domingo, 9 de abril de 2017

ALBUM REVIEW | 2NE1 - Crush (2014)


Continuando a série de posts onde eu resgato algum dos reviews que fiz para um site que fazia parte, mas de uma maneira menos pretensiosa, menos pedante e tentando me aprofundar um pouco mais no que quero passar, é hora de voltarmos ao ano de 2014 para um dos álbuns mais comentados daquela época.

Sim, meus caros. Preparem-se para mais um dos meus típicos posts falando dos erros e acertos de atos da YG, que muitos de vocês levarão para o pessoal, acharão que é uma afronta e dirão que eu tenho inveja, ranço, amargor e que, na verdade, gostaria de estar no lugar dos envolvidos.

Abaixo, confiram os meus pitacos sobre Crush, o segundo álbum de estúdio do 2NE1. Será que minha opinião mudou de lá pra cá?


A maior parte da galera que acessa esse blog já deve saber disso, mas esse tipo de post acaba sempre caindo em grupos de Facebook e chovem pessoas achando que tenho algum tipo de implicância com o 2NE1 e com atos da YG em geral. Então, é sempre válido esclarecer umas coisas antes que venham pedras na minha cara.

Eu não tenho nadinha contra os grupos e artistas vindos de lá. Só que, a real, é que eu não acho que a empresa tem um aproveitamento legal em relação às músicas produzidas para essa galera. Tem muita coisa boa, muita coisa média, mas também muita coisa ruim. Só que, por algum motivo que eu jamais entenderei, há um tipo de sentimento que é despertado nos fãs quando não digo que tudo que os idols trabalhados pela YG é perfeito. E então, o mínimo comentário negativo é tirado como uma ofensa gravíssima.

No caso do 2NE1, que era o mais famoso em todos, sempre vi o quarteto como um dos troços mais superestimados da indústria e da fanbase mundial. São poucas as músicas que realmente considero boas vindas delas. "Hate You", "I Love You", "Ugly" e "Lonely", precisamente. Quando adiciono as que acho ruins, mas ainda assim gosto, a lista aumenta, com "I'm The Best", "Can't Nobody", "Follow Me", e "Clap Your Hands".

E nem sei se há um culpado nisso. Papa YG e sua maneira de gerir seus contratados? Teddy e seus maneirismos na hora de produzir? Eu e minha subjetividade? Não dá pra definir, só acontece.

Então, não é de se espantar que a minha opinião sobre o "Crush" seja tão negativa, certo?



A faixa que dá nome ao álbum tenta de todo modo recriar a magia imposta em "I am The Best", com o mesmo estilo de sintetizadores mais intensos, as mesmas influências árabes em elementos da backtrack e a mesma letra zombeteira sobre o quanto elas são gostosas, relevantes e incríveis enquanto as inimigas não. Mas... Não rola. Pelo menos, não comigo.

"IATB" acaba colando como o tipo de troço que força tanto a barra e vai tão longe no absurdo que acaba fazendo a volta e, num plot twisty da vida, se torna divertido. "Crush" não consegue ser catchy o suficiente e me soa como uma cópia mal resolvida. Mas como sempre há um lado bom em tudo, a versão ao vivo acima é bem legal de assistir, pois a presença de palco delas totalmente vale a pena. No CD, passo.



Come Back Home não se salva nem ao vivo, pois deve ser uma das piores músicas de toda a história recente do K-Pop. Eu entendo que a ideia aqui era colocar um tipo de "sofrimento" na voz para que a interpretação soasse mais emocional. Entretanto, o exagero é tanto que a impressão passada é quase como se as quatro estivessem com a pior dor de barriga da vida delas, tamanha é a caricatura.

Pra piorar, tiveram a estúpida ideia de colocar um break "futurista" de trap após cada refrão, meio que tirando todo o clima mais melancólico previamente criado pelo instrumental Dub. Uma pena para o videoclipe milionário, lindíssimo, totalmente desperdiçado.



Eu sei que muitos de vocês adoram Gotta Be You e isso é bem compreensível, já que a divisão métrica aqui é bem bacana, fazendo com que os versos sigam numa crescente até o refrão, que estoura de maneira legal, além do rap da CL estar on point em todos os momentos.

Porém, eu não consigo não ter uma certa vergonha alheia com esse sintetizador eletrônico histriônico datadíssimo presente em quase toda ela, com seus "ueen ueen ueen ueen ueeeeeennnnn" fazendo com que ela pareça ter sido gravada por um Will.i.am ou por um LMAFO da vida. Infelizmente, estraga parte da minha experiência e acaba transformando uma música que poderia ser nota 10 em uma nota 7,0.

Já a dupla de baladas If I Were You e Nice Girl já tinham atraído a minha atenção positivamente em 2014 e, ao escutar novamente o álbum para escrever isso aqui, se mantiveram como bons destaques em minha cabeça. A primeira, pela pegada mais teatral e "cafona" (num bom sentido), a outra por ser tocada e cantada de maneira mais contida, agradando pela simplicidade. Não são o tipo de coisa que eu costumo escutar diariamente, mas não fazem feio não.



Mental Breakdown mudou comigo conforme os anos passaram. Eu a achava insuportável, mas agora deve ser o solo da CL que eu mais escuto. Os versos fortes e rápidos, o break rebolativo no refrão, o final com ela sussurrando sobre o quanto a vida é bonita e dura, uou, tudo me agrada.

Claro que, semanalmente, algum boygroup lança exatamente isso ai com outra letra em cima, mas enfim...

Só que também fica aquele ranço, né... Quer dizer, eu lembro que foi mais ou menos nessa época, ao trabalhar pela primeira (?) vez com o Diplo que a CL começou a ser vendida como a vesga mais cool vinda do oriente para conquistar o mundo. É meio triste ver que quem acabou estourando foi ele, tanto solo quanto em parceria com Skrillex e Major Lazer, que essa fama acabou sendo favorável para outros artistas, como a linda da MØ, o Justin Bieber, mas que a CL acabou ficando para trás.



Ainda no que há de bom (ao apenas aceitável, tirem suas próprias conclusões), temos Happy, um bubblegum Pop divertidinho e que não ofende. E bom... é só isso ai que tenho pra falar de "Happy". Digo, se fosse de qualquer outra girlband, ninguém nem saberia que existe. Tá que a letra é super depressiva, mas o pacote todo é bem básico e mais do mesmo.

Quase ao final, temos mais uma farofa: Scream. Sério, pra que essa barulheira toda na backtrack? Pra que esse exagero? Falta sensibilidade na hora de escolher o que fica ou não no produto final aqui. É como se pegassem uma demo e enfiassem toda e qualquer ideia, fazendo dela algo quase inaudível e nada aproveitável. Não há balanço, só barulho.

E tudo isso meio que mata a vontade de chegar até Baby I Miss You, que é, de longe, a melhor do álbum. Ela traz aquele R&B que parece ser dos anos 90, parece ser dos anos 2000, de uma maneira certeira, com um instrumental excelente, versos excelentes, um refrão excelente, rap excelente, bridge falada/cantada excelente.

Uma pena estar escondida ao final, sanduichada entre uma das piores da tracklist e a versão acústica da title. Aliais, "Come Back Home" fica bem melhor assim, orgânica, cantada sem exageros e sem todas as bobagens eletrônicas equivocadas. Vai entender o porquê de estragarem tudo.



Ao fim, a impressão que tenho atualmente comparada com a que tive há quase 3 anos não é tão diferente assim. Mesmo com uma certa despretensão que fui adquirindo com o tempo, o "Crush" continua sendo um álbum demasiadamente irregular. Só uma das faixas é realmente excelente, e poucas são as aceitáveis. E então, o pacote total acaba sucumbindo aos erros daquelas que são piores.

Uma pena a gerência ruim por parte da YG para com o 2NE1. Quer dizer, isso aqui saiu em 2014 e o grupo só disbandou mesmo agora em 2017. Sei lá quantos outros LPs e EPs poderiam ter sido lançados nesse meio tempo, redimindo-as e deixando aos momentos finais das quatro um legado bem mais aproveitável. Talento, carisma e brilho elas tinham de sobra.

Nota 4,5

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