quinta-feira, 12 de outubro de 2017

HA:TFELT está de volta com várias versões dela mesma em 'Read Me' e 'I Wander'


Em 2014, eu fui totalmente destruído a comunidade capopeira se surpreendeu com a Yenny, do Wonder Girls, aleatoriamente debutando solo adotando o pseudônimo HA:TFELT. À época, foi colocado que aquele seria um trabalho mais artístico dela (e nem to sendo irônico), com as gravações do EP "Me?" sendo feitas nos EUA para que existisse um liberdade criativa maior nas produções, tudo muito autoral e etc.

E embora não tenha sido exatamente um sucesso em vendas, tanto o mini quanto o lead single "Ain't Nobody" foram aclamados pela crítica internacional, sendo esse segundo, pra mim, o segundo melhor do ano.

Três anos se passaram. Nesse meio tempo, a JYP deu um reboot no Wonder Girls, elas voltaram ao topo com "Why So Lonely?", prometeram um LP inspirado nos 70s e... Disbandaram. Yubin e Lim foram pro porão fazer companhia ao miss A, Yenny e Sunmi saíram da gravadora, "Gashina" se tornou um dos maiores sucessos do ano e, finalmente, HA:TFELT está de volta.

Não tem mini nem álbum, mas tem double-a-side. Será que prestou? Será que Yenny tomará da Heize a coroa de rainha hipster coreana? Será que vai rolar dancinha contemporânea? Confiram...


Bom, vamos ser sinceros: não há qualquer diferença entre Read Me e o tipo de som que a galera ~não idol~ faz lá na Coreia. A música estaria em casa no repertório da já citada Heize, do Dean, do One, da Kisum e, vá lá, até serviria perfeitamente de album track para a IU. É o mesmo estilo R&B minimalista seguindo uma certa linearidade em tempo por toda a faixa, cujo foco está mais em brincar com os poucos elementos adotados e as possibilidades neles e no vocal que propiciar explosões sônicas orgasmáticas.

O grande lance nisso é que eu gosto desse tipo de proposta. Assim como eu também gosto dos popzões explosivos arroz com feijão. O bacana de acompanhar um cenário como o K-Pop são as diversas possibilidades nele. A música não é para ralar a xaprosca no chão, mas é agradável, é divertida e funciona dentro do que se propõe.

O MV também vai na linha mais alternativa que ela montou para essa persona. Temos uma história amarradinha de um casal que ficou junto durante toda a vida. Ao começo, somos levados a acreditar que o senhor está doente e é cuidado por sua esposa, que relembra a juventude de ambos, o amor de quando eles eram jovens, ela era a Mallu Magalhães e ele um hipster paulista bem mais alto, com tatuagens que desapareceram ao longo do tempo e blá blá blá.

Porém, ao fim, é revelado que, na verdade, o cara está viúvo e sozinho após um incêndio - o que é melhor explicado no outro videoclipe, que deveria ter vindo antes, mas acabei embedando errado e fiquei com preguiça de consertar...



Em I Wander, temos a Yenny encarnando diferentes arquétipos de mulheres numa cidade, até que uma dessas meninas, uma hippie que fingia ser um mendiga (?), se depara com o idoso vagando desnorteado pela rua e resolve segui-lo. E então, ela descobre que ele está sozinho, viúvo, meio ruim da cabeça, que rolou um incêndio e tudo mais. Ao fim, ela resolve cuidar dele e tudo se resolve.

Musicalmente, acho "I Wander" ainda mais interessante que "Read Me", muito pela guitarra que impera em toda ela, estabelecendo um clima bem melancólico de escutar, mas também pela leve crescente que rola na faixa, com elementos sendo colocados verso a verso. O rap do Gaeko casa legal e o delivery vocal deles ao fim é maravilhoso. Não é uma "Ain't Nobody", mas cobre bem esse espaço deixado pela HA:TFELT em minha cabeça.


Vocês acharam que eu não ia panfletar o hino nesse post hoje?

Enfim, foi um bom comeback. Obviamente, não vai agradar a galera que só está no K-Pop pelas farofas (que eu nem condeno não, cada um tem seu gosto), mas é o que a Yenny se coloca a fazer e eu curto demais. "Read Me" funciona nessa linha mais alternativa e "I Wander" funciona como música num geral.

Só fica aquele ranço mesmo de não ter rolado um full album, ou mesmo um EP. A Amoeba Culture nem tem outros nomes Pop relativamente grandes, sendo mais focada em Hip Hop. Por que não investir num trabalho mais completo? Vai entender...

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