sexta-feira, 14 de julho de 2017

ANIME REVIEW | Eromanga Sensei (2017)


O nicho otaku é extremamente engraçado para algumas coisas em animes que, numa sociedade normal, são consideradas tabus, estranhas, feias e até nojentas. E ai, vai da subjetividade de cada um estipular o que, particularmente, consegue tolerar ou não levando em conta princípios pessoais e experiência de vida.

Enquanto, em certos casos, alguns desses fatores até que podem ser tolerados em prol de um aproveitamento maior, pois, quando colocados junto com todo o pacote, eles minimamente fazem sentido dentro da animação, em outros, eles incomodam a ponto de toda a experiência ser estragada.

E Eromanga Sensei está nesse segundo grupo...



Enquanto escrevia esse texto, dois exemplos recentes de desenhos que vão nessa pegada do primeiro caso me vieram à cabeça. O mais óbvio é "Keijo!!!!!1!!!!!!11!", uma bobagem divertidíssima que, mesmo colocando garotas de roupa de banho lutando com suas bundas e seios de maneira esportiva, acaba por adotar um tom tão satírico e abusar tanto de conceitos comuns ao shonen que mais parece uma paródia que deve ser vista de maneira irônica que algo levável a sério.

O outro exemplo foi o igualmente notório "Shokugeki no Souma", a trama culinária que usa representações sexuais para ilustrar as sensações causadas nos personagens ao experimentarem os pratos servidos. Aqui, há algo na maneira como a história é contada que faz desses pequenos momentos quase como lapsos no-sense dentro da narrativa.

O problema com "Eromanga Sensei" é que tais controvérsias sociais passam demais da linha do aceitável e, como não há todo um aparato roteirístico suficientemente impressionante de forma a mascarar isso, o resultado final é um dos troços mais estranhos que assisti esse ano.


A sinopse até que é interessante: Masamune é um autor de Light Novels e trabalha em parceria com um ilustrador intitulado como Eromanga-sensei, que ele não conhece pessoalmente, nem mesmo viu sua cara online. Por um acaso, o rapaz descobre que tal desenhista é, na verdade, sua irmã mais nova adotiva, Sagiri, que, após a morte de seus pais, se recusa a sair do quarto. E ai, mil coisas começam a acontecer, tendo como fio da meada a carreira dele e a interação dos dois.

A série segue à risca alguns conceitos básicos de tramas harém, mas acaba por não impressionar muito ou mostrar qualquer inventividade dentro do segmento. O protagonista se vê cercado por diferentes garotas que, sabe-se lá o motivo, acabam se interessando por ele e externam isso de variadas formas, com a tímida e recatada esperando ele a notar, a mais atirada, a tsundere etc.

Ironicamente, a única que ele realmente demonstra algum sentimento é sua irmã caçula. E é ai que as coisas começam a ficar meio intragáveis.

O anime mostra várias e várias situações onde há uma erotização totalmente desnecessária da Sagiri, com toda uma interação que mistura o amor e afeto que existe entre irmãos com algo mais sexual, fetichista, pedófilo até. E tudo isso é retratado da maneira mais normal e aceitável possível.

A menina é diversas vezes colocada em cena de maneira sugestiva, em closes ginecológicos, comportando-se de maneira que, dentro da narrativa, insinue que ela está "provocando" o irmão mais velho. O que se agrava ainda com a personalidade mais sacana que os roteiristas atribuíram à ela ainda quando bem nova. Não é engraçado, é bizarro e nojento.


Tal proposta já havia sido feita de maneira semelhante e me incomodado bastante em "No Game, No Life". Entretanto, há de convir que o anime de fantasia não é apenas isso e a história em si acaba chamando mais atenção por si só. Já "Eromanga Sensei" é apenas isso, são apenas os jogos sacanas entre o protagonista e meninas mais novas que ele. O roteiro é muito fraco, os arcos são muito bobos, as motivações são demasiadamente bestas. E levando em conta que as piadas causam mais asco que vontade de rir, o aproveitamento final é quase nulo.

Dois gostos ruins ficaram em mim quando terminei esse anime. O de que, novamente, perdi meu tempo assistindo uma produção abaixo do nível do aceitável apenas pelo hype e por comentários entusiasmados alheios (isso vem acontecendo muito esse ano), e o do que o público que acompanha esse tipo de coisa tem ficado cada vez mais apático com situações que não deveriam ser aceitas, o que é assustador.

"Eromanga Sensei" é um anime onde o cara quer comer a irmãzinha dele que nem entrou na adolescência ainda. Como as pessoas podem achar isso normal?

2 comentários:

  1. Então... Basicamente... Um "minha irmã não pode ser tão bonitinha assim"... Só que pior?

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