sexta-feira, 20 de outubro de 2017

ANIME REVIEW | Little Witch Academia (2017)


Eu poderia pensar numa introdução engraçadinha envolvendo alguma piada usando ícones da animação aqui, mas prefiro ir direto ao ponto dessa vez: Little Witch Academia é, de longe, um dos melhores animes lançados esse ano.

Vocês podem concordar ou discordar. Abaixo, vão alguns dos meus motivos para afirmar isso...



2017 não tem sido o meu ano favorito quando o assunto são animações japas. Foram poucas as coisas inéditas que, de fato, me prenderam na frente da tela do computador para saber o que iria rolar depois, me despertaram emoções variadas e vontade de divulgar e enaltecer ao terminar. Isso aí pode até ser comprovado pela baixa frequência em posts do tipo aqui no blog.

A maioria dos desenhos nipônicos que iniciei dos últimos meses acabaram sendo deixados de lado. Honestamente, boa parte dos que estão fazendo sucesso com a fanbase, por alguns motivos, não têm me agradado. Perfumaria demais, muito enfeite. Complicações desnecessárias no enredo que em nada agregam na história, servindo apenas para mascarar roteiros fracos, desenvolvimentos falhos de personagens, com uma necessidade inacreditável de fanservice para agradar mentalidades doentias.

Por isso, fico relativamente feliz quando assisto algo como "Little Witch Academia", onde o principal foco e preocupação está em... Contar uma história. E contar bem uma história.

No caso, a da aspirante a bruxa Atsuko Kagari. Quando criança, ao assistir um show da popular feiticeira Chariot, Akko a coloca como sua ídola e decide seguir seus passos, mesmo sem muito talento para a magia. Então, se matricula na Academia Mágica Luna Nova, mesmo lugar onde Chariot estudou. A partir disso, vive várias aventuras ao lado de suas amigas em situações ocasionais dentro daquele universo mágico estudantil.

E é isso aí, basicamente. Simples, sem muitas conceituações exageradas ou pretensões de parecer mais "culto" do que é. As tramas são montadas através das experiências vividas pela protagonista junto com as demais personagens. Todas amarradas corretamente, tendo como foco explorar o que de melhor cada um dos arquétipos de estudantes daquela escola e dos presentes em locais relacionados a ela podem propiciar.

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Akko serve como a novata naquele mundo, atrapalhada, que não consegue se adequar socialmente. Sucy é a amiga creepy, violenta, que rende momentos hilários por suas estranhezas. Lotte é a certinha do grupo, a que segue as regras. Diana é a popular, a naturalmente talentosa, a que todos se inspiram e temem, inclusive com uma dupla de amigas que se aproveita de sua popularidade para praticar bullying com as outras. E esse sou só eu dando uma resumida por alto nas alunas, pois teria muito o que falar sobre as professoras, personagens de fora da academia e até da sociedade como um todo ali.

O grande acerto é focarem nesses personagens todos e construírem histórias agradáveis de assistir com eles. Esses arquétipos são todos bem explorados, com situações onde eles são confrontados, permitindo que cada um ali evolua e se desenvolva dentro do desenho. O roteiro e a direção são eficazes nisso, dando o tom perfeito nos episódios entre a comédia e o drama. Tudo é montado de um modo divertido, leve. Quantos animes desse ano vocês acham que fizeram isso bem? Pra mim, foram poucos.

Outro destaque positivo é o bom uso de referências da cultura Pop ao longo das temporadas. Não quero dar muitos spoilers, mas tem um episódio onde a Akko, para salvar o mundo de uma proliferação de cogumelos descomunal, precisa invadir os sonhos da Sucy. Em um dado momento, ela assiste um filme sobre as memórias da amiga num drive-in, que homenageia cartoons de antigamente ("Tom & Jerry", "Mickey", "Gato Félix", dentre outros).

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Em outros momentos, rolam referências a "Cinderella", com elas invadindo um baile utilizando vestidos enfeitiçados com duração limitada num episódio e com a Diana precisando enfrentar sua própria versão de madrasta e meio-irmãs más em outro, a "Rei Arthur", com cavaleiros, caça às bruxas, cálice sagrado e outros ícones da história, até animes de mecha, em certa ocasião, são referenciados. Tudo organicamente, sem forçar dentro do roteiro.

E rolam também umas discussões mais sérias, como manipulação de massa, preconceito, machismo, respeito à história e tradições, conflito de classes e ideais políticos, por aí vai. Em momento nenhum, há qualquer panfletagem, pois tais discussões são inseridas corretamente dentro da trama, fazem parte dela, mas não são os fios condutores.

"Little Witch Academia" é o que pouquíssimos animes têm conseguido ser em 2017: um ótimo entretenimento. É divertido de ver, é divertido de falar, é divertido de compartilhar. Funciona dentro do nicho otaku, mas rola muito bem fora dele, pois não carrega os maneirismos esquisitos que tornam a experiência comum desagradável, como erotismo desnecessário, protagonistas irreais ou merdas do tipo.

Fico feliz com o trabalho de terem dublado ele no Netflix (e foi dessa forma que assisti), mas estaria ainda mais alegre com ele passando na TV aberta, pois não há qualquer empecilho nele como um produto para as massas.

Enfim, tem vezes que o que precisamos não são animes demasiadamente complexos sobre balzaquianos japoneses que morrem e são mandados por uma figura divina para outras dimensões, onde renascem em corpos de menininhas superpoderosas e livres de fraquezas. Sim de desenhos onde as personagens são mais fáceis de acreditar e torcer. Top 5 desse ano, até então.

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