sábado, 20 de maio de 2017

ALBUM REVIEW | Red Velvet - The Red (2015)


Antes de minha vizinha incendiária colocar fogo no painel de onde saem as linhas telefônicas, deixando o bairro inteiro sem internet, eu comecei uma série de posts onde eu ~relembro~ algumas matérias que fiz para um site que eu participava antes de ter esse blog aqui, de modo que eu pudesse dar uma atualizada nessas opiniões e também na maneira como eu me expresso, que mudou bastante nesses últimos anos.

Dessa vez, resolvi "tirar do baú" um review um tiquinho mais recente, mas que acabei não me aprofundando tanto assim à época do lançamento, delegando meus pitacos sobre tal álbum apenas a um post listando quais os melhores lançamentos daquele ano.

Sem mais introduções, fiquem ai com a minha resenha completinha do The Red, primeiro LP de estúdio do Red Velvet - e um dos melhores troços lançados na história recente da música oriental...


Nessa altura do campeonato, podemos todos ser bem honestos, certo? O K-Pop é um estilo/nicho musical MUITO genérico. Eu tenho plena certeza de que, para muitos de vocês, assim como foi para mim, começar a se aprofundar nesse meio deve ter sido um tiquinho dificultoso, já que boa parte dos grupos, cantores, artistas em geral, acabam num primeiro momento soando e parecendo uma massa amorfa, com várias e várias repetições de técnicas e visuais.

Quer dizer, é só comparar os sei lá quantos grupos aegyo existentes atualmente, ou, vá lá, os boygroups menos famosos. Se não existir um esforço ou conhecimento prévio por parte do ouvinte e espectador, é bem fácil que confusões aconteçam - tipo eu trocar o N'UEST pelo Cross Gene num post recente sobre o Produce 101.

E então, é por isso que quando surgem grupos com ideais melhores estabelecidos e todo um trabalho por trás para que ele se diferencie da manada, eles são tão louvados. O provável e mais óbvio exemplo recente disso é o Red Velvet, um caso onde uma certa incerteza por parte de seus produtores acabou convertendo-se num viral entre o público e, numa jogada de mestre, tal viral acabou sendo abraçado pela equipe.

O grupo debutou às pressas em 2014, mesmo sem a participação oficial de uma das integrantes, com a cintilante Happiness, que é super bem aceita pela fanbase, mas eu, particularmente, acho horrorosa. Mais tarde, as gatas voltaram numa proposta totalmente diferente, emulando sensualidade num cover de Be Natural, do S.E.S.

Tal mudança repentina de imagem e sonoridade soou estranha, mas acabou ganhando ares satíricos do público, com teorias explicativas de que o tal novo grupo da SM teria dois lados. O "lado Red" traria as meninas numa vibe mais espevitada, com cores mais abertas e canções que transmitissem alegria. Já o "lado Velvet" era sua faceta mais introspectiva, romântica, melancólica e sensual, com cores mais fechadas e canções de tempo menor, razoavelmente sombrias.

E tais comentários ganharam ainda mais força quando, no ano seguinte, elas retornaram com tal dualidade em Automatic e Ice Cream Cake, os dois singles de seu primeiro mini-álbum.

Obviamente, tudo não passava de especulação de fã sem muito o que fazer. Entretanto, isso acabou chamando tanta atenção que, vejam só, a própria SM resolveu abraçar tais comentários, começando a separar de fato tais lados. Isso durou apenas por dois comebacks e prestou apenas em um. No caso, obviamente estou falando do LP "The Red", trazendo as meninas no que de melhor a tal frente mais zoeira do "lado Red" poderia nos proporcionar.



E tudo isso é meio que ilustrado por Dumb Dumb. Caralho, que confusão sonora bacana! Os LDN Noise misturaram Funk dos anos 70 tocado por uma big band com sintetizadores eletrônicos que parecem ter sido tirados de arcades dos anos 80 e fizeram com que as cinco colocassem seus vocais de maneira a referenciar o Hip Hop dos anos 90, com tudo sendo cantado de maneira rápida, ríspida, com cortes secos e pouca respiração.

E o fato de elas repetirem a palavra "dumb" e ainda incluírem um break com um rap falando sobre músicas do Michael Jackson surgido do nada é algo tão no-sense que, ao final, cola.

Já o vídeo, traz a metalinguagem de satirizar o público com os argumentos que eles usam para mediocrizar o K-Pop (e girlgroups em geral), representando o quinteto como bonecas manufaturadas, construídas a partir do mesmo molde. Os jogos de câmera e estilo de montagem aqui acabaram virando uma tendência, repetida por vários outros atos em exaustão.

Esse clima frenético é ainda ampliado em outras duas faixas. A primeira é Huff n Puff, que mergulha mais no eletrônico e tem uma melodia completamente viajada, assim como a letra, que parece narrar uma viagem de LSD tamanha a loucura retratada.



A outra é Red Dress, minha favorita de todo o álbum, que entrou entre as minhas 3 mais escutadas do Spotify naquele ano. Eu amo como os versos são levados em agilidade alta com uma banda gigante por trás e, ao chegar o refrão, o instrumental é substituído por sintetizadores e a própria interpretação delas fica mais maleável. Toda vez que escuto isso é como se a minha vida ganhasse um novo brilho.

E o melhor de tudo é que o resto do álbum ainda traz inúmeras surpresas ridiculamente bem executadas, como Campfire, praticamente toda calcada naqueles amálgamas de Pop com Hip Hop do final dos anos noventa, a romântica Oh Boy, que vai nessa mesma linha instrumental, mas tendo o piano como maior destaque, além de trazer um refrão delicioso, uma bridge esganiçada super divertida e grudar na cabeça por conta dos "ooooh boooy" repetidos enlouquecidamente, e Lady's Room, um popão agradável, gostoso e fresco, que ganha ainda mais pontos por elas ficarem conversando em vários momentos da backtrack.



Ainda outro destaque é Time Slip, que deve ter sido ~inspirada~ na fórmula minimalista de baixo + sintetizadores que a Iggy Azalea usou para "Fancy" (e reciclou mais tarde numas outras três faixas que eu esqueci o nome), mas adicionando um refrão harmonizado e melhorando todo o pacote final. Isso aqui é grude puro e é uma pena que quase ninguém, mesmo entre os bolofãs, dê o devido valor pra ela, ainda mais por a letra ser uma bobagem ridícula sobre elas estarem morrendo de sono numa segunda-feira.

Na trinca final, temos Don't U Wait No More, outro amálgama de Pop com Hip Hop estupidamente divertido de escutar, Day 1, um retrô gostosinho que me lembra encerramentos de shoujo, mas que acaba por soar deslocado em comparação com as demais faixas e a melhor dessa parte final, Cool World. um synthpop-oitentista-good-vibes-sing-along viciante. Eu já devo ter tido umas quatrocentas ideias de videoclipes para isso aqui, além de meio que imaginá-la como o tipo de canção encerramento de show com elas andando no meio da platéia enquanto os fãs choram e se esgoelam por atenção e tudo isso é MUITO arrepiante, pois esse é o tipo de música que tem... Alma.



Ao fim, o gosto que fica na boca é o melhor possível. O "The Red" é um álbum Pop incrível, pois há não só a preocupação de inserir nele um conceito, que é seguido corretamente do início ao fim, como isso é feito com MÚSICAS boas, bem produzidas, bem executadas. Uma pena a linha de trabalho da SM com os artistas que não são prioridade delimitar a divulgação dos álbuns e minis apenas a um videoclipe, pois facilmente umas outras cinco ou seis faixas poderiam ter sido aproveitadas nisso ai.

Entretanto, fica também aquele ranço amargo, extremamente incômodo, de que esse ai foi o auge de um grupo que deveria apenas estar começando. De lá pra cá, a real é que nada lançado pelo Red Velvet conseguiu ao menos se comparar com isso aqui. Singles nivelados entre o ruim e o apenas aceitável, EPs totalmente dispensáveis e sem qualquer replay factor e toda uma impressão de que há mais uma ideia bem construída que uma execução correta e empolgante.

Pelo menos, sempre podemos voltar para 2015 e ouvir esse álbum novamente como se fosse um lançamento recente, pois esse ai irá demorar para envelhecer, viu...

Nota 9,2

2 comentários:

  1. Oie, brotei aqui só pra dizer que você meio que fez uma previsão. Esse ano o Red Velvet saiu em turnê pela primeira vez e sabia que elas realmente andam no meio do público em Cool World? Não é um fato exatamente relevante, mas sei lá, quando assisti o vídeo lembrei desse review e deu vontade de comentar.
    Aliás, amo seu blog, 안녕.

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    Respostas
    1. Sério? HAEUHEAUHEAUEAHUEAH

      Vou procurar agora esse vídeo.

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