sábado, 8 de julho de 2017

ALBUM REVIEW | Lee Hyori - BLACK (2017)


Lee Hyori está de volta após quase quatro anos afastada dos holofotes no meio musical, reinventando sua imagem e colocando suas recentes experiências num novo álbum, o BLACK.

Sem muitas delongas nessa introdução, confiram ai os meus dois centavos sobre tal lançamento...


Pra ser honesto, a Lee Hyori nunca esteve efetivamente no meu radar. Nem é por implicância, ou pela "rivalidade" com a BoA, ou por eu curtir ou não suas músicas. Só nunca prestei muita atenção mesmo. É um efeito semelhante ao ocorrido no meio japa com a Namie Amuro, comigo sabendo que ela existe, que é importante, influenciou um monte de gente, mas acabar deixando-a de lado, consumindo apenas alguns de seus singles mais famosos ("U-Go-girl" deve ser um dos meus capopes favoritos da vida), não me aprofundando em sua discografia.

Se por um lado isso foi algo bem ruim, já que, certamente, acabei me privando de canções bem bacanas nesse percurso, por outro, isso se revelou um fato extremamente positivo ao escutar o "BLACK" pela primeira vez, visto tal contato não vir carregado de qualquer expectativa. A Lee Hyori daqui é a primeira Lee Hyori que eu vou a fundo. E tendo em mente que ela, nesse comeback, aparenta querer mostrar uma mudança em sua imagem, persona e musicalidade, tal "ignorância" minha não poderia vir mais a calhar.

Minha primeira impressão ao escutar o LP é de que ela não quer mais fazer "K-Pop", já que o álbum acaba se aproximando bem mais em estética sônica do que é feito por atos ocidentais em busca de posições altas em chatrs norte americanos e elogios em publicações ~conceituadas~ que do idol pop comum ao oriente.

Se isso foi uma tática da gravadora de modo a vendê-la como uma artista "de verdade", atingindo a mesma fatia de público que atos como a Heize, o Dean etc. atingem, já que as chances dela ser aceita pela galera mais nova que compra EXO ou Twice são bem baixas? Talvez. Se foi uma escolha pessoal, refletida do atual momento de vida da Lee Hyori, que de maneira proposital está mais afastada dos holofotes? Talvez. O que importa mesmo é reunir um punhado de músicas bacanas numa tracklist, sem fillers, sem momentos dispensáveis. E isso, dentro do proposto, ela conseguiu.



O lead single, Black, é uma das melhores coisas dentro do trabalho, além de um dos maiores destaques de 2017 até então. Adoro maneira grandiosa como o instrumental é montado, crescendo aos poucos até que exploda num refrão absurdamente carregado. De certa maneira, me lembra o que é feito pelo Fleetwood Mac em The Chain - obviamente, de uma maneira mais contemporânea, com inserções eletrônicas e os maneirismos da nossa época.

É uma faixa título grande e poderosa, que representa bem o que está sendo buscado em tal lançamento. Mas, como eu disse, não soa tanto como K-Pop. Tá mais para um follow up soturno que a Elle King usaria após Ex's and Oh's ou a Lady Gaga após John Wayne. Só que fica ainda melhor quando executado pela Lee Hyori, ainda mais com um MV Mad-Max-pós-apocalíptico como esse...



Outro destaque grandioso é White Snake, o momento mais pesadamente eletrônico do álbum, com ela cantando de maneira quase gemida por cima de sintetizadores esquisitíssimos enquanto um batidão trap marca a faixa. O break mediterrâneo surge de surpresa, mas rapidamente se soma ao pacote. Pra melhorar, a participação do rapper Los não soa descompassada ou inorganicamente inserida ali apenas por cota, algo que me desagradou em outros featurings presentes aqui.



Canções como Unknown Track e Mute estão alinhadas com o R&B eletrônico soft feito para esses lados por uma galera mais alternativa, mas que agrada críticos e conquista "respeito" de artistas de apelo mais mainstream. Nomes como Rag'n'Bone Man, Solange, Miguel e SZA me surgem à cabeça. Unchanged também está nessa linha, mas com um peso um pouco maior que as anteriores, funcionando aqui como Drunk in Love funciona para o "BEYONCÉ".

Love Me é o que me soa mais como o safe dentro do mercado coreano, sendo deliciosamente Pop e grudenta, aderindo à onda tropical, mostrando-se refrescante e radiofônica. Consigo enxergar isso aqui sendo lançado por algum grupo nugu ao mesmo tempo que ela cairia perfeitamente como algo que o Major Lazer utilizaria para juntar artistas de diferentes nacionalidades numa collab.

Mute é tudo o que os toscos do The Chainsmokers gostariam de fazer, mas falharam miseravelmente inúmeras vezes. O clima mais melancólico ao início sendo substituído por um dubstep de sintetizadores cintilantes ao refrão é bem pensado e, principalmente, bem executado, especialmente quando nos deixamos envolver pela interpretação vocal mais fragilizada da Lee Hyori aqui, que faz toda a diferença no fim das contas.

Só é mesmo uma pena que Seoul, pré-release que ela soltou semana passada, não seja utilizada para encerrar a tracklist, pois a atmosfera etérea criada nela serve bem mais como finalização para tal obra que como abertura. Os assobios, as influências trip hop, a maneira como ela é cantada, até o rap nos últimos segundos, tudo me soa como ato final. Em vez disso, temos Diamond, uma balada que nem chega a ser ruim, mas assim como Rain Down, lá no meio do LP, soa um tiquinho destoante ao resto.



Ao fim, o gosto que fica é bastante satisfatório. Acaba sendo uma comparação meio boba da minha parte, já que o intuíto do K-Pop é justamente adaptar o que rolou mundialmente em diferentes épocas em seu som, mas o "BLACK" me soa de fato como um álbum ocidental cantado em coreano. E não falo isso como um elogio ou como uma crítica negativa, sim como uma constatação baseada nas sonoridades utilizadas. São dez faixas, com oito delas seguindo o trend das cenas UK/USA e duas (as ballads) entregando o K-Pop arroz com feijão. E todas acertam no que se propõem.

E ai, vai da minha subjetividade de identificar daqui pra frente o que mais me satisfaz nisso tudo, o que mais me dá vontade de repetir e levar em minhas playlists para a vida. Mas, é, como um álbum, o "BLACK" é realmente competente, interessante e bacana de escutar do início ao fim.

Se é o melhor do ano vindo da Coreia? Ainda não sei. No final do ano eu respondo, mas minha preferência ainda tende para os lados invernais do AKMU. O tempo dirá. Agora é ir buscar o que ela lançou em anos anteriores e decidir qual a minha Lee Hyori preferida. Hey girl, u-go-girl...

Nota 8,0

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