sábado, 29 de julho de 2017

ALBUM REVIEW | GroovyRoom - Everywhere (2017)


No K-Pop, todo ano algum estilo musical diferente ao que é feito de mais comum no cenário é "descoberto" pelos produtores e empresas. Se bem aceito pelo público, torna-se moda ao ser reproduzido exaustivamente por diferentes atos durante bastante tempo.

Podemos listar várias dessas febres passando pelas discografias de lá de alguns anos pra cá: EDM com vocoder na voz dos integrantes, dubstep, riffs de saxofone em midtempos sensuais, PBR&B, mais recentemente, Tropical House. A mais nova tendência que dá indícios de começar a invadir tal cancioneiro popular é esse eletrônico alt-urban feito nos EUA e na Europa por nomes como Frank Ocean, Solange, The Internet, The Weeknd e outros.

Pois é, a era de canções para a galera fumar na balada em vez de ralar a bunda no chão parece estar sendo iniciada no capope e parte da responsabilidade deve ser direcionada à dupla GroovyRoom, formada pelos produtores Gyujeong Park e Hwimin Lee, que acaba de soltar seu primeiro mini-álbum, o Everywhere, que comentarei faixa a faixa abaixo...


Unsigned Hype entrega o estereótipo "elegante" de Hip Hop alternativo duma maneira que me agrada muito, com as teclas do piano servindo de guia para toda a faixa enquanto outros elementos mais pesados vão surgindo conforme os segundos passam.

O bacana disso é que houve também a preocupação de fazer com que a música realmente tivesse um formato, com versos, refrão e bridge bem definidos. A ausência desse formato é algo que me irrita profundamente em produções do tipo vindas de lá. É como se os coreanos pensassem que a impressão (só impressão mesmo) de que eles estão fazendo um "improviso" por cima da back track lhes traz uma certa ~veracidade~ ao gênero. Ao irem aqui pelo caminho inverso e tornar a faixa um tanto Pop e acessível, fizeram desse um dos maiores destaques do EP.



Outro dos destaques positivos é a colaboração com a Heize e o Jay Park em Sunday, com um instrumental extremamente gingado que mescla bem o eletrônico com o orgânico. É delicioso escutá-la com os fones no máximo e captar cada detalhe da track atenciosamente, com cada audição sendo melhor que a outra por conta dos elementos descobertos tentativa a tentativa.

Escolhe-la como lead single é bastante justificável, já que o Jay Park é um bom exemplo de ato que caminha bem entre o público que consome idol Pop e a Heize ser, basicamente, o principal nome feminino atual da Coreia do Sul. A interação dos dois é bastante agradável aos ouvidos. Uma pena não terem formulado um MV melhor, com eles juntos em vez da produção de baixo custo acima.

Ainda assim, acho que a minha favorita do mini é Somewhere, com o pH-1 e outro dos nomes femininos mais escutados de lá, a Suran. A impressão que eu tenho aqui é que eles pegaram a mesma fórmula que tentaram atribuir à "Ko Ko Bop", do EXO, de misturar versos inspirados no reggae com um refrão eletrônico farofeiro, mas fizeram isso de uma maneira correta e redonda. Os versos começam a acelerar já no pré-refrão, então nem há tanta estranheza quando os sintetizadores dancehall surgem levando tudo prum nível farofeiro ótimo e bastante rebolativo.

Uma pena as coisas desandarem um pouco depois desse começo maravilhoso. YNF, com os rappers nafla e Verbal Jint, ainda se salva mais ou menos tendo um refrão um pouquinho mais memorável por cima de uma fórmula basicona, mas Tell Me tem versos demasiadamente entediante e esquecíveis que quase matam a vontade de chegar nas distorções sônicas do refrão. Já Xindoshi é apenas ruim e try-hard mesmo, soa deslocada na tracklist.



Felizmente, o alto nível volta em Loyalty, com Ailee exigindo lealdade do cara dela, alegando que o que é oferecido por ela (na cama) ele não encontrará em lugar nenhum, sendo respondida pelo Dok2 entendendo as regras e querendo fode-la a noite inteira. O refrão disso é tão bom, uma pena eu não ter entrado em contato com ela quando foi lançada como single ano passado.


Na verdade, é engraçado pensar que o mercado coreano de produtores se limite quase que apenas aos mesmos ficarem sempre por trás dos artistas principais. No ocidente, é super comum que DJs etc. soltem álbuns e mais álbuns acompanhados de grandes nomes (Major Lazer, Calvin Harris, David Guetta, DJ Khaled, Mark Ronson...), videoclipes, concorram em premiações e façam turnês inteiras baseados em tais materiais. Cadê JYP, Brave Brothers, Duble Sidekick, Mono Tree, One Piece, Sweetune, Shinsadong Tiger, LDN Noise e Teddy fazendo o mesmo?

Sobrou então para rookies cobrarem favores de seus produzidos e, possivelmente, serem vanguardistas nisso por lá. E dito isso, o "Everywhere" é um EP de 7 faixas, com 4 ótimas, 2 mais ou menos e 1 péssima. Pra começar, está mais do que bom.

Nota 6,5

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