domingo, 2 de abril de 2017

ALBUM REVIEW | Girls' Generation - I Got a Boy (2013)


Muitos de vocês não sabem, mas meus colegas blogueiros e eu temos um maravilhoso chat de Twitter, onde frequentemente discutimos pautas extremamente relevantes da atualidade, como o eterno olhar sem vida da Yeri, o destemido remix da Tulla Luana para o smash hit "Mo Bounce", da Iggy Azalea, "Mo Palavrão", e a indecifrável rivalidade de Dalla Corte com Igor Lunei.

Num desses debates intermináveis, resolvi compartilhar alguns de meus textos antigos, da época onde participei da redação de uma rádio online especializada em animes e cultura Pop asiática. Fiquei lá de 2012 até 2015, mas algumas matérias, principalmente de um período entre 2013 e 2014, me soam extremamente engraçadas, tamanha foi a mudança na minha maneira de escrever de lá para cá - e também pelo modo como a minha opinião acabou se tornando menos sisuda, mais flexível.

O problema nisso é que boa parte do que está lá já não representa mais a minha opinião com tanta exatidão. Ou por eu já não ter mais tanta a pretensão de soar extremamente sério, crítico e enfático com as palavras, ou por coisas que eu gostava/desgostava agora funcionarem de maneira diferente comigo.

Por isso, decidi que darei uma atualizada nesse material todo e, sem promessas de periodicidade fixa, repostarei alguns dos reviews que eu tinha feito lá. Farei isso de maneira a balancear com o que eu sentia na época e com a impressão que tais releases me causam agora, de uma maneira mais clara, menos pedante, menos desesperada por cliques.

Começando pela primeira resenha de todas, lançada no dia 10 de fevereiro de 2013. Confiram ai os meus pitacos sobre o I Got a Boy, quarto álbum coreano de inéditas do Girls' Generation...


Em minha opinião, 2013 foi um ano relativamente interessante para o cenário musical sul coreano. 2010 e 2011 começaram a década lá no alto, com sei lá quantos lançamentos que consideramos clássicos hoje em dia, 2012 deu uma certa baixada na bola, sendo o mais fraco dessa primeira metade, então 2013 estava ali para colocar as coisas de volta nos trilhos, com novos grupos despontando ao sucesso e uma galera veterana mostrando que ainda tinha muito o que mostrar, inventar e proporcionar de maneira positiva.

Nessa leva, o Girls' Generation resolveu retornar na virada de ano novo, voltando com um LP completinho lançado no dia primeiro de janeiro. Eu lembro que esse acabou sendo um dos assuntos mais comentados no nicho capopeiro naquele reveillon, pois o álbum acabou saindo online para o ocidente ainda no dia 31, assim como o MV que dá título ao trabalho, sendo esse lead single um dos maiores divisores de águas entre os sones desde... Sempre?



I Got a Boy é 8 ou 80 e isso nunca mudará. Não que canções com diferentes andamentos interagindo e se emendando na backtrack fosse, à época, alguma novidade, pois a música Pop e o Hip Hop internacional fazem isso desde que o mundo é mundo, mas ouvir algo ousado assim vindo do SNSD, um grupo cuja essência sempre esteve em trazer faixas de fácil assimilação - e isso não é um defeito - acabou sendo intrigante.

Enquanto muita gente a odeia, na mesma proporção, há aqueles que a amam. E, pasmem, eu estou nesse segundo grupo, pois IGAB totalmente funciona comigo até hoje. A razão disso? As melodias se somarem ao final, fazendo com que todo o pacote detenha uma apresentação redonda e uniforme, fazendo com que aquela colcha de retalhos mostre-se um produto completo. E então, temos nisso mais um número de Pop chiclete vindo das soshis, divertido, empolgante, com replay factor e aproveitamento completo. Pra mim, essa foi a última title coreana delas a prestar.

Para melhorar, esse clima fun é mantido por quase todo o álbum.



Eu demorei um tempo para descobrir o porquê de a SM colocar uma versão para "Mercy", da Duffy, no LP e ainda usá-la como follow-up em sua divulgação. Entretanto, a real é que essa faixa deveria ter sido lançada em 2008, aproveitando o hype da cantora britânica one hit wonder. Só que, por problemas de copy right, acabou sendo engavetada por quase cinco anos, até que foi reaproveitada aqui. E isso é bem ilustrado no MV, com elas voltando no tempo e assumindo os visuais mais sóbrios da época em vez da explosão de cores representativa da era atual.

Não tenho muito mais o que falar, pois os produtores não mexeram tanto no instrumental, fazendo dela apenas um cover bem executado e melhorado, como a original já era ótima, temos aqui outro belo destaque.

Baby Maybe é o primeiro momento mais relaxado do álbum, sendo uma midtempo romântica e totalmente calcada no R&B, tocada e cantada de maneira graciosa, o que combina bem com a interpretação delas. A voz da Sunny (bias eterna), particularmente, me agrada bastante aqui. Outra faixa boa.

Talk Talk já era conhecida da galera que acompanhava os trabalhos delas em solo japonês, sendo uma daquelas poucas canções que funcionam perfeitamente em ambos os idiomas. E se aqui não temos os "boom boom loving you" da versão original, ganhamos uns "neoui" no pré-refrão que soam como "not yet" e grudam de vez na cabeça.

Bicho, que música Pop boa, grudenta, divertida e que dá vontade de cantar junto. O instrumental parece ter sido feito a partir de brinquedos musicais e todo o modo como os teclados são tocados lembram o Hip Hop dos anos 90, fazendo disso uma boa mistura.



Eu tenho um pouco de resistência com baladinhas feitas por grupos coreanos, pois quase sempre há uma certa falta de pulso em sua execução, fazendo-as arrastadas e pouco apetitosas. Ironicamente, esse não é o caso das duas presentes no trabalho. Promise acerta sendo um tanto retrô e modulando nos momentos finais, contendo ainda um refrão memorável e cativante. Já Lost In Love é ainda mais interessante, um dueto entre a TaeYeon e a Tiffany que começa com ares mais clássicos e ganha bastante ginga instrumental conforme os segundos passam.

Voltando ao uptempo, Express 999 deve ser um dos troços mais legais não só desse álbum, mas da discografia do SNSD como um todo. Seu início tem todo um apelo New Romantics, com sintetizadores mais reverberados e um andamento meio roqueiro. Porém, ao chegar no refrão, a canção se joga num clima disco recheado de guitarras muito empolgante e rebolativo.

Esse recurso de andamentos diferentes é também usado em Look At Me, cujo instrumental eletrônico mais "mecânico" ganha forma estrofe a estrofe, explodindo num refrão Drum'n'Bass de tirar o fôlego. E boa sorte pra vocês tentando tirar os "you look at me, I look at you" do refrão da cabeça, pois isso é algo quase impossível.

XYZ é ainda outro destaque da tracklist. Sim, meus caros, o LP é realmente bom e mesmo com 9 faixas passadas o aproveitamento é de 100%. Esse é também o momento mais eletrônico e farofeiro do álbum, com sintetizadores bem fortes e um apelo catchy na coisa toda que dá muita vontade de acompanhar.

Só não entendi mesmo o porquê de colocarem algo como Romantic St. para encerrar o álbum. Não que seja uma música ruim, pois essa recriação de números doo-wop 50's até que é passável, mas para fechar um LP bom assim? Equivocado.



Ao fim, o gosto final que sinto ao terminar o "I Got a Boy" continua tão positivo quanto foi há quatro anos. A real é que não há tanto sentido em esperar algo diferente de canções Pop chicletes e divertidas do SNSD quando, no âmago do projeto, não é nada além disso que elas se propõem. E ai, elas entregaram isso de maneira quase que inteiramente positiva.

Esse continua sendo um álbum legal de ouvir, com faixas que são diferentes entre si e que escuto com uma frequência relativamente alta. Honestamente, consigo imaginar quase todas as faixas dele servindo como lead single. Pra mim, foi o último ápice do Girls' Generation.

Nota 9,0

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