sexta-feira, 30 de junho de 2017

TOP 20 | Filmes do Studio Ghibli


Eis aqui uma pauta que eu já queria ter feito há muito tempo. Na verdade, não entendo porque não a executei antes.

Vejo as produções do Studio Ghibli não só como um catálogo de animações incríveis, imaginativas, emocionantes e que me trazem um prazer inexplicável a cada nova conferida, mas também como um "dever de casa" para todo e qualquer indivíduo que se considere otaku e queira começar a escrever sobre o assunto por ai.

Dito isso, listei abaixo, em ordem de preferência, 20 longa-metragens lançados pelo estúdio. Apenas para ter um norte, decidi não incluir co-produções, curtas, seriados ou projetos antecessores, de modo que totens como "Lupin III: O Castelo de Cagliostro" (1979), "Nausicaä do Vale do Vento" (1984) e outros acabaram não entrando no corte final.

Confiram onde aparecerão os seus favoritos...

20) Ocean Waves (Tomomi Mochizuki, 1993)


Esse filme é do tipo que traz alegria e raiva ao mesmo tempo. Gosto da maneira como o autor conta a bobagem que é a vida escolar, com inseguranças, todo um senso de urgência perante a aceitação social e o modo como pessoas enxergam aqueles que vem de lugares diferentes, exaltando os moradores de grandes centros em detrimento dos interiores e guetos. A raiva vem do modo como alguns dos personagens agem, com destaque especial para a Rikako Muto, o avatar da superficialidade e futileza adolescente. Boa novela em forma de longa animado...

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19) Pom Poko (Isao Takahata, 1994)


Tivesse 30 minutos a menos, "Pom Poko" certamente estaria umas cinco ou seis posições acima nessa lista, mas 2 horas inteiras acaba por ser um tempo grande demais para contar um "documentário" sobre a explosão urbanística em Tóquio durante os anos 60 do ponto de vista dos tanuki, uma espécie de guaxinins místicos com poderes de transformação do folclore nipônico. É uma boa forma de criticar a maneira como tratamos a natureza e a total falta de importância que damos para outras espécies...

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18) O Reino dos Gatos (Hiroyuki Morita, 2002)


E se tempo demais foi dedicado à um roteiro relativamente simples acima, o que tira pontos em "O Reino dos Gatos" é, justamente, sua curta duração. A trama fantasiosa é ótima, contando as aventuras de uma menina sequestrada para um mundo de gatos após salvar da morte o príncipe de tal reino. Faltou aprofundar um pouco mais, explorar mais aquele universo, algo quase que impossível em menos de 90 minutos de tela...

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17) Only Yesterday (Isao Takahata, 1991)


Eu fico impressionado com a capacidade do Isao Takahata de tornar o cotidiano do cidadão médio japonês algo tão interessante e divertido de assistir. Em "Only Yesterday", temos uma mulher de 27 anos solteira e independente, algo quase ofensivo para a sociedade oriental, relembrando a infância enquanto visita uma família de amigos no campo durante o feriado. A maneira como os problemas superficiais e sérios são tratados é sensivelmente sutil, com criticas pontuais ao modo como pais acabam por esquecer filhos temporões ou colocar nestes um peso injusto apenas pela falta de paciência...

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16) As Memórias de Marnie (Hiromasa Yonebayashi, 2014)


Esse aqui é tão bonito, em todos os sentidos. Ele gira em torno de uma garota chamada Anna Sasaki, de 12 anos, que vai para uma cidade praiana por conta de seus problemas respiratórios e com depressão, passando um tempo com parentes de sua mãe. Em meio a muitos mistérios na redondeza, ela encontra uma mansão aparentemente abandonada e, a partir disso, vive algumas experiências com uma menina lindíssima chamada Marnie. Quase uma resposta japonesa para "O Mundo de Sofia". Foi o único da lista que tive a chance de assistir em tela grande...

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15) O Mundo dos Pequeninos (Hiromasa Yonebayashi, 2010)


Ainda na linha de jovenzinhos com problemas de saúde buscando o fugere urbem, um menino vai passar uns tempos na casa de campo da sua avó antes de uma séria operação. Nela, o rapaz descobre que eles não estão sozinhos, mas sim dividindo o espaço com uma família de pequeninos, criaturas humanoides de poucos centímetros. As cenas com a governanta são as melhores...

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14) Meu Vizinho Totoro (Hayao Miyazaki, 1988)


Sem dúvida, um dos maiores clássicos não só o Miyazaki, mas do Ghibli inteiro. É quase impossível não se deixar levar pela magia imposta aqui, onde uma menina descobre uma passagem secreta em seu quintal para um ambiente fantástico com criaturas que tornarão sua difícil vida (um pai que não tem tanto tempo assim para se dedicar, uma mãe no hospital) um pouco mais fácil. Uma ótima metáfora à imaginação infantil...

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13) Porco Rosso (Hayao Miyazaki, 1992)


"Porco Rosso" pode descer um pouco difícil numa primeira assistida, mas temos aqui uma das obras mais legais e "adultas" dessa lista. A história se passa na Itália entre as duas grandes guerras, com caçadores de recompensas atrás de piratas do ar. Dentre os mais famosos procurados, está Porco Rosso, um aviador com feições suínas saídas de sei lá onde. É segundo melhor longa explicitando o amor do Miyazaki por aviões...

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12) Contos de Terramar (Goro Miyazaki, 2006)


É uma pena que "Contos de Terramar" quase sempre seja lembrado apenas por a autora do livro cuja ideia serviu de base para o filme ter uma opinião negativa quanto ao produto final, pois essa aqui é uma aventura fantástica tão divertida de assistir...

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11) Ponyo (Hayao Miyazaki, 2008)


Muitos dos fãs mais fervorosos das obras do estúdio devem ter rolado os olhos agora com "Ponyo" quase chegando ao top 10, mas não é culpa minha se, sabe-se lá por qual motivo, virou uma regra não escrita que esse é o ~pior~ filme vindo de lá - algo que eu discordo veemente. "Ponyo" é uma delícia fumadíssima, totalmente no-sense e visualmente impressionante de assistir. Adoro o psicodelismo de trazerem o mar para a terra e a total desprendimento de regras básicas da humanidade serem seguidas - a mulher quase se mata e leva o filho junto teimando em passar de carro pela água, além de deixar o moleque sozinho com uma criatura marinha que está destruindo o planeta, apenas para o final ser decidido "pelo amor". Um ícone do cinema de animação...

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10) Whisper of the Heart (Yoshifumi Kondo, 1995)


Qualquer um que já tenha sido adolescente sabe o quão agoniante é ter que decidi o que fará pelo resto da vida, mesmo sem ter qualquer bagagem para lidar com isso ou conhecimento de quais caminhos deverá pegar para alcançar seus sonhos. "Whisper of the Heart" é isso ai colocado em tela através da história de uma menina de imaginação gigante, amante de literatura, que transforma as mínimas coisas entediantes do dia a dia em grandes tramas e que encontra o amor de maneira inesperada. A cena dela cantando com ele tocando violino é uma das mais legais que vocês poderão assistir em vida...

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09) O Castelo Animado (Hayao Miyazaki, 2004)


Por ciúmes de sua relação com um mago que a salva da violência de guardas abusados, uma garota de 18 anos é amaldiçoada por uma bruxa, fazendo com que ela tenha a aparência de uma velha de 90. A jovem, agora anciã, foge para uma zona mágica e consegue abrigo no castelo itinerante do já conhecido feiticeiro, envolvendo-se como empregada com todo o ecossistema presente no lugar. Há toda uma metáfora sobre a nossa aparência refletir o que há em nossos corações executada de maneira sutil e eficaz. Pensar que isso aqui perdeu o Oscar para "Wallace e Gromit" chega a me dar dor no fígado com a falta de vergonha na cara da academia...

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08) O Serviço de Entregas de Kiki (Hayao Miyazaki, 1989)


Essa aqui é uma bobagem tão divertida de assistir. A Kiki é uma bruxinha que segue a regra de que, aos 13 anos, toda jovem feiticeira deve sair de casa e se estabelecer em uma cidade. O filme mostra sua procura e adaptação ao meio urbano, aos humanos e os modos que ela utiliza para isso, com conflitos de pensamentos e gerações trazidos pelos personagens ao seu redor...

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07) Kokuriko-Zaka Kara (Goro Miyazaki, 2011)


Esse aqui é o meu favorito a retratar a vida adolescente e as pequenas coisas que fazem dela grande aos olhos dos que a vivem. É uma história simples, mas que é desenvolvida de maneira tão interessante que a minha atenção é capturada a cada cena. Numa cidade portuária, uma menina que diariamente hasteia bandeiras aos navegadores é surpreendida quando um poema lhe é dedicado no jornal escolar. Ao investigar quem foi o autor, ela e as outras meninas do colégio envolvem-se com os problemas politico-estudantis relacionados à uma mansão antiga onde funcionam os clubes extracurriculares. É uma boa ode à nostalgia, que funciona aos japas pela ambientação sessentista do boom econômico, e ao público geral pelo sentimentalismo exagerado e confuso que passamos quando estudantes...

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06) Vidas ao Vento (Hayao Miyazaki, 2013)


A grande maioria dos filmes do estúdio conseguem explorar a natureza sombria humana e as matizes de cinza que todos temos, mas nenhum outro consegue isso com tanto êxito quanto "Vidas ao Vento", sendo esse a cinebiografia animada do engenheiro Jiro Horikoshi, criador do avião de combate japonês Mitsubishi A6M Zero, um dos mais mortíferos usados na Segunda Guerra Mundial - inclusive na devastação de Pearl Harbor, nos EUA. "Vidas ao Vento" é não só um longa-metragem lindo, mas também importante, de modo a mostrar que há sempre um front humano em conflitos onde os lados acabam se demonizando de acordo com o vencedor na história. Se não teremos mesmo mais nada do mestre Miyazaki, ao menos ele encerrou seus trabalhos com uma obra-prima...

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05) Laputa: O Castelo no Céu (Hayao Miyazaki, 1986)


O hiper detalhismo sempre foi a marca registrada das animações do Ghibli e em "O Castelo no Céu" temos o que deve ser o melhor exemplo disso em tela. Cada frame é carregado de maneira arrepiante, como se estivéssemos assistindo uma pintura em formato de filme. A trama tem como válvula uma menina que caiu do céu sendo protegida por um menino, que promete levá-la de volta para o castelo flutuante onde ela morava, tudo com piratas aéreos, perseguições de cair o queixo e uma trama de controle familiar clichê que se torna magnífica, tamanho é o cuidado a cada traço desenhado...

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04) O Conto da Princesa Kaguya (Isao Takahata, 2013)


"O Conto da Princesa Kaguya" é um dos troços mais legais feitos no cinema dos últimos anos. Eu totalmente lamento pela galera que não deu uma chance ao experimentalismo utilizado aqui, pois tal pedantismo apenas os priva de aproveitar um dos longas animados mais interessantes de todos os tempos. Todo o filme é montado como se fosse um storyboard, mas isso em nada impede o aprofundamento da história épica de uma menina enviada pelos deuses num tronco de bambu e seu desapontamento com a humanidade minunciosamente construído ato a ato. A título de curiosidade, a gota d'água para eu parar de levar premiações americanas a sério foi isso aqui ter perdido o Oscar para "Operação Big Hero", claramente a produção mais fraca entre as indicadas...

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03) Túmulo dos Vagalumes (Isao Takahata, 1988)


O melhor título do Isao Takahata. "Túmulo dos Vagalumes" deve ter sido um dos únicos filmes nessas quase duas décadas e meia de vida que tive que, de fato, me arrancou lágrimas, tamanha é a imersão a que somos submetidos da vida de um casal de irmãos abastados que veem suas vidas serem destruídas por um bombardeio de aviões na Segunda Guerra Mundial. Esse é um longa que incomoda, que revolta, que faz pensar e refletir sobre as consequências a que todos são submetidos por conta de decisões absurdas vindas lá do alto, de pessoas que em nada serão afetadas pela guerra...

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02) Princesa Mononoke (Hayao Miyazaki, 1997)


Aaaaaaaaaaaaaarrrrrrgh, que filme bom! Que classicão da porra! Assistir "Princesa Mononoke" deveria tarefa obrigatória para qualquer um no planeta que se autointitule otaku, ou nerd, ou cinéfilo, ou qualquer treco do tipo, porque, sério, que obra. Eu tento imaginar aqui qualquer outra produção oriental ou ocidental que já tenha misturado folclore, crítica social, fantasia, drama, ação e aventura de uma maneira tão redonda e azeitada quanto o Miyazaki fez aqui, mas absolutamente nada consegue sequer se aproximar da perfeição que "Princesa Mononoke" é para o que se propõe. Ele não estar no topo dessa lista é por pura subjetividade minha, mas vejam isso mais como um empate técnico que um ranking propriamente dito...

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01) A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)


"Chihiro" é o grande filme definitivo do Hayao Miyazaki e do Studio Ghibli. E talvez seja também o grande filme definitivo do cinema japonês num geral, mas prefiro não generalizar tanto assim de modo a não me arrepender futuramente. É "Alice no País das Maravilhas" numa perspectiva nipônica, ainda mais exagerada, ainda mais exuberante e certamente mais perturbadora. Chihiro e seus pais vão parar numa dimensão governada por deuses, com a jovem menina sendo obrigada a trabalhar em uma casa de banhos quando seus responsáveis são transformados em porcos ao comerem alimentos proibidos. E então, temos a jornada do herói completa, com a menininha amadurecendo na marra para salvá-los. Claro, com um punhado de cenas de visual arrebatador e personagens icônicos ao longo do caminho...

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Resultado de imagem para a viagem de chihiro gif

Aah, e ignorei também "Meus Vizinhos, Os Yamadas" (1999) porque sim.

Digam ai quais os seus favoritos do estúdio, se concordam com a lista, discordam etc.

4 comentários:

  1. Desses,só assisti a viagem de Chihiro (por algum motivo é um clássico da minha infância,passava sempre na TV). Me lembro vagamente de um ou dois da lista (perdidos da infância tb),acho que vou procurar alguns ^^ valeu pela lista!

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  2. Usando isso como lista para assistir, falta alguns dai mas eu ja vi boa parte, o Reino dos gatos e Castelo Animado e A viagem de Chihiro e a Princesa momonoke, parando aqui kkkk

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