quarta-feira, 1 de março de 2017

ALBUM REVIEW | TaeYeon - My Voice (2017)


O lançamento do primeiro álbum completo de um ato coreano, seja ele um grupo, um duo ou apenas um idol solo, é sempre um momento importante em sua carreira. Digo isso, pois é muito comum dentro do K-Pop, diria até que uma regra, que as empresas tenham como maior foco vender a imagem de seus contratados, vender a ideia por trás deles e dos conceitos que eles querem passar comeback a comeback. Logo, tanto faz se tal ideal será vendido a partir de um single físico, digital, ou por um LP, pois o que conta para os seguidores mesmo é participar daquilo, consumir o que seus olimpianos estão oferecendo - e para as empresas, lucrar da melhor forma, claro.

Quando um LP é lançado, a mensagem por trás é de que o mais importante daquele pacote é a música. E enquanto para alguns, como o EXID, o F(x), o Red Velvet e o Mamamoo, isso funciona bem e há, de fato, todo um esforço para que o trabalho siga uma linha coerente e interessante de escutar, para outros, como o AOA, o BTS, O Girl's Day e o Sistar, o resultado acaba não sendo tão satisfatório assim.

A mais nova idol a entrar nessa lista é a TaeYeon. Abaixo, confiram a minha opinião sobre seu primeiro álbum, My Voice, e descubram se ela faz parte do primeiro ou do segundo grupo...


O nome da TaeYeon sempre foi uma marca bem forte do Pop sul coreano, seja dentro de seu país de origem, ou de maneira internacional. Tendo esse fato em mãos, é interessante observar a demora da SM Entertainment para lhe dar uma oportunidade solo com promoção oficial. Ao longo dos anos, a líder do Girls' Generation gravou uma série de OSTs para doramas e comerciais, ganhou uma subunidade infla ego cujo repertório em nada se distanciava do grupo original, mas um debut solo mesmo só em 2015, já com 8 anos de estrada.

Vejo "I" como uma boa música a evocar o instrumental Pop/Rock grandioso comum à bandas gospel ocidentais, tendo Hillsong United (exemplos aqui, aqui e aqui) como uma referência maior. Entretanto, nada mais em seu mini-álbum acabou por me pescar, do mesmo modo que não tenho tanta vontade assim de ouvir outros singles que ela soltou isoladamente, tipo "Rain" e "11:11", que não chegam a ser ruins, mas apenas não mexem comigo. É subjetividade.

O que mais gostei dela foi o segundo EP, "Why", recheado de canções Pop divertidas, vibrantes, criativas em suas estruturas e sem qualquer erro. Uma pena não terem lhe adicionado mais algumas faixas nessa mesma vibe e o transformado num full album, pois seria sensacional.

Infelizmente, sensacional não é uma palavra que eu posso usar para definir o "My Voice".



Fine é a que abre os trabalhos e faz isso de uma maneira delicada e instigante de ouvir, já que a soma de sintetizadores eletrônicos à cama majoritariamente acústica da backtrack lhe confere bastante pulso e permite que aproveitemos a maneira mais melódica que ela leva a canção vocalmente, corretamente emotiva e sem exageros vocais desnecessários.

Me foi uma bela surpresa, logo em seguida, vir Cover Up, um Dance com elementos de House bem divertido, descontraído, grudento, sem qualquer exagero sônico e simples de assimilar. Seria uma boa pedida como title. Outra boa pedida é a melancólica Feel So Fine, que também mistura um instrumental mais orgânico com sintetizadores, aqui, de Tropical House. Destaque para a maneira mais entristecida que a guitarra é colocada nos versos iniciais e volta após o refrão.

E o bom uso de guitarras volta em I'm Ok, a que, acredito, seja a melhor de todo o LP. Que belo refrão, não? Gosto das influências Blues caminhando lado a lado com o Pop e o R&B aqui, colando direitinho com o timbre vocal mais característico da TaeYeon.

Só que, de destaques realmente positivos, é só isso ai mesmo, com todo o álbum descambando para uma zona de exageros e escolhas equivocadas de produção que acabam por, ou deixá-lo parecido com qualquer coisa que qualquer idol lançaria como filler em minis, ou propiciar momentos sonoros de puro mal gosto totalmente desnecessários.



I Got Love é a típica faixa meia bomba. A sensação causada por ela é a mesma de estar naquelas horas com alguém em cima de você, trepando com força, emoção, suor, mas quando a foda estiver quase chegando em seu ápice, faltando poucos segundos, tal parceira(o), do nada, levantar e sair andando.

Isso ocorre pela construção instrumental montada. Os elementos sônicos vão surgindo e surgindo numa crescente, se completando e dando indícios de que tudo irá estourar. Só que, no lugar, surge apenas uma sequência melódica fraca demais, muito baixa e nem um pouco empolgante. Mil vezes melhor se tivessem colocado os versos presentes na estrofe final em todos os refrãos. Da maneira que está, é apenas broxante.

Time Lapse começa de maneira promissora, como uma balada de arranjo mais emotivo, mas logo há uma mudança para algo mais dançante. Até ai, tudo bem, pois tal estrutura é frequentemente usada na música Pop e quase sempre me agrada. O problema é que ela não se limita a isso, com alguns breaks surgindo, mudanças de andamento e todo um exagero instrumental pouco aproveitável, assim como a interpretação vocal esganiçada colocada aqui, tornando sua metade final quase insuportável. Tem vezes que menos é mais.

Só que esse histrionismo vocal continua em Sweet Love, levada de maneira demasiadamente malabarística e totalmente estragando a delicadeza do R&B/Pop proposto aqui.

When I Was Young e Love In Color são sonolentas demais, feitas com muita pompa e uma perfeição plástica tão interessante quanto assistir uma corrida de caramujos. São o tipo de coisa que imediatamente me remetem ao intragável "The Velvet", do Red Velvet, tamanha é a falta de adrenalina propiciada por ambas - o que é ainda mais grave na segunda, com a soshi sendo acompanhada apenas do piano. Faixas emotivas não precisam ser assim, visto "Fine" e "Feel So Fine" lá em cima.

Tais erros meio que jogam sombra em algumas outras canções presentes nessa raspa final, como Lonely Night, que até tem uma ginga bacana, mas nada mais é que um filler sem identidade, Eraser, um mid pouco memorável, e a melhor dessa trinca, Fire, uma power ballad dessas de encerrar álbum/show bem feitinha, mas que acaba não engrenando tanto quanto poderia. Faltou um solão épico de guitarra para todos levantarem os celulares/isqueiros/bastões, faltou pesarem mais a mão.

As três não chegam a ser ruins, mas também não são tão memoráveis assim. Uma pena para um LP que começou tão bem acabar se perdendo dessa maneira.



Eu adoraria ter amado o "My Voice" do início ao fim, mas após ouvi-lo inteiro algumas vezes, o gosto que fica na boca é de que o aproveitamento é bem abaixo do esperado.

Ter um vocal privilegiado não significa cantar bem. Colocar várias notas numa sílaba sem que haja necessidade disso é ruim. E fazer música não é só cantar. Há toda uma produção por trás que deve ser bem executada para que as faixas sejam interessantes memoráveis.

A TaeYeon havia conseguido isso em "Why" e mostrou que pode manter a atenção em parte desse álbum. Entretanto, o que impera em sua maioria é o verniz de perfeição e a total falta de ousadia que rondam a imagem da SNSD mór. Faltou uma direção maior para que ela pisasse no freio vocalmente e para que soltassem as rédeas instrumentais em certos pontos. E um uísque, talvez.

O cenário musical coreano não precisa de mais uma boneca, sim de uma artista.

Nota 5,0

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