quinta-feira, 6 de julho de 2017

ANIME REVIEW | Boruto: Naruto Next Generations (2017)


E lá se foi mais uma temporada de animes. Como já é de praxe, só agora começarei a resenhar os desenhos lançados, visto eu não ver muita graça em comentar episódio por episódio ou fazer aquilo de primeiras impressões, já que enxergo tais séries como produtos que devem ser consumidos e qualificados como um todo e não de maneira separada.

Dando o pontapé inicial, uma das animações mais subestimadas, odiadas até, da atualidade. Confiram ai os meus dois centavos sobre Boruto: Naruto Next Generations...



Eu costumo ter um pé atrás com sequels originais em animes, pois a real é que o histórico disso em produções japas acaba por não ser dos melhores. "Dragon Ball GT" me divertiu quando eu era criança, mas tentei rever quando mais velho e simplesmente não consegui, "Dragon Ball Super" só me agradou no crossover com "Dr. Slump", pois fora isso, passou completamente despercebido em minha vida, assim como "Sailor Moon Crystal" e quase tudo de "Digimon" - alguém ainda está curioso para saber o desfecho do Tri?

Então, é fácil chegar numa conclusão de que a nuvem da desconfiança já pairava pela minha cabeça no primeiro play que dei em "Boruto", animação que serve de sequência direta para "Naruto Shippuden".


A propósito, muitos de vocês não sabem, mas eu acompanhei tudo o que pude de Naruto durante boa parte da minha pré-adolescência e adolescência. Tomei conhecimento da história através de uma edição da revista Ultra Jovem, que eu ACHO ser a nº 35 (até procurei no meu porão para confirmar, mas desisti, bagunça e poeira demais para disposição de menos), de 2005, que trazia uma matéria aleatória sobre uma das sagas que passavam na época.

Isso de adaptarem os conceitos de ninja para a vida habitual me agradou à época, casando mais tarde com o boom da internet na minha cidade, o que me fez ir atrás dos scans online e de alguns dos episódios. Obviamente, a paixão acabou crescendo ainda mais quando o SBT colocou o desenho sem censura alguma pra rolar diariamente na hora do almoço no Bom Dia & Cia.

Naruto explodiu aqui no Brasil e mundialmente, se tornando uma das últimas febres otakus realmente relevantes. Com o seu final "oficial", era mais do que esperado que uma sequência surgisse, ocupando o seu lugar na indústria, mesmo que tais estórias não viessem de seu idealizador original. E então, temos "Boruto: Naruto Next Generations".


Antes de tudo, vale frisar que eu não li o mangá e esse texto é todo e unicamente baseado no anime. Mais especificamente, em seus 14 primeiros episódios.

Acho que já expliquei isso aqui algumas vezes, mas é sempre bom lembrar: não sou do tipo de otaku que acredita que para ser "fã de verdade" do estilo é necessário devorar tudo o que sai. A vida adulta acaba por não me permitir ter tempo para esse tipo de bobagem, então preciso selecionar o que consumo em meu tempo livre.

E sobre Boruto, resolvi ficar apenas com o anime, visto que ele eventualmente contará o que se passa no mangá, ainda com a vantagem de fillers e tramas que podem melhor explorar tal universo - e me divertir nisso.

Com isso esclarecido, vamos em frente.


O gimmick é o mais manjado possível: O personagens de Naruto agora cresceram, tiveram filhos e esses pirralhos viverão mil aventuras, treinando, se tornando ninjas, crescendo e enfrentando vários inimigos ao longo do caminho.

Nisso, temos o foco principal no Boruto, cria do Naruto com a Hinata. O pivete cresceu à sombra do pai, Hokage, visto como um herói por todos da vila, mas acaba por não ter tanto apreço por tal figura paterna, sempre vendo-o como ausente e fazendo o máximo para chamar sua atenção e se provar como diferente, mesmo que sem perceber.

E ai, ele e um punhado de outros candidatos a ninja, alguns deles filhos de outros personagens do anime original, começam a frequentar a academia, com uma porção de coisas acontecendo em tal ambiente. Pronto, esse é o engate.


É válido também citar que Konoha, agora, passa por um processo de modernização, com a tecnologia e a ciência presentes de maneira mais intensa no dia a dia dos personagens. Isso é perceptível na própria ambientação, com mais veículos, luzes, telões no meio da cidade etc., além de jogos eletrônicos e computadores serem bem mais comuns, inclusive servindo de norte para algumas das tramas.

Tal boom tecnológico surgiu de braços dados com um boom econômico no País do Fogo pós-guerra, vivendo agora um intrigante período de paz. O que acaba por levantar questões interessantes sobre a real necessidade de ainda existirem e treinarem novos ninjas. Tanto que a própria academia acabou por adotar disciplinas variadas fora os ensinamentos básicos.


Nesse primeiro arco, que rolou até o episódio 14, somos apresentados a todos os conceitos ditos acima e inseridos numa trama onde moradores da vila tem suas mentes invadidas e controladas por um espectro maligno atraído por sentimentos obscuros e negativos, ampliando-os de modo a enlouquecer seu hospedeiro e absorver sua energia vital para um plano maior.

Boruto acaba por ser o único entre seus amigos a conseguir enxergar esse espectro, algo relacionado ao que pode ser um desenvolvimento de byakugan. E então, como se estivéssemos nos anos 90, os episódios narram as aventuras dele enfrentando o "monstro do dia", representados pelos moradores possuídos. E é isso ai.

Cada capítulo vai nos apresentando a novos personagens e conceitos existentes naquele universo, tudo com muito humor e um desenvolvimento pessoal bem bacana e coerente para a proposta. É algo simples, mas efetivo.

Eu sei que muitos de vocês devem estar rolando os olhos e pensando no porquê eu elogiar algo tão arroz com feijão assim, mas a real é que não tem muito o que reclamar mesmo. "Boruto" está respeitando as regras pré-estabelecidas em "Naruto", agindo de modo coerente, mas explorando tudo de uma maneira divertida e leve de assistir.

O primeiro arco é ótimo para o que é pensado. É claro que mais centenas e centenas de episódios virão e que lentamente uma ideia complicadíssima de ser resolvida surgirá (a primeira cena já mostra o Boruto adulto como Hokage enfrentando um inimigo, imaginem o quanto isso vai demorar pra acontecer), mas se esse caminho for tão agradável e seguir no tom apresentado nesse início, eu com certeza ficarei bem feliz de assistir.

O universo ninja em "Naruto" é muito vasto e apresenta inúmeras possibilidades de ser explorado. Honestamente, mais uns cinco animes e mangás poderiam ser retirados dali e o formato provavelmente não seria desgastado. Tranquilamente, podiam rodar um em cada país principal que boas tramas poderiam ser extraídas.


Enfim, o gosto final é de satisfação. A princípio, "Boruto: Naruto Next Generations" se mostrou um ótimo anime, agradável e divertido de assistir, com personagens interessantes e que eu consigo me importar. Tomara que continue nesse mesmo nível de excelência.

Se você é um desses otacos pedantes que nem darão uma chance apenas por ser uma continuação, ou que se acha maduro demais para ver um desenho feito para adolescentes, lamento pelos momentos de diversão gratuita que tais bobagens irão te privar.

2 comentários:

  1. Estava esperando por isso! Já assisti todos os episódios lançados,e achei uma boa forma de passar o tempo... Só que tem algumas coisas que me deixaram com um pé atrás,por exemplo,todos os personagens são uma versão aguada dos originais. Eles também estão muito apelões,enche o saco.

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    Respostas
    1. "todos os personagens são uma versão aguada dos originais"

      O legal é que até os nomes dos filhos são variações dos nomes dos pais HUEAHEAUHEAUHEAUA

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