segunda-feira, 27 de março de 2017

Para o bem e para o mal, 'I'll Be Yours' é uma típica faixa do Girl's Day: genérica


Eu não consigo ter esse amor todo com o Girl's Day que eu observo ser consenso entre os capopeiros. Não por conta das integrantes, pois são todas muito lindas, simpáticas em vídeo, além de a Minah e uma das outras que esqueci o nome terem vozes bem bonitas. Sim pelo que, considero eu, o motivo mas importante nisso tudo: o repertório demasiadamente fraco que o grupo nos mostrou ao longo dos anos em atividade.

O catálogo do quarteto é composto, em grande maioria, por canções um tanto inespecíficas, genéricas, que em nada acrescentam em novidade ao cenário e tampouco permitem que exista uma linha onde a identidade sonora delas seja delimitada. E enquanto isso não chega a me incomodar quando coisas como Something, Nothing Lasts Forever e Twinkle Twinkle nos são proporcionadas, num geral, a real reação imediata que tenho à elas é a pior possível: indiferença.

Dito isso, vocês já devem ter percebido que eu não tinha qualquer expectativa para I'll Be Yours, certo?



Bom... Para o bem e para o mal, essa é uma típica faixa do Girl's Day. Não há aqui qualquer intenção em reinventar a roda, com toda a produção limitando-se a seguir um estilo sonoro já supostamente estabelecido e feito anteriormente por uma porção de atos.

"I'll Be Yours" mistura elementos jazzísticos com uma sonoridade mais atual, dada pela utilização de um andamento um tiquinho mais desconcertado, instrumentos de sopro e, na contramão, sintetizadores de trap que surgem no refrão. Tirassem essas inserções eletrônicas, poderia facilmente ser associada com o que a Ailee fez em suas title tracks entre 2013 e 2015.

A comparação fica ainda mais óbvia pela estrutura de versos mais maleáveis e refrão gritado. Escutem abaixo a interessante "Don't Touch Me" e tirem a prova...



E eu não estou insinuando que houve plágio aqui ou qualquer besteira dessas, já que isso é K-Pop e reaproveitar sonoridades é meio que o que dá forma a esse nicho. Pra mim, tanto faz esse tipo de coisa quando o que é refeito consegue se tão bom ou melhor que o original, tipo Gain praticamente relançando "The Red Shoes" em "Carnival", ou JYP reciclando o SNSD de 2009/2010 através de "Very Very Very" para o I.O.I. Quando fica bom, bacana!

Mas ai que tá, os produtores do Girl's Day vão lá e tornam o produto final sonoramente mais aceitável, mais radiofônico, seguindo ~tendências~ para que o grande público compre a ideia com maior facilidade.

É uma canção que remete ao Jazz, mas não se aprofunda nisso como os materiais propostos pela Ailee, pela IU, pela Lim Kim ou pelo Mamamoo. A impressão que dá é que há um ridículo medo por parte da Dream T de ousar, de ir além do feijão com arroz basicão.

Quer dizer, para uma outra comparação, tomem a deliciosa "Décalcomanie", do já citado Mamamoo, como exemplo:



Há identidade, há uma certa boa vontade em honrar as referências propostas de modo que a execução seja bem planejada e não permita erros como inserir elementos dissonantes. Já "I'll Be Yours" é, basicamente, "Ring My Bell" 2.0, que em vez de usar o Country como conceito, usa o Jazz.

Pra ser honesto, acho o momento de maior acerto em execução de uma referência do Girl's Day num todo, e muitos de vocês rolarão os olhos com isso, foi em Darling, pois pegaram o Doo-Wop cinquentista e trabalharam em cima dele de maneira correta. E digo isso mesmo não curtindo tanto assim a faixa, por achar água com açúcar demais e etc.

"I'll Be Yours" é só mais uma bola fora que, provavelmente, esquecerei que existe em questão de dias. Foi mal, GD-fans, talvez num próximo comeback eu me junte a vocês. Por enquanto, continuarei apenas escutando os sei lá quantos lançamentos mais legais que rolaram no capope nesse primeiro trimestre.

vontade dos fãs nesse momento...

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