sábado, 29 de abril de 2017

ALBUM REVIEW | Minzy - Minzy Work 01 Uno (2017)


É ridiculamente irônico o fato de eu reclamar bastante em minhas mídias sociais sobre falta de pauta, mas justamente quando eu sou obrigado a dar um tempinho aqui do blog sei lá quantos lançamentos relativamente importantes ocorrerem na cena Pop sul coreana.

Comentei a maioria ontem na raspa semanal, mas resolvi deixar uns outros de fora para aprofundar um pouco melhor meus pensamentos sobre do que em apenas um parágrafo resumido. No caso, o primeiro deles a surgir aqui é o debut oficial da Minzy como solista.

Então, cliquem no continuar lendo ai em baixo e confiram meus pitacos sobre o primeiro EP dela, o Minzy Work 01 Uno. Será que valeu o hype? Será que enterrou a carreira da CL, do 2NE1 e ainda dará fôlego para que a Park Bom se liberte das amarras e siga em frente fora da YG? Uou, vamos ver...


Na verdade, a Minzy ser a primeira ex-2NE1 a ter um álbum solo, mesmo sendo um EP, para chamar de seu é um fato ligeiramente irônico (Sim, estou ignorando o álbum filipino da Dara pré-YG, pois não entra nesse contexto). Quer dizer, das quatro, a maknae de cara invocada foi a única a não ter sequer um single divulgado pela gravadora onde os holofotes estivessem apenas nela.

Já na primeira era do grupo, Dara estava colocando todo mundo para ralar a xaprosca com a bombástica Kiss e Park Bom ia pelo caminho inverso e nos fazia dormir com You And I. Mais pra frente, vocês já sabem que a CL começou a ganhar cada vez mais destaque. O mais próximo disso que Minzy recebeu foi um feat. com a vesgostosa em Please Don't Go, que vendeu quase um milhão de cópias, mas ninguém se lembra.

Então, ver que após tudo isso, foi justamente ela quem conseguiu sair das amarras da YG Entertainment e seguir sozinha, não só lançando seu primeiro single solo como já vir com um mini enquanto CL segue esquecida pelos coreanos e pela equipe do Scooter Braun, Dara segue implorando para o Papa YG deixar que ela lance algo e Park Bom segue cada vez mais louca me dá um misto de vontade de rir pelo sarcasmo da situação e chorar com a burrice das outras meninas.

Ao menos, o mini-álbum está realmente recheado de troços divertidos e é bem legal de escutar...



NiNaNo foi a escolhida como lead para essa estreia e eu não poderia estar mais satisfeito. Essa sonoridade Urban se apropriando de ícones mediterrâneos meio que se tornou uma característica do 2NE1 enquanto vivo. Porém, diferente do que ocorria com o quarteto, os produtores aqui resolveram segurar a mão nos elementos sônicos, fazendo-a uma faixa mais limpa em comparação com outras nessa mesma linha, como "Don't Stop The Music", "Crush" e "Fire", por exemplo. E eu adorei.

O vocal dela está bem nítido e não tenho que me preocupar com sei lá quantas explosões dissonantes surgindo do nada e estragando o produto final. Então, posso me permitir curtir a música e os vários momentos gostosos presentes nela. Dos versos fortes ao pré-refrão mais intenso, do refrão rebolativo e tropical ao break para mandar uns passinhos árabes. É quase uma versão mais Pop do que a M.I.A. costumava lançar.



Logo após, temos Superwoman, que nada mais é que uma dessas faixas mais emotivas que inicialmente parecem ser pensadas como uma balada, mas que ganham mais e mais elementos e o tempo vai aumentando até que seja permitido dançar. Fosse ela gravada há cinco ou seis anos, teríamos um refrão gritado, cheio de melismas e malabarismos vocais. Como estamos em 2017, temos sintetizadores distorcidos substituindo isso. Curto mais assim.

A letra fala sobre o quão a vida as vezes parece ser uma merda, mas que nenhum obstáculo deve ser forte o suficiente para fazer com que desistamos. Podemos usá-la para estabelecer um paralelo sobre a carreira da Minzy, quase sempre ignorada em sua gravadora anterior, mas que resolveu tocar um foda-se e continuar tentando até conseguir seu momento de glória.

ING é mais uma boa faixa, com algumas referências de reggae no instrumental e no próprio delivery vocal dela, mais jogado, inclusive com a pronúncia de algumas palavras coreanas para que soem com sotaque jamaicano. É tudo bem grudento e gostoso de escutar. Uma pena não ter rolado um MV bem colorido com ela dançando junto aos amigos numa festa ou qualquer coisa dessas, seria um bom follow-up.

Para mim, que cresci nos anos 2000 escutando aquilo de jogarem numa panela Pop com R&B e Hip Hop, a parceria dela com o Jay Park em Flashlight é deliciosa, pois retoma todo esse clima que tanto me afeiçoei através de canções da Jennifer Lopez, da Brandy, da Aaliyah, da Ciara, TLC, Destiny's Child e de mais um monte de gente. Adoro as repetições de palavras aqui, as backing vocals distorcidas atrás e todo o balanço do inicio ao fim.

Quatro faixas ótimas, hora da balada-encerra-álbum para cortar o clima e diminuir a nota que farei ao final? Bom, mais ou menos. Beautiful Lie é sim uma balada que fecha álbum, mas ela até que se sai bem no que é esperado para esse tipo de música, muito por existir um punch no instrumental que não deixa o resultado final sonolento, mas também pela interpretação vocal da Minzy não ser histriônica, com ela limitando-se a apenas seguir a melodia sem enfeitar o que não deve ser enfeitado. Se isso é por falta de capacidade vocal dela? Não sei, mas também não me importo, pois até que curti.



O gosto final que fica é o de satisfação. Embora nenhuma das músicas seja muito criativa e a impressão de eu já ter ouvido isso tudo antes, mas com leves variações, seja alta, não é como se tais sentimentos me despertassem algo negativo, muito pelo contrário.

Nada na tracklist me dá vontade de pular e todas elas apresentam momentos de chiclete puro que contribuem muito para o fator de replay. Para um debut, do que reclamar?

É interessante pensar também que a Minzy, mesmo com quase uma década de carreira, tem apenas 23 anos. Outras meninas da idade dela no K-Pop são obrigadas a cobrir-se com um verniz de perfeição e a seguir uma série de modismos sonoros e visuais para aproveitarem-se do que agrada a manada em prol de views, tentativas de vendas e uma imagem rentável ao que é esperado na TV.

Enquanto isso, ela vem com um trabalho que parece a divertir, sem se adequar ao entorno e, de certa forma, dá um gás de novidade num cenário onde todas ou lançam House, ou lançam ballads. As vendas estão coerentes com o que é tido como normal entre solistas na Coreia do Sul, ainda mais se considerarmos que seu último single com o 2NE1 foi em 2014.

Que venha um volume dois desse EP e, futuramente, um LP completinho. Eu to adorando.

Nota 7,5

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