segunda-feira, 1 de maio de 2017

ALBUM REVIEW | IU - Palette (2017)


Passados os pitacos a respeito do EP de debut da Minzy, resta comentar o outro lançamento coreano que ficou faltando nessas quase três semanas que estive fora por conta da vizinha incendiária que prejudicou todos os meios de telecomunicação do meu bairro: Palette, quarto álbum de estúdio da IU.

Observei que as reações a esse trabalho foram variadas na fanbase aqui do Brasil, com algumas pessoas adorando como se fosse o treco mais incrível desde que a música foi inventada, e outras odiando como se o tal fosse execrável a ponto de causar aos ouvintes uma incontrolável vontade de se jogar na frente de um ônibus.

Nesse 8 ou 80, qual fatia de público está correta?


Nenhuma, como em qualquer polarização que causa esse tipo de furor. Mas como diria Jack, vamos por partes.

Eu adoro a IU. Dentro do enxuto cenário de solistas no Pop coreano, ela é uma das que mais me agrada. E não pela beleza, ou carisma, ou qualquer besteira dessas que as pessoas dão mais importância do que deveriam, sim pelo que mais conta nisso tudo: suas músicas.

Tento puxar à cabeça algo que ela tenha lançado nesses anos de carreira que eu tenha achado muito ruim e, honestamente, não me vem. Óbvio, algumas das faixas acabam entrando naquela zona de conforto preenchida por ballads emotivas que não me despertam tanto replay factor, mas é mais pela indiferença a esse tipo do som que desgosto mesmo.

E quase que como servindo de contraponto aos trechos mais negativos de sua discografia, temos dela troços como "You & I", "Good Day", todo o "Chat-Shire" e todas as faixas do "Modern Times", um dos melhores álbuns das história recente da música asiática.



Só que mesmo com esse "passe livre", ela ainda se permite experimentar mais em suas canções, cercando-se de produtores que fazem uma boa música Pop usando de artifícios diferenciados, que fogem aos maneirismos de suas épocas, atribuindo-lhe uma assinatura sonora bem identificável e interessante de escutar.

Portanto, não é nada estranho que o álbum comece já com ela brincando tanto em Dlwrlma, cantada de maneira extremamente adocicada, quase toda em falsete, com os instrumentos entrando e sumindo quase como devaneios por trás, permitindo que cada um deles brilhe inusitadamente em momentos diferentes da música. Por vezes, achamos que é o piano o principal, mas ai ele some e a bateria toma conta, e então o baixo surge gravíssimo.

É um começo estrondoso e magnífico que não é derrubado de maneira nenhuma por Palette, outra faixa espetacular. Amo o minimalismo que impera em sua produção, com um pano de fundo eletrônico servindo de grade para, novamente, o instrumental mais orgânico surgir dançando como se um quadro fosse pintado através das cores de cada um dos momentos sônicos.

A interpretação vocal dela também não deixa a desejar, não se rendendo a exageros e levando a faixa de maneira graciosa. É claro que o rap do G-Dragon poderia ser feito por qualquer um, mas a interação de dois timbres é bacana e não tenho do que reclamar.



Isso de somar vozes é executado com ainda mais afinco em Can't Love You Anymore, dueto com o Oh Hyuk, que é meio blueseira, meio jazzística, ideal como trilha de fundo para momentos íntimos. Todo mês surge alguma parceria feminina x masculina que varre a Coreia, mas o que mais me incomoda nesse tipo de número é o excesso de verniz em ambas as parte e por isso essa aqui se destaca tanto, já vocal mais sujo dele serve de antítese perfeita ao açúcar da IU, criando um clima interessantíssimo de ouvir. Ponto pros dois.

Jam Jam é uma bela surpresa, soando quase como algo que a Daoko lançaria no Japão com algum clipe animado pornográfico. Os elementos eletrônicos irem se somando, levando a faixa num crescendo é bem bacana, principalmente quando chega o pré-refrão mais viajado. Acho que só não estou gostando tão mais disso por já ter escutado coisa parecida (e ligeiramente melhor) vindo da Lucy há pouquíssimo tempo, em B-Day. Ainda assim, é outra música muito boa.

Black Out soa como se a IU tivesse ligado para a Fernanda Takai, pedido uma demo do Pato Fu e trabalhado-a de uma maneira mais R&B. Para quem gosta de se gabar de vocais da sua fave, aqui é o momento do álbum onde ela mais grita. Tivesse um pouco mais de destaque para a guitarra, seria uma faixa psicodélica perfeita, ou pelo menos o quão psicodélica uma faixa coreana consegue ser. Gosto bastante.



Porém, como eu disse lá em cima, ponta de nenhuma polarização está totalmente certa e isso se mostra no que seria o outro lado do álbum: as baladas.

Quase não há diferenças entre Full Stop, Ending Scene (aleatoriamente sanduichada entre "Palette" e "Can't Love You Anymore") e Dear Name. As três são ballads que mesclam o piano com instrumentos de cordas, dando um ar lírico/orquestral/Disney ao produto final, sendo lindas e emotivas. Só que são quase massas amorfas colocadas lado a lado, sem um brilho diferencial, sem nada que as destaque ou que me faça lembrar para diferenciá-las.



Isso é mais ou menos compensado na bonita Through The Night, que tem no violão seu destaque, mesmo não seja bem o tipo de coisa que me desperte vontade de ouvir mais de uma vez. Diferente de Love Alone, a mais única dessa metade final, levada toda APENAS ao violão (ou é algum instrumento de cordas tradicional da Coreia?) como se fosse uma serenata. Uma pena não terem sido mais criativos nas demais faixas lentas.



Ao fim, o "Palette" ainda é um álbum bom. Metade de suas músicas são muito legais e acima da média, a outra metade varia entre repetições inespecíficas e números razoável para o que se propõem. O saldo é positivo. Não é nem nota 10, nem nota 0.

É claro que eu esperava mais. Do "Modern Times" pra cá, é nítida a intensão dela e de sua equipe de retirar a imagem pueril e jovial (ou lolita, encarem como preferir) que lhe ficou associada pelos primeiros anos de carreira. Isso vem funcionando bem, mas a essa altura do campeonato, colocar num LP 4 baladas cujos instrumentais facilmente poderiam ser utilizáveis em alguma cena de filme da Disney me soa, no mínimo, hipócrita para a história que ela está se dispondo a construir. Ainda mais com a maioria dessas sendo usada como material promocional. Afinal, qual é a da IU?

De qualquer forma, como disse, o saldo é positivo.

Nota 6,5

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