sábado, 10 de junho de 2017

ALBUM REVIEW | Cosmic Girls - Happy Moment (2017)


Me é bastante interessante, atualmente, ter um espaço só meu para poder comentar o que bem me vier à cabeça sobre a cultura Pop asiática aqui nesse blog. Nisso, posso observar e delimitar alguns cortes no tempo em relação a sei lá quantos assuntos diferentes. Por exemplo, a reação razoavelmente negativa quanto ao debut do Cosmic Girls dentro da fanbase capopeira, que acabou se convertendo num "eita, mas essas garotas até que podem ser legais" quando as mesmas lançaram seu segundo EP e decair gravemente para "nossa, parece que a sorte só sorriu para elas uma vez" no comeback seguinte.

De minha parte, sempre vi o grupo com bons olhos. Parte por achar o conceito embutido nele um tanto interessante, parte por a maioria das canções extraídas de seus lançamentos verdadeiramente me agradarem. Agora, passado um pouco mais de um ano de sua estreia, três EPs, quatro lead singles, uma acertada parceria com a produtora de vídeos FantasyLab e dotadas de uma certa boa vontade de sua gravadora, as treze garotas cósmicas estão de volta com, vejam só, seu primeiro LP: Happy Moment.

Agora, se ele presta ou não, ai já é outra história...

File:Cosmic Girls - Happy Moment.jpg

Como já disse, sempre tive uma certa simpatia pelo Cosmic Girls. E isso começou por dois motivos errados, mas acabou se revelando uma coisa boa com o passar do tempo.

Acredito que parte dessa predileção venha do conceito que serve de regra ao grupo, colocando cada uma das meninas como a representante oficial de uma casa zodiacal. Em minha cabeça, já lá no começo do ano passado, imaginei mil possibilidades em vídeos e sons que elas poderiam explorar nessa temática, seja com algo mais científico, astronômico, até futurista, ou com algo místico, astrológico, fictício. Em um momento, poderiam ser astronautas viajando o espaço, em outro, entidades intergaláticas. Era algo muito promissor à época e continua sendo ainda hoje.

Mas bem... Eu também disse que isso havia começado pelos motivos errados, certo?

Bom, o primeiro deles rolou quando eu zapeava pelos canais da televisão e, num intervalo da Play TV, estavam passando o MV de Catche Me, bem no momento em que Exy, supreme bias rainha-do-rap-versão-mais-jovem-da-Jimin, mandava suas rimas sassy e todas corriam pra ~sensualizar~ na parede. Obviamente, comecei a rir de maneira descontrolada, visto essa ser uma das cenas mais ridículas do K-Pop no ano passado, perdendo apenas para outro momento dentro do mesmo videoclipe: quando uma das aleatórias dá um mortal sem motivo algum. E claro, ao assistir tal obra coreográfica, as risadas já fortes de segundos antes se tornaram incontroláveis e demasiadamente escandalosas.

Obviamente, "Catche Me" se tornou um dos meus maiores guilty pleasures desde então.

Já o segundo motivo...


COSMICAAAAA!!!

O nome "Cosmic Girls" imediatamente me remete à faixa "Cósmica", da Baby do Brasil. E eu adoro essa música, então, bonus points pra elas.

Entretanto, seria bem difícil eu continuar curtindo um grupo apenas pelo fator trash caso o mesmo não viesse com coisas boas (ou ruim/boas, tanto faz) em seguida. E foi bem isso que aconteceu, já que Secret foi um dos melhores troços do ano passado em todos os sentidos, o mini do single trouxe outras faixas tão boas quanto, assim como o que elas lançaram há uns meses também tem seu destaque.

Porém, o meu medo nisso tudo era o de que a Starship não conseguisse reunir um time de produtores realmente eficientes de modo a montar um álbum de sonoridades coerentes, redondo e com canções em todo ele que me fizessem ter vontade de escutá-lo do início ao fim. De certo modo, não posso dizer que eles falharam nisso, já que o "Happy Moment" é um LP minimamente interessante para o que o grupo se propõe, mas, particularmente, eu apararia algumas arestas nele, começando justamente pela canção escolhida para trabalha-lo...



Happy não chega a ser ruim não, longe disso. Porém, ela é uma daquelas produções com o ~selo Twice~ de histrionismo, demasiadamente exagerada em sua construção, com elementos de sobra que tornam-a um tiquinho confusa, quase rompendo o limiar da tolerância e descambando pro irritante. Quase. Ela é montada para que os versos sirvam como um guia "enganador" para o refrão, que é bastante explosivo e, de fato, feliz. Uma pena nesse caminho surgirem tantas outras inserções sônicas, que acabam por ofuscar o brilho buscado em resultado do excesso de informações ao ouvido.

Tal fórmula é ainda reutilizada em outros dois momentos do LP: Follow Me e Geeminy. No entanto, com maior êxito, já que as rédeas são um pouco mais puxadas e há uma certa preocupação em guiar o ouvinte de maneira leve em tais faixas. A primeira, imediatamente me remete à trilhas usadas em animes shoujo, o que quase sempre é uma influência bacana para atos coreanos, já a outra, se mostra um tiquinho mais sentimental em sua interpretação, sendo a mais gostosinha da trinca - ou talvez eu só esteja falando isso pelo break ridículo com a Exy falando várias bobagens por cima de uma batida creepy.

Há também uma outra trinca, só que inspirada em sonoridades retrôs. Em comparação, acho ela extremamente mais aproveitável.

Ela começa com Miracle, um número Pop/Disco inacreditavelmente sutil e divertido de escutar. Eu perfeitamente consigo transportar meus pensamentos para uma pista de patinação iluminada nos anos 70 enquanto escuto isso, comigo gritando os "ah aah ah aah ah aah ah ih aaai" com todas as forças que eu puder sempre que o refrão chegasse. Chega a me dar uma dor no fígado por isso aqui não ter ganhado um clipe com elas sendo alienígenas curtindo alguma balada espacial ou qualquer bobagem dessas, pois esse poderia ter sido um dos ápices de 2017.

Dando seguimento, temos ainda Mr. Badboy, que dá uma misturada em diferentes referências, pegando o estilo de vocal Doo-Wop dos anos cinquenta, os sintetizadores futuristas dos anos oitenta e, claro, a Disco dos anos setenta, jogando tudo num caldeirão e entregando um Pop bem gostoso de escutar. Mais ou menos a mesma coisa é feita em Sugar, mas com um enfoque maior na vibe 70s e uma montagem mais orgânica.



Comigo, o maior destaque da tracklist, sem sombra de dúvidas, é Babyface. Bicho, que música boa, que bagulho viciante é esse refrão, que vontade eu fico de escutar isso aqui mais e mais vezes sempre que lembro de sua existência. Não duvido nem um pouco que somando as execuções no YouTube, no Spotify e no player do meu celular, eu já não tenha passado das 100 repetições do dia em que o álbum foi lançado até o momento que escrevo esse parágrafo. E é provável que até o fim desse post eu já a tenha escutado mais umas quinze ou vinte vezes.

Adoro isso aqui ser uma farofa totalmente despretensiosa sobre elas terem acertado nas plásticas e terem rostinhos naturais como os de bebês e nada mais além disso. Os produtores só colocaram um andamento Disco numas batidas Miami Bass, bolaram versos fortes e debochados, um pré-refrão que te pesca para o refrão, que é estupidamente repetitivo, grudento ao máximo. Pronto, temos a fórmula Pop perfeita.

Por quê não usá-la como single? É difícil entender a cabeça dos coreanos em certos momentos. Com o vídeo e a coreografia certa, tal canção poderia ser para o Cosmic Girls como "Tell Me" foi para o Wonder Girls, ou como "Roly Poly" para o T-ara, ou "Gee" pro SNSD e a lista segue.

De partes destacáveis, restam ainda B.B.B.Boo, o momento mais eletrônico do álbum, funcionando quase como a soundtrack de algum fliperama de naves, e Plop Plop, que também recebe alguns sintetizadores nesse estilo, salvando-a de ser apenas mais um R&B filler na lista de faixas. Ambas são agradáveis e divertidas em suas respectivas aparições, embora não tão memoráveis assim quando retiradas de contexto.

Só não entendi mesmo o porquê de colocarem algo como Closer To You para encerrar o trabalho, visto sua provável inspiração na nossa Bossa Nova em nada conversar com o restante já mostrado. Não é ruim, mas não faz sentido.



Ao fim, o gosto que fica é bastante satisfatório. Não é como se o Cosmic Girls, sonoramente, trouxesse alguma originalidade, mas dá para reconhecer que, ao menos, a Starship tem tentado atribuir ao grupo uma identidade baseada em algo. A maioria das faixas flerta com tendências orgânicas de antigamente (Disco, R&B...), mas sempre há ali um ícone que, imediatamente, nos remete ao que assimilamos culturalmente como "futurista", seja por um sintetizador gamer mais distorcido, por um vocoder robótico na voz.

Tal característica é bem explorada no álbum, dando um tempero a mais em canções que, caso trabalhadas por outros girlgroups, acabariam por soar meio genéricas.

Entretanto, é claro que ainda existem pontos a serem melhorados, tanto para outros fulls ou minis, quanto no Cosmic Girls em si. Honestamente, tirando o timbre mais característico da Exy nos momentos de rap e a extensão vocal avantajada da Yeonjung, é como se todas soassem aos meus ouvidos como uma só voz, uma só massa amorfa. Não há diferenciação. Levando em conta que são 13 meninas nas linhas, isso acabará sendo um problema a longo prazo.

Talvez acabe sendo remediado caso o plano inicial de dividi-las em diferentes subunidades realmente ainda esteja valendo. Seria algo interessante para as integrantes, que teriam suas identidades melhor exploradas, assim como para a própria Starship, que não tem mais o Sistar como cheat de dinheiro inesgotável.

No mais, fica aqui a minha felicidade de ver um grupo com uma proposta bacana soltando um álbum bacana - algo difícil no K-Pop. Não é perfeito, mas para um começo, o saldo é mais que positivo.

Nota 7,0


3 comentários:

  1. Sinceramente?um dos melhores LPs que já ouvi e Baby Face>>>>>> Só espero que elas não caiam com a qualidade depois de um álbum excepcional igual certos ~grupos por aí *cof,cof* Veludo Vermelho

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eita, jogou o Veludo Vermelho na roda. hahahaha

      Excluir
    2. Fazer o que né
      Ótima crítica btw

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...