quinta-feira, 4 de maio de 2017

ANIME REVIEW | Youjo Senki (2017)


Olá, pessoas que, por sabe-se lá qual motivo, gostariam de reencarnar no corpo de uma garotinha com poderes sobrenaturais numa dimensão paralela onde a sociedade está em guerra. Como estão? Espero que bem.

Seguindo a minha série de resenhas do que achei que, para o bem e para o mal, mais valeu a pena ser assistido na temporada passada de animes, é hora de se aprofundar um pouquinho mais em uma das animações mais comentadas desse início de ano: Youjo Senki.

Cliquem ai em baixo para continuar lendo e provavelmente sofrer com alguns comentários que, creio eu, discordarão um pouco de excesso de confete jogado para cima dessa produção...


As minhas impressões iniciais sobre "Youjo Senki" foram estranhas e conflitantes. Lembro que achei o primeiro episódio uma merda horrível, desinteressante e com uma montagem de roteiro demasiadamente fraca, lenta e que provavelmente me irritaria no futuro. No caso, optaram por começar a história já do meio, apenas jogando os personagens e todo o resto sem muita explicação. Porém, como era de se esperar, isso se resolveu nos capítulos seguintes, com as coisas sendo contextualizadas quando voltam no tempo para contar como tudo aquilo começou. Um recurso batido, mas certeiro.

Só que, após assistir todos os episódios e acompanhar todo o hype gerado em cima, a minha reação acabou sendo algo como... "Tá".


A série conta a história de um homem adulto, engravatado, da nossa realidade, que trabalha (e vive) de maneira racional, sem desenvolver crenças religiosas, espirituais ou qualquer coisa do tipo. O roteiro dá a entender que, por conta disso, ele é extremamente frio com as pessoas e, basicamente, não expressa empatia. Certo dia, após demitir um funcionário, o mesmo o "assassina" ao jogá-lo nos trilhos de uma estação de metrô.

Coloquei o assassina entre aspas, pois momentos antes o homem é abordado por alguém que se autointitula deus, mas é nomeado por ele como "existência X". E ai, há toda uma discussão filosófica e religiosa sobre as pessoas serem boas ou más pela falta de uma crença e tudo isso resulta no cara reincarnando no corpo de uma menininha em uma realidade paralela, moderna, em guerra e com pessoas que possuem certa aptidão para a magia.

E dando uma resumida, ele descobre ser uma dessas pessoas, se alista no exército, é cobaia de uma série de experimentos magico tecnológicos, vai ganhando espaço, crescendo como militar e acaba chefiando sua própria "infantaria" de feiticeiros.

Aah, e por pura ironia, ele só se torna extremamente talentoso no que faz quando decide "aceitar" a existência de "deus" e pedir pela misericórdia dele, o que lhe permite, junto com os artifícios tecnológicos, atingir o máximo de seu poder mágico.


Disso tudo, acho que o mais interessante mesmo além dessa discussão sobre a bondade estar atrelada a devoção de alguma divindade é... Não, pera, pensando mais a fundo, é só isso mesmo. E é ai que uma série de defeitos começam a aparecer em minha cabeça.

Eu adoraria que explorassem mais o quanto a guerra pode ser degradante para as populações do países que a vivem. O máximo que tivemos disso foi uma milícia sendo atacada e, por osmose, os moradores ali perto acabarem sofrendo com isso. Poderiam ter mostrado o revés social que o desvio de verba causa, com a escassez de produtos, gerando fome, revolta e tudo mais. Os poucos lampejos a cerca do assunto foram rasos demais.

Poderiam ter adentrado um pouquinho mais nos porquês daquela guerra. Qual a ideologia por trás daquilo tudo? Ficou meio óbvio que a "inspiração" visual foi o nazismo, mas... E?

Mas nada se compara ao grave erro de tornarem o protagonista demasiadamente poderoso e quase que sem fraquezas perante seus adversários, criando nisso uma unilateralidade chatíssima de acompanhar. Não há emoção de esperar pelo que virá quando já temos em mente que ninguém é páreo para a loli demoníaca. Isso foi quase que remediado nos episódios finais, quando um personagem surge sei lá de onde em busca de vingança, também usando os poderes da existência X. Mas ai, já era tarde demais em questões narrativas.

Mesmo as batalhas aéreas, que eram uma bela masturbação visual no começo, acabaram perdendo o brilho conforme passavam os episódios. E eu ia começar a falar do quanto a voz dela me irrita e tornou a experiência de assistir os episódios um tanto massante, mas não quero me estressar mais.


E ainda tem o fato de que todo o desenho deixa claro também como a mente dos japoneses está ano a ano se tornando mais pervertida e pedófila. Quer dizer, eles estão colocando um cara velho no corpo de uma menininha pueril com tendências nazistas. Quem não enxerga perversão nisso, ou é ingênuo demais, ou não quer abrir os olhos. Bizarro.

Enfim, o gosto que fica ao final é bem amargo. "Youjo Senki" poderia ser grande, mas todos os defeitos em seus roteiro tornam-o ridiculamente monótono, sem qualquer profundidade e que, de maneira alguma, dá vontade de assistir o que virá futuramente. Na verdade, nem sei o porquê de eu não ter abandonado isso quando vi que não evoluiria muito, algo que fiz com uns outros três da mesma temporada.

Apenas para poder fazer um review negativo aqui e dar um contraste ao blog, visto a maioria dos meus posts desse tipo serem bem positivos? Talvez.


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