sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ALBUM REVIEW | Namie Amuro - PAST < FUTURE (2009)


E aí que a Namie Amuro, essa semana, está completando 25 anos de carreira. Esse é um número relativamente grande não só para uma idol japonesa, mas para uma cantora como um todo em qualquer parte do mundo, ainda mais levando e conta que ela ainda está na ativa e em alta - dá vontade, né, Xtina?

Não sou fã ou conhecedor o suficiente de sua discografia para fazer um especial de uma semana em cima disso. Porém, posso usar essa data como desculpa para soltar um reviewzão do Past < Future, melhor álbum que escutei dela, sem que a pauta fique demasiadamente aleatória, certo?

Hum, algumas coisas na vida relacionadas ao nosso gosto pessoal, subjetividade e boa vontade com certos artistas são estranhas, né? Eu lembro de ouvir música Pop japonesa "oficialmente", de modo a comprar CDs piratas em eventos de anime e ir em lan houses caçar informações em blogs ainda mais fundos de quintal que esse, desde... Sei lá, 2005? 2004? Antes do Orkut, disso eu tenho certeza. Nessa época, eu curtia muito o que a Ayumi Hamasaki e a Utada Hikaru lançavam, além de sempre catar umas bandas de J-Rock e toda uma galera por trás de animesongs que muito me agradava.

Mas eu tinha uma implicância com a Namie Amuro. Nem sei o motivo, só desgostava mesmo. Talvez por, em minha cabeça, ela rivalizar em popularidade com outras cantoras que eu curtia. Sei lá. E isso aí se estendeu por boa parte da minha vida de internauta e consumidor, ignorando quase tudo o que ela soltava. Acho que só comecei a deixar isso de lado mesmo em 2015, durante as promoções do "_Genic", onde rolaram singles realmente divertidos de acompanhar, além do LP como um todo ser uma ouvida agradável e despretensiosa. Hoje, a minha favorita dele é a futurista "Time Has Come":



Mas várias outras faixas dele, de fato, me agradaram e reviveram a minha vontade de ligar para a existência da Namie. E então, fui olhar o que ela tinha lançado anteriormente. Infelizmente, me deparei com o "Feel" (2013), achei uma bosta terrível, com apenas duas tracks se salvando naquele mar de merda. Deixei de lado, catei o "Uncontrolled" (2012), detestei. Os singles espaçados nesse período também não me pescaram, os best albums também não. É, desisti da Namie outra vez.

Corta para 2017. Estou sendo carismático no Twitter quando alguém compartilha um post do blog Japonesque Divas que fazia parte de uma série de outras postagens comemorando o aniversário de 25 anos de carreira da Namie, revisitando alguns de seus LPs. Fui olhando, até que cheguei no de Past < Future, justamente o que viria na timeline retrograda da discografia dela caso eu continuasse escutando-a. Ouvi-o do início ao fim e, cacete, me bateu um arrependimento de não ter feito isso antes.

O review a conta gotas que o Bruno otou-san, do Asian Mixtape, fez no Best Of 2009 dele também também contribuiu para a minha hiper exposição ao álbum. O resultado? O "Past < Future" deve estar entre os troços que eu mais to escutando em 2017.


É quase inacreditável que alguém tão incompetente musicalmente (hahaha, foi mal, é o costume) quanto a Namie tenha conseguido lançar um LP de nível tão alto, tão coeso e com músicas TÃO BOAS. O conceito é ótimo, falando sobre o futuro ser melhor do que o passado. Isso foi otimamente representado na capa, em que ela rasga a do "Best Fiction", coletânea que, no ano anterior, tinha colocado ela de volta nos holofotes. Na época, declarou que queria ditar um novo rumo para sua carreira e que ele seria melhor que tudo o que ela já tinha apresentado até então.

Só que isso não parou apenas no marketing. O álbum, na maior parte do tempo, de fato, segue uma linha sonora que vai do passado ao futuro. E a maioria esmagadora dessa viagem varia numa escala de notas entre 9 e 10...



Fast Car é enlouquecedora. Tudo nela remete a cabarés cinematográficos do século 19. O pianinho, o riff de saxofone (?), a marcação da bateria, a própria interpretação vocal da Namie, com um sotaque levemente arcaico, que eu não sei se foi proposital ou apenas um grato acidente. O refrão é MUITO viciante e, ocasionalmente, me pego balbuciando os "Speed it up boy, dare ni mo, yoru senai, you're my fast car" aqui sem perceber quando comecei. Tivesse sido lançada agora em 2017, provavelmente pegaria um top 3 num ranking meu em dezembro, pois eu escuto essa merda, ao menos, umas 5 vezes todo santo dia.

Copy That também é tão maravilhosa. Se "Fast Car" nos transporta para mil oitocentos e sei lá quando, aqui, a linha do tempo anda um pouco, nos levando para o que seria um cenário de filme western nos anos 70, ou para um de surfistas que fugiram da guerra, ou para uma soma maluca dos dois, tanto faz. A levada da guitarra aqui é a grande estrela, mas o refrão chiclete e repetitivo não fica atrás, assim como o break de Hip Hop ao final. Bom, na real, "Copy That" é toda perfeita, incrível, grudenta. É uma puta música Pop, dessas que costumam agradar críticos musicais roqueiros que se levam a sério demais, tipo Shut Up And Drive, da Rihanna.

O futuro começa a dar as caras em Love Game, uma delicinha onde ela narra um jogo de sedução que está tendo com um cara, com sintetizadores passeando por trás da voz da Namie, aqui relativamente grave, de forma pesada, como se fosse essa a trilha de um longa Sci-Fi. Esse clima continua em Bad Habit, mas que, talvez pelo estilo da batida ou pelos versos mais rápidos, lembra bastante as composições do Timbaland na década passada, algo que se repete em Steal My Night, ambas gemas da tracklist.

First Timer deve ser a minha favorita do LP - e da carreira da Namie como um todo, parando pra refletir. Aquilo que eu disse lá em cima sobre ouvir "Fast Car" várias vezes todo dia se aplica aqui também, mas numa proporção ainda maior. Quer dizer, ouçam essa porra agora, titio Lunei está mandando...



A música é toda sobre eles explicando que gostam de trepar sempre como se fosse a primeira vez (o que é uma burrice, btw), que gostam de sentir o tesão de principiantes e tudo mais. Porém, eles contextualizam isso como se ambos fossem robôs sexuais, com sei lá quantas metáforas mecânicas para tudo.

O instrumental é de uma esquizofrenia implacável, acelerado para uma caceta, sem momento algum para respirar. Quando o primeiro refrão passa e tudo começa outra vez, quase dá vontade de gritar. Versos de Rap em canções desse tipo acabam sendo apenas um complemento, mas em "First Timer" eles são ainda outro ponto alto. Será que fica estranho se eu pular dos tops de 2012 até 2010 e já montar uma lista de melhores de 2009 apenas para colocar isso no topo?



E dá-lhe mais farofa futurística na nossa cara que a gente aguenta, pois Wild é outra nessa linha. É pulsante, é envolvente, é pesada, sensual, viciante, perfeita em qualquer quesito, 10 em 10. Parece ter sido enviada pra cá de mil anos no futuro. A Namie aqui soa como uma deusa virtual cantando para seus fieis enquanto os mesmos fazem coisas de milicias futuristas punks contra o sistema.

Dr., o outro lado do double-a-side de "Wild", também detêm toda essa atmosfera, mas com algo de espacial, alienígena, arrepiante de escutar. O refrão é quase como um canto místico, todo o instrumental vai num modo contínuo sensacional. Que troço bom, puta merda!



Uma pena que as coisas começam a desandar de leve na parte final do álbum. Não em Shut Up, que mescla bem o futuro com o passado, juntando o eletrônico com o orgânico de um refrão roqueiro, mas em My Love e The Meaning Of Us. A primeira, um R&B Pop totalmente aleatório em sonoridade na tracklist. A outra, uma baladinha água com açúcar extremamente dispensável. Fosse o "Past < Future" livre delas, seria um álbum perfeito.

Ao menos, somos salvos em Defend Love, que encerra o trabalho num ápice oitentista magnífico. É como a luta final de um anime de mechas. As influências ao synthwave gritam, mas tudo numa crescente que vai de algo mais Pop para um final refinadamente revigorante, que dá vontade de voltar ao início e ouvir tudo outra vez.



Ao fim, o gosto que fica escutando o "Past < Future" é o melhor possível. Não é perfeito, já que as duas escolhas avulsas ao fim da tracklist vão contra o conceito do LP e destoam demais de todo o resto. Só que elas não o definem, nem o estragam.

A Namie conseguiu aqui soltar um dos álbuns mais interessantes da cena Pop nipônica da década passada, ficando ali do lado de troços como o "Deep River", da Utada Hikaru, o "Sol-Fa", do Asian Kung-Fu Generation, "Alice in Wonderland", do Alice Nine, e de outros de igual nível, mas que não citarei aqui para não me estender demais. É daqueles que dá vontade de ouvir do início ao fim, onde as músicas disputam pelo título de melhor do ano e por aí vai.

Nota 9,5

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Btw, eu me divirto bem mais fazendo esses posts relembrando velharias que as coberturas de comebacks diárias. Eventualmente, devo dar um gás nisso aqui no blog, resenhando também alguns outros álbuns de antigamente que acho bacana.

Btw², não achei nenhum player com o álbum para embedar aqui, mas ele está para download no Miusiq.

Btw³, vocês sabiam que a Namie era casada com esse cara aqui?

Huahuahuahauhua

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