sexta-feira, 4 de agosto de 2017

ALBUM REVIEW | Girls' Generation - Holiday Night (2017)


Eis que, finalmente, o tão aguardado sexto LP de inéditas do Girls' Generation está entre nós, servindo também de título para a comemoração de 10 anos do grupo.

Muito se esperou sobre esse comeback, muito se especulou, as expectativas foram colocadas lá em cima. Afinal, 10 anos é muito tempo para um girlgroup. Ainda mais para um como o SNSD, com quase nenhuma mudança no line up, uma quantidade bem alta de releases durante todo o tempo de carreira, um nome que se tornou mundial antes de ser habitual nomes coreanos se tornarem globais.

Será que a espera valeu a pena? Abaixo, meus pitacos sobre o Holiday Night...



Antes de tudo, vale frisar: eu não estou nem entre o grupo de adoradores das soshis, que lambem tudo o que sai delas e trata cada comeback como uma bênção inigualável dada em misericórdia pelos deuses, nem no completo oposto, naquela patotinha de haters que, por pura implicância, decidem cobrar uma competência acima do esperável para um ato de K-Pop mediante qualquer troço lançado por elas.

Para mim, o Girls' Generation sempre foi um grupo considerável bom, com grandes acertos e alguns erros na discografia, uma fonte bacana de faixas chicletes divertidas e descontraídas. Nunca esperei mais delas do que espero de outros da SM ou das demais na big3.

Dito isso, o "Holiday Night" é um LP interessante, com pontos altos bem notáveis e escorregões que não se aproximam em momento nenhum de tornarem-se fatais - no máximo, esquecíveis.

Nessa leva não tão memorável estão Love Is Bitter, It's You e Light Up The Sky, as três canções da ponta final do álbum. A primeira exala um ar retrô retirado do estilo da gravadora Motown, com elementos doo-wop bem distintos e um refrão gostoso, mas há um verniz de "perfeição" que torna a produção um tanto estéril e inofensiva. Talvez se por toda ela permeasse o peso instrumental que inseriram nas estrofes finais, com o piano em maior evidência, o resultado teria sido bem diferente.

Nas outras duas, isso é ainda mais agravado, já que nem há qualquer intensão de torná-las diferentes do teen pop comum e infértil. Não tem tempero, não tem grude na melodia, não tem qualquer signo identificável, não tem nada. São como massas amorfas dentro da tracklist.

Only One fica num intermediário entre o apagável do disco e o empolgante, com um pulso maior no instrumental levado principalmente pelo violão, que em dados momentos entra num andamento parecido com a nossa Bossa Nova, e pela bateria eletrônica bem marcada no refrão. É interessante, mas creio que elas já acertaram mais com coisas parecidas em seus álbuns anteriores, tipo em Baby Maybe e One Afternoon. Mas, como eu disse, fica ali no intermediário.

A real é que as canções realmente boas do LP totalmente ofuscam as citadas acima. Girls Are Back, por exemplo, é um número oitentista sensacional, energético, empolgante, delicioso de escutar, cantar, dançar e tudo mais o que vocês possam imaginar com uma faixa do tipo. Eu facilmente consigo imaginar isso aqui como trilha de algum pipocão de trinta e poucos anos atrás ("Caça Fantasmas" me veio à cabeça imediatamente), assim como também consigo idealizá-la como follow-up perfeito para Rhythm Nation, da Janet Jackson.


All Night deve ser o melhor lead single coreano delas desde "The Boys", de 2011 (e digo isso curtindo bastante "I Got a Boy" e "You Think"). A transição dos versos carregados nos já citados elementos 80s para o refrão House-90s-para-bater-cabelo quase gritado é boa demais. O delivery vocal das integrantes está extremamente divertido e... Tá aí, eu de fato consigo imaginar elas se divertindo gravando e performando isso aqui, algo difícil nesse meio.

A outra title, Holiday, é uma faixa (boa) do E-Girls sem tirar nem por. Retrô, orgânica, ensolarada, com divisões vocais bem pensadas e toda uma aura de "bora todo mundo cantar junto aqui, galera" bem típica aos releases do megazorde japonês. Impressionantemente, isso se estende também para o MV, mais teatral, com elas interagindo com o cenário e espaço em tela através da dança. Por essa referência ai eu não esperava, curti demais.



FAN já segue por um lado mais disco setentista, com um instrumental super intenso que serve de cama para a interpretação vocal mais emotiva das oito, com uma harmonia bem colocada, num resultado arrepiante. Ainda nessa linha sentimental, temos One last Time, que apresenta aquela fórmula de montar a faixa como se fosse uma balada, mas ela ir acelerando até virar um dance, algo que quase sempre funciona comigo - e aqui não foi diferente.

Por fim, temos Sweet Talk, o momento mais descontraído de todo o trabalho, juntando metais com Hip Hop, gritaria, palmas, um refrão sing-along divertidíssimo e uma bridge no teclado que é o prenúncio de... Mais gritaria, palmas, refrão para cantar junto etc. etc. etc. Pra mim, uma das melhores do LP.



O gosto que fica ao final é mais pro positivo. As faixas mais fracas do álbum não me despertam vontade de escutar outras vezes, mas não chegam a ofender ou tiram o brilho dos bons momentos dele. E tais bons momentos são, na verdade, ótimos momentos.

As seis canções poderiam, facilmente, servir como single, pois parecem mesmo ter sido montadas para isso. Elas despertam bons sentimentos, são como uma injeção de ânimo contra um dia ruim e mostram que o Girls' Generation ainda tem muito o que retirar dessa fórmula que elas já vem seguindo há anos. De minha parte, seguirei apenas com elas daqui pra frente, mas o "Holiday Night", num todo, é sim um álbum competente.

Mas fica também um certo ranço. Quer dizer, por que os produtores não trabalharam a tracklist para que toda ela tivesse essa essência retrô mais sassy apresentada nas melhores canções mostradas aqui? Poxa, seria o ápice da carreira do SNSD e também um dos melhores álbuns desses últimos anos. Seguir uma linha coerente do início ao fim é algo que já rolou legal com outros releases de grupos da empresa (F(x), Red Velvet), não entendo o porquê de não terem o feito aqui também. Uma pena optarem pelo genérico em certos momentos. Vai entender.

Nota 7,0


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