sábado, 22 de julho de 2017

ANIME REVIEW | Suka Suka (2017)


Muitas vezes, a nossa perspectiva sobre algo é ampliada ou reduzida de acordo com os demais exemplares a que somos expostos da mesma coisa. Aqui no blog, além dessas resenhas pontuais de animes da temporada, também costumo escrever sobre música Pop asiática. E é dai que parte esse exemplo.

2016 acabou sendo um ano fraquíssimo para o cancioneiro sul coreano e japonês, de modo que, quando uma faixa minimamente acima do razoável era lançada, minha reação imediata era de extrema empolgação. Também pudera, a concorrência não era tão grande, as coisas se nivelavam por baixo.

Em 2017, isso mudou, com uma enxurrada de boas músicas saindo toda semana. Logo, meus critérios para avaliar se as mesmas são muito boas ou muito ruins acabam se tornando mais rigorosos.

Por outro lado, não tenho me empolgado tanto com as animações lançadas lá na terra do Goku nos últimos meses. Então, é fácil concluir que, assim como com as músicas em 2016, é essa certa desesperança e falta de coisa melhor para comparar que me fez curtir tanto um anime basicão como Suka Suka...



"Shuumatsu Nani Shitemasu ka? Isogashii desu ka? Sukutte Moratte Ii desu ka?" (que nome enorme) é um bom anime, tem uma premissa boa, bons personagens, um bom roteiro, boa temática. Tudo "bom". E enquanto isso não ofende nem nada, a real é que ele não muda vidas, não entra num panteão de clássicos instantâneos ou coisa do tipo.

A sinopse é um pouco complicada, mas passa a fazer sentido conforme os episódios seguem. Temos um mundo onde a humanidade foi erradicada por conta de uma guerra contra criaturas mistico biológicas, com apenas um sobrevivente da raça conseguindo sobreviver congelado por 500 anos. Nesse tempo, a Terra foi tomada por seres devastadores e a sociedade, formada por diferentes raças antropomórficas, vive em ilhas no céu.

Em um dado momento, o último humano, Willem, antes vivendo nos subúrbios daquele mundo, acaba tornando-se responsável por cuidar de uma casa/orfanato onde vivem jovens fadas/leprechauns, únicas ali capazes de portar armas com poder o bastante para aniquilar as bestas habitantes da superfície.

Nisso, em parte da série, presenciamos a interação dele com as personagens ali, todas atendendo à cartilha básica de animes harém, com a tímida, a tsundere, a creepy, a tia etc., até que, mais pra frente, a coisas começam a esquentar de verdade, com ele indo mais a fundo na história de como o mundo ficou daquele jeito, com outras teias da trama se conectando e tudo mais.


Da lista de coisas positivas nisso tudo, é válido destacar a boa discussão que rola sobre o real valor da vida. Acaba sendo um spoiler, mas as fadas, na verdade, são seres criados unicamente com o propósito de servirem como armas na luta contra os monstros que dominam o planeta. E ai, entra o debate de ser ou não aceitável que elas sejam usadas dessa forma, de maneira fria, montadas e educadas para tal propósito.

Afinal, se estão vivas, não é errado e desumano ("desumano" num mundo sem humanos, btw) limitá-las e condená-las de tal forma? O protagonista se coloca nessa posição conflitante e vê-lo lutando por isso é uma das melhores coisas na animação.

Outro destaque positivo é a boa carga emotiva colocada nas relações, principalmente com o casal principal. Conseguiram construir vínculos afetivos bem montados, fortalecendo-os episódio a episódio. Quando o ápice final chega, dá para acreditar no sentimentalismo entre todos ali e se importar com o que ocorre.

Só que o resto é tão básico. É legal, é divertido de assistir, mas é básico.


Todas as personagens femininas, embora carismáticas, me parecem ser copiadas de outras obras, tamanhos são os clichês de personalidades empregados a cada uma delas. Os momentos de combate ficam naquele intermediário entre o violento e o light de assistir, não impressionam. O roteiro demora para deslanchar, com os primeiros episódios quase chegando ao nível de entediante, com a história quase não andando. Ao final, inclusive, ficam alguns furos que não sei se são ou não propositais.

E aí, me pinta na cabeça aquilo que comentei ao início desse texto. Eu gostei disso aqui, mas foram poucas as produções animadas nipônicas que realmente me empolgaram de janeiro pra cá. Com tantos defeitos saltando a meus olhos, eu teria realmente curtido assistir "Suka Suka" caso a concorrência fosse maior? Não sei, talvez não. Só saberei mesmo quando o ano acabar e eu for separar a minha lista de favoritos.

De qualquer forma, é um desenho divertido de acompanhar. Como eu disse, não irá salvar vidas, explodir cabeças nem nada. É um nota 6 bem feito que, pela falta de coisa melhor, se torna um nota 8.

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