quinta-feira, 20 de julho de 2017

K.A.R.D debuta com 'Hola Hola' e, aleatoriamente, se torna o novo Sistar


Nota: Ooh, aqui vamos nós com mais um daqueles posts que provavelmente receberão muito hate de pessoas que não o lerão até o final, apenas por "comparar grupos", mesmo que isso nem seja feito de uma forma pejorativa.

Olá, seus revoltados que ficam brigando com fãs internacionais pelo Twitter. Como estão? Espero que bem. Depois de alguns dias relativamente atribulados aqui, finalmente consegui sentar para escutar e apreciar corretamente alguns dos lançamentos recentes vindos lá do outro lado do globo. E mesmo em uma semana em que temos LP novo do EXO, surpreendentemente, o troço que mais me empolgou foi o debut do K.A.R.D.

"Debut", né, pois de estréia, de fato, temos apenas eles divulgando um mini-álbum físico com os singles digitais e uma nova title pelos programas de TV, rádio e web lá da Coreia do Sul. Isso porque, internacionalmente, mesmo que sem qualquer explicação cabível, eles tem atingido um sucesso razoável para um ato oriental, com shows em diferentes continentes, participações em festivais e por ai vai, o que tem feito alguns veículos daqui nomearem o quarteto erroneamente como a nova cara do K-Pop.

Já eu, por outro lado, ao assistir o MV de Hola Hola, prefiro intitulá-los como o "novo Sistar" do cenário. Não entenderam? Vejam o vídeo e eu já explico...



Acompanhar as bobagens musicais da indústria Pop não só da Ásia, mas como um todo, me permite constatar certas coisas. A mais relevante para esse post é que os atos sul coreanos meio que tentam ocupar espaços distintos em conceitos e modos como eles se apresentam musicalmente, visualmente, no comportamental etc. Eles "vendem" algo. E é comum que um mesmo ato venda várias e várias dessas conceituações.

Pensem, por exemplo, no BTS. Por vezes, eles se portam como os caras hipsters e melancólicos de internet ("Blood, Sweet and Tears", "I Need U", "Save Me"), não só com canções que tenham um apelo que remete a isso, mas também em suas expressões corporais, visuais, estética de vídeos. Outras vezes, eles se colocam como os oppas fodões, bad boys ("Fire", "Dope", "Not Today"), e ai, da mesma forma, isso se reflete em tudo o que eles fazem em tais comebacks.

Outros arquétipos também podem ser identificados com certa facilidade, já que são trabalhados exaustivamente atualmente, como o de menininhas fingindo ser menores de idade vestidas de bonecas e/ou colegiais para atrair pessoas doentes (Lovelyz, Oh My Girl, Apink, April, Twice), galera que prefere ser "ocidental" e ter uma carreira "de verdade" (iKON, BIGBANG, BLACKPINK, Dean, Heize) e por ai vai.

Com o disband do Sistar, um vácuo foi deixado nesse meio, o de "todos temos uma amizade sincera e vivemos nossa vida de maneira a curtir isso o máximo possível":


I Swear <3

As meninas do Sistar eram as melhores nisso de vender a amizade delas e o modo como elas aproveitavam a vida em MVs. Eu coloquei "I Swear" ai em cima por achar que esse é o que melhor encapsula esse espírito, mas toda a videografia das quatro, seja em músicas mais vibrantes como essa, "Shake It", "Touch My Body", "Loving U", ou mesmo em números melancólicos como "I Like That" e "Lonely", carrega isso de que a vida é melhor quando aproveitada em grupo.

E é exatamente isso que eu senti em "Hola Hola".

A DSP conseguiu de maneira efetiva vender que os quatro, de fato, são amigos inseparáveis que se apoiam e, principalmente, se divertem juntos. Isso foi feito através de sei lá quantos vídeos soltos deles interagindo e zoando uns aos outros em ensaios, encontros, reuniões, treinamentos, através de entrevistas dadas por ai, reacts de bobagens internacionais, piadas em apresentações e tudo mais. Nesse clipe, temos apenas a "confirmação" disso de maneira profissional...







É tudo montado de maneira tão convincente que dá para comprar a ideia de que eles estavam de bobeira em casa e resolveram sair para passar um tempo juntos ao sol, tirar umas selfies, jogar basquete, jogar videogame, beber e dar uma sarradas.



Falei isso tudo e ainda nem cheguei na música, que é ótima. É interessante como eles têm conseguido explorar diferentes vertentes dessas sonoridades-tropicais-Major-Lazer, sempre indo por caminhos parecidos, mas nunca deixando que as canções soem como cópias umas das outras. Quando ouvidas no mini-álbum, há bastante coerência e denota um certo esforço por parte dos produtores de estabelecer uma assinatura sonora para eles.

Gosto demais do quão cintilante "Hola Hola" consegue ser, indo numa crescente durante os versos e viajando completamente nos sintetizadores no refrão. O break de rap também é bacana e curto como a faixa rapidamente já volta a ganhar cor no meio dele. A bridge gritada é bem energizante e o ponto alto de toda a track, uma pena ela durar tão pouco.

Não é melhor que "Don't Recall" (na verdade, ainda não consegui achar nenhuma música de 2017 que eu gostasse mais que essa), mas fica num segundo lugar bacanudo entre os lançamentos deles.

Em tempo

Honestamente, não sei o que é pior: o K.A.R.D sofrer racismo de um apresentador jurássico que não entende que o mundo mudou pra melhor, insiste em repetir piadas estereotipadas que não deveriam ter mais lugar na TV aberta e ninguém falar nada, ou a reação internacional tão racista quanto. Por vezes, acho que estamos evoluindo, mas ai troços como esse acontecem e a minha esperança evapora.

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Comentários sobre o comeback do EXO ainda hoje, btw.

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