhante ao que ocorre com o Twice e com o BLACKPINK, seus lançamentos acabam tomando proporções ligeiramente grandes, independente da qualidade. Obviamente, assim como com as colegas contemporâneas, isso é efeito de estarem sob as asas de uma das três maiores empresas do K-Pop.

As meninas são talentosas e sempre têm os melhores e mais caros produtores do momento para lhes encherem de faixas e videoclipes minunciosamente bolados para capturar a atenção do público. Isso somado à assinatura conceitual planejada para elas, com aquilo de lados "red", "velvet", "red velvet" etc., faz com que seus comebacks sejam efetivos. Em vendas, talvez abaixo do esperado para o calibre de seu gravadora, mas em relevância num geral, elas são sim um dos maiores grupos dessa geração.

Infelizmente, em qualidade, até então, as gatas só tinham acertado mesmo até 2015, no excelente "The Red", um dos melhores álbuns daquele espetacular ano. A partir daí, nada tinha conseguido se equiparar. Eu gosto de "One Of These Nights", mas preciso admitir que aquilo foi só uma ballad filler usada para fechar minis convertida em lead single. "Russian Roulette" só emulou o que o Lovelyz já fazia melhor, sem a mesma elegância das meninas da Woolim. "Rookie", no entanto, apenas repetiu o que de pior esses números aegyos exagerados em elementos infantilizados têm a oferecer. Por fim, "Red Flavor" conseguiu retomar um pouco do estilo mais frenético do auge delas, mas perde o brilho quando comparada com quase qualquer album track do já citado "The Red".

E falando em album tracks, foram pouquíssimas as que se salvaram e brilharam nesses dois anos. Num resumo impaciente, mesmo eu curtindo muito o quinteto, diria que rolou quantidade demais para qualidade de menos da parte delas. Então, me foi ridiculamente satisfatório escutar essa semana o "Perfect Velvet" e notar que ainda há o que esperar do grupo, positivamente, visto esse ser um dos melhores troços coreanos que escutei esse ano e estar pau a pau com o ápice delas lá atrás.


Peek-A-Boo não tem qualquer chance contra "Automatic", "Dumb Dumb" e "Ice Cream Cake" como title, mas é, de longe, a melhor música trabalhada por elas essa ano. Eu adoro como conseguiram dosar os elementos mais esquizofrênicos associados ao tal ~lado red~ delas no instrumental em conjunto com a elegância levemente sombria do ~lado velvet~. É tudo bem Pop, mas rolam uns sintetizadores e uma bateria eletrônica mais graves, além de toda a interpretação delas ser mais comedida. Refrão ótimo, MV ótimo, resultado satisfatório.

Só que são nas outras faixas presentes nele que o "Perfect Velvet" tem o seu maior brilho. Look é a minha favorita - e talvez a melhor do Red Velvet em 2017. O clima retrô oitentista nela é embasbacante naquilo de construir um amálgama de felicidade com melancolia da época. É quase uma irmã mais nova de Sweet Crazy Love, do Odd Eye Circle, o que é explicado por ambas terem dedo dos mesmos produtores. Devia ter sido usada como single.



Os "eh eh eh... eh eh" alterados de I Just prendem na cabeça e marcam sua levada numa melodia R&B feita no eletrônico maravilhosa, com essa se tornando ainda mais rica pelos diferentes modos que elas colocam suas vozes, deixando toda a experiência mais dinâmica de ouvir. Kingdom Come também vai nessa linha. O instrumental é mais puxado pro urban, com elementos retrôs de Hip Hop, num certo desconjuntamento divertido, mas as interpretações delas puxam pra algo mais emotivo, melódico, bem detalhado.

My Second Date e Attaboy, outros destaques do álbum, optam pruma pegada mais descontraída. Na primeira, safadíssima, rola um tecladinho de brinquedo marcando o ritmo, até que entram uns sintetizadores mais zoados após o refrão, resultando em algo parecido com a ótima Air Balloon, da Lily Allen, nisso de uma faixa recheada de duplos sentidos soar mais infantil numa ouvida desavisada. Na outra, somos levados ao tweerk com elas gemendo por mais de 3 minutos numa bobagem trap/dubstep/dance guilty pleasure engraçadíssima.

Encerrando o que há de bom no álbum, temos um sexual jam PBR&B lindamente executado em todos os seus ícones necessários. É meio chato isso de ficar falando de vocais dentro do K-Pop, pois não é como se eles realmente fossem necessários nesse meio, mas Perfect 10 ganha muitos pontos por as meninas conseguirem imprimir aqui uma interpretação coerente com o que é pedido. As harmonias são ótimas, há emoção e "tempero" no modo como elas cantam.

Infelizmente, rolam ali ao final dois fillers bem... fillers. About Love ainda tem um refrão bonitinho que faz bom uso das já citadas harmonias delas, mas não fica na memória. Moonlight Melody é uma baladinha bacaninha e... É... É uma baladinha bacaninha. Quem se importa com baladinhas bacaninhas quando coisas bem melhores, mais inventivas e bem feitas rolaram antes?


Enfim, o gosto que fica é o melhor possível. Salvo as duas tracks finais, "Perfect Velvet" é um álbum bem forte, com canções memoráveis, diferentes entre si, mas seguindo uma mesma linha de raciocínio. Só o tempo dirá se gosto mais desse ou do "The Red", mas o nivelamento de ambos é por cima.

Só fica mesmo aquela impressão de que o Red Velvet poderia ser muito melhor do que está sendo. Quer dizer, seria muito mais interessante se esse álbum fosse o "The Velvet" em vez do EP do início do ano passado. A ideia inicial (pffffff) por trás da dualidade era mesmo essa pegada mais sombria e sensual, não aquilo de ballads sem alma. Meu TOC sofre com isso.

De qualquer forma, é bom ver o grupo voltando aos trilhos em qualidade. Uma pena, para isso, o Girls' Generation ter precisado implodir e o F(x) desaparecer, restando pra elas o papel de girlgroup mais maduro da empresa, já que novas menininhas fofinhas debutarão pelo selo em breve e não faz mesmo muito sentido dois atos femininos com o mesmo gimick dentro da SM. É triste, mas feliz. Confuso, não?

Nota 8,7

3 comentários:

  1. #POSTDOCOMEBACKDOLOVELYZPRAONTEEMMMM

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    1. Eu vou tentar falar sobre elas amanhã, mas esses dias estão muito cheios por conta do fim de período na faculdade. De qualquer forma, mesmo que demore, eu vou acabar comentando.

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