quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

MANGA REVIEW | The Promised Neverland


Fazer resenhas de mangás é algo que me soa relativamente dificultoso, já que, diferente de animes e longa-metragens animados, que possuem uma limitação episódios ou tempo de duração já pré-estipulados, permitindo-me avaliar tais obras de maneira fechada e completa, os gibis japoneses seriados de maior sucesso costumam levar anos e anos para que suas publicações sejam terminadas.

Logo, minhas opiniões negativas ou positivas tentem a ter um prazo de validade, visto os autores poderem transformar algo brilhante em massante, ou a pior das tramas em algo realmente divertido de acompanhar em questão de meses.

E as coisas tendem a piorar para mim pelo fato de eu preferir consumir HQs de maneira física em vez de ficar horas sentado na frente do computador olhando scans em fan sites. Dessa maneira, posso ler os quadrinhos nos trajetos casa/trabalho/faculdade sem me preocupar com o tempo gasto. Ou seja, muitas vezes dependo do material que é lançado pelas editoras aqui no Brasil e sofro com o delay entre o que é solto lá fora e o que chega aqui.

Entretanto, aleatoriamente, por indicação de um amigo, um mangá acabou superando essas minhas regras pessoais e não só me fez ir atrás dele online, como me inspirou a escrever uma review - mesmo com uma quantidade pífia de capítulos entre nós.

Confiram ai os meus pitacos sobre o hypado The Promised Neverland...


Antes de tudo, vale registrar a minha surpresa com esse título sendo lançado na Shonen Jump, uma revista com que tem como maior público o shonen. Então, me é um tanto surpreendente ver algo tão sombrio e, vá lá, maduro dividindo as páginas com "One Piece", "My Hero Academia", "Shokugeki No Soma" e por ai vai. E ainda maior é o meu espanto com isso realmente chamando atenção, já que sua primeira edição tem vendido bem e a trama como um todo tem se destacado internacionalmente.

"The Promised Neverland" com a história de algumas crianças entre 1 e 12 anos de idade em um orfanato, tendo como foco principal o trio de amigos Emma, Norman e Ray. O grupo leva uma vida significativamente boa, embora enfrentem algumas regras rígidas, como nunca atravessar uma cerca na floresta, não ir até o portão ou sair durante a noite.

Ali, todos tem em sua cuidadora uma figura materna carinhosa e admirável. Além disso, a ideia de que um dia todos sairão dali para um mundo incrível é alimentada diariamente. Porém, esse status quo começa a ser quebrado no momento em que o verdadeiro destino fora daqueles muros é descoberto pelas crianças que ali estão.

Com as devidas informações já passadas, posso começar a opinar. Quero ressaltar que, a partir do próximo parágrafo, rolarão alguns spoilers. Se ainda não tiverem lido e se importarem, sugiro que voltem após tê-lo feito. Aah, e se vocês estiverem lendo isso num futuro longínquo, essa resenha foi feita com base apenas nos 21 primeiros capítulos lançados até a data que foi escrita.


Em meio a sinopses cada vez mais mirabolantes e traços que buscam uma linguagem cada vez mais épica, "TPN" acerta com folga e se destaca justamente no mais importante para que uma história seja competente: o roteiro.

A proposta é relativamente simples e poderia ser empregada em qualquer adaptação de série, novela ou filme. Temos uma turma de crianças foi criada num lugar separado da sociedade, tendo como "realidade" apenas aquilo que lhes é passado diariamente e a ideia de que, fora dali, há uma vida ainda melhor para os que forem escolhidos. Só que ela é executada de maneira tão assertiva e com um plano de fundo tão bem bolado que nem parece ser algo requentado dezenas e dezenas de vezes.

No caso, o roteiro no primeiro capítulo tem início nos mostrando aquele ecossistema criado, dotado de uma limpeza - literal e conceitual - impressionante, quase como um conto de fadas perfeito. Somos colocados a acreditar naquela felicidade fabricada e nos pegamos imaginando o quão aquilo e bom e perfeito. Um mundo lindo, uma "mãe" afetiva, uma infância perfeita.

Só que há tanta verdade naquele conceito quanto numa nota de três reais.

As coisas começam a esquentar quando uma das meninas é levada pela "mãe" para o portão, pois é a sua vez de ir ao lado de fora e começar sua nova vida. Só que a garotinha esquece sua pelúcia em seu quarto e, então, Emma, uma das mais velhas do grupo, acompanhada de Norman, resolve quebrar uma das regras do orfanato e ir até a saída levar o boneco. E é ai que o mundo idealizado despenca sobre a cabeça dos personagens - e dos leitores.

Todo o lugar, na verdade, é uma fazenda de carne humana e as crianças servem de gado para o alimento de "demônios". É para isso que todos estão sendo criados. Esse foi o destino de todos que saíram da casa e será o de todos os que permanecerem. Agora, precisam se organizar e escapar daquele lugar.


É interessante se colocar no lugar deles e, minimamente, imaginar como é estar desamparado, à deriva do que acontece e necessitar lidar com isso. O que fazer com tais informações? Como agir? Para quem contar? É um mundo inteiro se mostrando mentiroso e, pior, um ideal totalmente diferentes - e macabro - se revelando fora dali.

E o pior, eles não são ninjas como o Naruto, ou shinigamis como em Bleach, nem mesmo piratas de One Piece, são apenas crianças com menos de 12 anos desamparadas. Tá, a maioria ali tem um intelecto superior ao de muita gente, mas porra.


É interessante também observar como a história é levada de maneira tão coerente e redonda mesmo num universo limitado. Digo, 90% da trama se passa dentro de um terreno e ainda assim o roteiro nos faz "descobrir" algo novo naquele submundo a cada novo capítulo. Há muito tempo eu não me via passando páginas de maneira ansiosa apenas para que algo fosse revelado.

E a impressão que eu tenho é que ainda há MUITO mais a ser explorado. Imagina se essa pirralhada consegue sair com vida do orfanato, como é o mundo lá fora? Qual a relação da humanidade com os "demônios"? Quais os jogos políticos e debates que ocorrem por conta dessas fazendas de humanos? Há um infinito de possibilidades.

Mesmo que os personagens não fujam muito dos estereótipos (eles tem até um Sasuke Uchiha próprio), não há nenhum que chegue a incomodar pela obviedade. A irmã Krone, em especial, é um poço de carisma e rouba toda a atenção quando em página. Caso permitam, creio que há espaço para a especificidades de todos brilharem ao longo do tempo.


No mais, do que foi mostrado até aqui, "The Promissed Neverland" é um ótimo mangá. Ele foge ao estilo da revista que o publica e seu character design se aproxima mais do estilo ocidental do que o costumeiro para obras asiáticas.

Gostei de tudo. Espero que faça ainda mais sucesso e que, daqui uns anos, ganhe anime, filme e chegue ao Brasil para eu colecionar.

Atualização (30.05.2017)

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Daqui pra frente, vou tentar fazer mais algumas resenhas de mangás aqui no blog de maneira quinzenal, pelo menos. Tenho algumas edições nacionais aqui, ocasionalmente adquirirei outras ao longo do ano e talvez procure uns outros online.

Então, até lá... ;)

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