segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ALBUM REVIEW | FEMM - Femm-Isation (2014)


E aí que, como vocês já devem saber, o FEMM irá soltar um álbum de covers de trasheiras japas dos anos 80 e 90 essa semana. Como o meu hype para essa bagaça foi lá para o alto depois da sensacional Sabishii Nettaigyo (top 3 desse ano?), resolvi bolar um ~especial~ de esquenta pro lançamento, com um album review throwback do Femm-Isation.

Então, cliquem logo aí no "continuar lendo" para ler os meus pitacos sobre um dos troços mais legais acontecidos em 2014 - quem se importa com a Copa do Mundo?

File:Femm-Isation (Instrumental).jpg

Contextualizando pras capopeiras novinhas que frequentam o blog e não conhecem muito da cena Pop nipônica: O FEMM é um duo de música Pop eletrônica japonês formado pelas cantoras e compositoras RiRi e LuLa. O conceito por trás do grupo está em ambas se portarem como manequins (ou robôs, human dolls, tanto faz) em suas performances e videoclipes. A grande graça está, justamente, nelas serem "avatares" em suas músicas. Tanto que, para assuntos gerenciais, em conversas com fãs em mídias sociais e etc., elas atendem pelos pseudônimos Honey-B e W-Trouble, exatamente para diferenciar as personas.

Elas começaram a chamar atenção da galera que acompanha o J-Pop em 2014 quando, numa estratégia levemente estranha, resolveram a cada 15 dias soltar tracks de seu LP, algumas como singles para download, todas em inglês, retomando sonoridades radiofônicas dos anos 2000 e acompanhadas de videoclipes baixa renda que se resumiam em, na sua maioria, a dupla de manequins dublando as faixas num cenário vazio enquanto rolam uns efeitos digitais por trás.



E pode parecer maluco, mas ao fim, isso realmente funcionou dentro de um álbum. We Flood The Night, por exemplo, é uma ótima introdução. Ela vai naquela linha de montagem que eu adoro, onde o instrumental e a interpretação no vocal nos fazem pensar que essa será uma baladinha motivacional de baixo tempo, até que, ao chegar no refrão, os sintetizadores explodem e todos somos transportados para uma rave futurista. Ela estabelece bem o que será retratado no LP e abre a porta para outros troços ainda melhores.

Astroboy, por exemplo, é uma das minhas favoritas da tracklist. A guitarra nos versos me remete ao amálgama entre Pop eletrônico e Rock dos anos 2000 (Max Martin, olá), com toda a delícia indo prum outro nível quando o sintetizador viaja nas melodias ao chegar no refrão. Música foda, videoclipe foda, 10/10.



Eu adoro o instrumental mais pesado em Kill The DJ e como ele serve de base para uma interpretação tão teen, boba, bubblegum. É uma música idiota, mas de uma maneira divertida, empolgante e que se sai bem melhor nessa proposta que 98% dos atos ocidentais atuais que têm tentado.

Esse meio-termo perfeito entre o mais pesado e o despretensioso volta a rolar de modo ainda mais efetivo em Whitenoise e Wannabe. A primeira, vai numa crescente conforme as estrofes passam, que totalmente envolve e desperta uma vontade louca de sair pulando. A outra, é de uma bobagem inacreditável. Sério, a mudança do pré-refrão mais melódico debochadíssimo pro refrão "patricinha robótica" é de cair o queixo de tão engraçada.



Party All Night também é tão boa. Os versos zoados, o refrão grudento, o instrumental chupinhado do Daft Punk. A título de curiosidade, a letra foi feita para alfinetar uma lei japonesa aleatória que proíbe que as pessoas dancem depois da meia-noite. É uma narrativa aleatória, mas montada tão bem que, de fato, eu consigo acreditar no poder do FEMM de colocar a galera pra rebolar a raba de madrugada.

Ainda falando de significados nas faixas, The Real Thing conversa sobre a falta de humanidade nos relacionamentos digitais, sobre a ausência de verdade longe da interação ao vivo etc. É um pano de fundo interessante, mas o grande destaque mesmo é o maravilhoso instrumental misturando R&B contemporâneo e Hip Hop com Dance, algo tão comum aos anos 2000 que me surpreende usarem tão pouco desse artifício ao longo do álbum, sendo basicamente só aqui e na gostosa Girls Night Out.



Infelizmente, não são todas as faixas que me satisfazem 100%. O que não quer dizer que elas são ruins, apenas que vão para uns lados sonoros que não me agradam tanto assim. Whiplash, por exemplo, soa como um descarte de alguma disney girl em começo de carreira, com isso de "Rock eletrônico" para pré-adolescentes, não é a minha. Unbreakable é só uma baladinha agradável ao piano, mas não chega a emocionar. Já Kiss The Rain, a mais legal entre essas, mesmo com uma atmosfera mais etérea, não chega a marcar tanto. Nenhum dessas desagrada de fato, apenas não se sobressaem tanto quando colocadas lado a lado com o resto do LP.

Voltando aos highlightsDead Wrong é tão maravilhosa. Amo os efeitos lembrando videogames, a bateria eletrônica bem marcada, o refrão chiclete...



Fxxk Boyz Get Money... Bom... É UMA MERDA MARAVILHOSA, TOSCA, RIDÍCULA, QUE TOTALMENTE ARRUÍNA A MINHA IMAGEM POR AMAR, RESPEITAR E PANFLETAR ESSA BOSTA SEMPRE QUE POSSO!!!1

É muita idiotice e em muitos níveis. O refrão é todo baseado nelas falando, de maneira censurada, sobre foder garotos e fazer dinheiro, o que não se difere tanto assim do resto da letra. Enquanto isso, temos em vídeo a dupla de manequins tweerkando descomunalmente vestidas de maids sadomasoquistas apenas porque sim!!!

Eu adoro essa porcaria de uma maneira quase inexplicável. Possivelmente, é o meu maior guilty pleasure em todos os tempos. Já passou até pra vida off, visto eu costumeiramente colocar esse vídeo para rolar nos computadores da faculdade em aulas não muito atrativas, com essa dancinha se tornando uma ~marca~ minha por lá. Sim, eu sou tosco, já aceitei isso pra minha vida.



O gosto que fica ao final é fantástico. E engraçado também, pois não tem nada de inovador, vanguardista ou original no "Femm-Isation". Todas as faixas soam como trecos já gravados por diferentes pessoas no Pop ocidental em diferentes momentos da década passada. Katy, Kesha, Gaga, Britney, Lily, todas poderiam ter feito esse mesmo álbum, sem mudar nada. No entanto, talvez esse aí seja o grande lance dele - e do FEMM como um todo.

Essa fácil associação, sensação de conhecimento, é isso que faz desse um LP tão divertido de escutar. Músicas divertidas, grudentas, de fácil reprodução. É uma fórmula perfeita que totalmente funcionou em 2014 e permanece rolando até hoje.

Nota 8,5

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