domingo, 5 de novembro de 2017

ALBUM REVIEW | Odd Eye Circle - Max & Match (2017)


Bom, aqui estamos nós em mais um review de álbum. Dessa vez, com o Max & Match, repackage do EP de debut das meninas do Odd Eye Circle. Não vou prender vocês numa introdução longa, pois tem bastante coisa que quero falar ao longo desse post.

Então, vamos lá...

File:Max & Match lim.jpg

Quem acompanha esse blog já deve saber o meu apreço pelo Loona como um projeto. A ideia de só debutar o grupo depois que, ao menos, um release solo fosse preparado para cada uma das integrantes, me pareceu bastante interessante já no final do ano passado. Todo o modo como ela foi sendo desenvolvida pela BlockBerry Creative me pescou bastante. O principal motivo por trás disso? É tão óbvio que chega a ser inimaginável: as músicas foram ótimas.

Claro que todo o conceito de ir mostrando o crescimento e as descobertas femininas através dos comebacks é genial, que os MVs caríssimos do DigiPedi e da VM Project Architecture, além de toda a piada com a empresa delas ter um cheat de dinheiro militar infinito contam muito. Só que, a real, é que eu cagaria para isso tudo caso as canções direcionadas à elas não fossem minimamente memoráveis.

E nisso, a galera por trás do grupo fez corretamente a lição de casa, contratando produtores com uma marca de composição forte (Sweetune, Charli Taft, MonoTree), que lhes atribuíram uma sonoridade variada, mas de alto nível e fator de repetição. As músicas do Loona dão vontade de ouvir quando saem, depois dão vontade de escutar outras vezes. Somado com todo o resto, temos um dos melhores troços do K-Pop (e do asian pop num geral) da atualidade.

Aí, chegamos no repackage do Odd Eye Circle. Enquanto o Loona 1/3 apresentava uma vertente mais inocente do grupo, naquela transição da infância pra adolescência, o trio de Kim Lip, Jin Soul e Choerry se manifesta mais como aquele período onde os adolescentes começam a descobrir coisas do mundo adulto ("estourar a cereja"). E se na primeira unit o que representava aquele ar mais puro eram sonoridades levemente pomposas, aqui, o que impera são algumas experimentações bem interessantes de serem escutadas...



Eu adoro a "misticidade" que envolve o arranjo eletrônico da intro ADD. O modo como os sintetizadores são colocados, vão crescendo, até que somem e são substituídos por outros no encerramento é bem intenso e já dita o clima que virá a seguir.

Sweet Crazy Love é inacreditavelmente boa. Sério. Sério! Essa linha mais R&B contemporânea e meio melancólica da Charli Taft com as loucuras eletrônicas animadamente tristes do MonoTree resultaram em algo absurdamente maravilhoso. Eu já sou capturado lá no início, quando começam os teclados, fico preso na armadilha que é o pré-refrão crescente e me deixo vencer quando o refrão duplo explode na minha cara, reconhecendo que não tinha a menor chance desde o começo. 

As melodias são lindas, a interpretação vocal das três é de enlouquecer. É o retrô encontrando com o futurista e fazendo um bebê. Nem vou começar a falar do MV, que já é o mais lindo desse ano, pois não quero me estender demais. Dreamcatcher, DAY6 e a própria Kim Lip que se cuidem, pois temos aqui uma candidata fortíssima a song of the year.

Outra inédita do relançamento, Uncover alinha mais o grupo com o que vem sendo feito pela galera alternativa no Japão desde o ano retrasado, juntamente com alguns atos da SM Entertainment em produções do LDN Noise. É mais voltada pro house, dance, com elementos noventista adaptados para o Pop atual. Funciona muito bem nessa linha, o refrão é ótimo, toda ela é deliciosa de ouvir. Gosto bastante.



Então, chegamos em Girl Front, single de debut delas. Como eu disse no post que fiz do lançamento, vejo-a como como uma fusão proposital dos solos de cada uma das integrantes. O clima mais ~E-Girls-no-verão~ e os breaks para rebolar até o chão de Love Cherry Motion estão lá, o instrumental eletrônico mais frenético de Singing In The Rain também, além de rolar uma bridge melancólica ao estilo Eclipse. As citações das faixas anteriores na letra e na coreografia até comprovam isso.

No entanto, não consegui gostar dela tanto quanto gostei das originais. Talvez por tais elementos serem melhores separados que juntos, sei lá. O que não faz de "Girl Front" uma música ruim. Ela apenas não está ao mesmo nível dos solos, entendem? O remix que incluíram dela no final do álbum, intitulado como ODD Front, adiciona a intro "ODD", do "Mix & Match", além de dar uma reduzida na quantidade de referências sônicas em toda ela, com um resultado melodicamente mais enxuto e ainda melhor de escutar. O que me deixa muito feliz, pois agora tenho uma versão boa e uma versão ótima da mesma música.

Loonatic, continua excelente. Estranha, bizarra, mas excelente. As vozes mais "mascaradas" postas aqui, juntamente com o instrumental "ElectroRock", lhe dão toda uma cara indie conceitual (no bom sentido) surpreendente para um ato coreano. A ótima Kill V. Main, da Grimes, me vem à cabeça imediatamente e essa é uma referência bacana demais. Pouca gente no Pop sul-coreano, ao menos no que chega aqui pro ocidente, costuma apostar nesse tipo de sonoridade. Puxando na memória, lembro de Princess Maker, da Solbi, e... Só? Pois é. No mais, outra das melhores de 2017 até então.

Chaotic também é tão boa. É um PBR&B de pulso e com um refrão extremamente grudento e fácil de reproduzir. A pegada eletrônica é bem pesada, mas deixa espaço para uma interpretação mais melódica da parte delas. E isso volta ainda com uns elementos orientais na também ótima Starlight, exalando sensualidade, cativando do início ao fim.



Ao fim, o gosto que fica é o melhor possível. O "Max & Match" é um puta EP, recheado de acertos e produções acima da média. Nenhuma faixa soa repetitiva, cada uma é única dentro da trackist, mas há um fio condutor que passa por todas elas de modo que exista uma coerência nele. Dá vontade de ouvir e repetir. E mais, dá vontade de escutar os trabalhos solos das integrantes do Odd Eye Circle, depois ir ouvir o que o resto do Loona já lançou e ficar maquinando na cabeça o que ainda há por vir.

A única ressalva que tenho a apontar, que nem chega a ser um defeito, é que poderiam ter convertido isso aqui num full album completinho, adicionando os lead singles das três, com leves repaginadas, como ocorreu com "ODD Front" no final. Deixaria ele ainda mais completo e forte. Mas isso sou só eu sendo fã chato, pois não tem nadinha pra reclamar nisso.

Nota 8,8

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Btw, se a era Loona 1/3 mostrou a passagem da infância pra adolescência e a era Odd Eye Circle representou a transição da adolescência pra vida adulta, o que será que o terço final do grupo trará? Minas adultas fodonas? É esperar pra ver...

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