segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ALBUM REVIEW | One Ok Rock - Ambitions (2017)


A vida daqueles que curtiam J-Rock na década passada, caso tivessem acesso a internet, não poderia ser considerada difícil. Sejam eles otakus que adquiriram a paixão pela música nipônica através de aberturas e encerramentos de animes (oie) ou mesmo alernativões que frequentemente procuravam por músicas e artistas em cenários diferentes do habitual, o cardápio de consumo sempre foi bem regado, com blogs especializados em divulgar e enaltecer lançamentos, comunidades no falecido Orkut e web rádios voltadas exclusivamente para esse nicho.

Foi em uma dessa última opção que eu tive o meu primeiro contato com o One Ok Rock. O grupo se tornou hit entre os locutores de um site que eu passava minhas tardes escutando, com os programas colocando duas, três faixas dos caras a cada hora, ouvintes pedindo mais e mais e por ai vai.

Agora, anos depois, com bagagem, estrada e um nome bastante forte mesmo fora do nicho asian Pop, o One Ok Rock está de volta com um álbum lançado simultaneamente no Japão e nos Estados Unidos. Confiram então os meus dois centavos sobre essa empreitada intitulada como Ambitions...


Na verdade, o One Ok Rock assinar com a Fueled By Ramen acaba não sendo uma surpresa tão grande assim. A gravadora tem eu seu cast nomes como Paramore, Panic! At The Disco, Twenty One Pilots e Fall Out Boy, todas bandas que bebem da mesma fonte "Punk/Pop" que o grupo japonês tem como inspiração, acolhendo a mesma fatia de público "roqueiro, mas não tão roqueiro assim" que surgiu na primeira metade dos anos 2000.

E se o relançamento do "35xxxv" (2015) da terra do Tio San mostrou-se interessante para os figurões americanos, mesmo com uma promoção não tão bem feita assim, um novo LP, com uma construção de imagem por lá um pouco mais forte e mais tempo de dedicação, parece ser um follow-up adequado.



O álbum começa com uma intro que leva seu nome, servindo de como cama para o que virá em Bombs Away, que tem tudo o que é esperado de uma faixa do One Ok Rock: bastante peso instrumental, uma interpretação vocal exageradamente emotiva por parte do Taka e todo um ar "etéreo/gospel" muito bem produzido (o coral de crianças ao final é lindo demais), de forma a causar arrepios na espinha conforme as estrofes passam e levar a lugares maiores quando chega o refrão.



Aliais, falando em refrão, o de Taking Off é um dos mais intensos de todo o álbum, mas não é como se ele tirasse o brilho de todo o resto da faixa, que tem na forma como a bateria um brilho excepcional. Somem isso ao videoclipe acima da média e, pronto, temos um jam.

We Are pega ainda todos os signos que estamos acostumados acima e acrescenta um andamento Dance bem corrido que a diferencia das anteriores. Os versos são fortes, o refrão é grudento. É uma das mais memoráveis de todo o trabalho.



A versão americana do álbum conta com algumas faixas exclusivas e a primeira delas é Jaded, uma parceria com o Alex Gaskarth, do grupo All Time Low. É aqui onde uma onda mais "Pop" ocidental e radiofônica começa a transparecer, com inserções de Dubstep e batidas Trap aqui e ali. A letra sobre carpe diem casa coerente com a energia depositada no instrumental, fazendo dessa uma das mais legais na tracklist.

Essa ocidentalização retorna com ainda mais força em Bedroom Warfare, a mais Pop de todas, que poderia facilmente ser interpretada por uma Koda Kumi ou Ayumi Hamasaki que ficaria bem mais interessante. Particularmente, a repetição de "Keep Your Enemies Close" acaba matando toda a seriedade dela, fazendo-a um pouquinho irritante.

A segunda exclusiva da versão de fora da Terra do Sol Nascente é Hard To Love, revelando uma proposta mais intimista, com uma levada baseada no Folk e até influências de Bossa Nova na maneira como o violão é tocado. Não é uma faixa ruim, mas acaba pecando pela falta de pulso.



American Girls é a última exclusiva da versão americana e, de fato, soa como algo que algum grupo estadunidense lançaria há alguns anos sem tirar nem por, ficando em casa na trilha sonora de um desses filmes pós-colegiais soft porns, tipo "Eurotrip" ou "American Pie". A letra é raivosinha e a melodia quando chegam os "I'm out of my head for you" é ridiculamente eficaz se o intuito for transportar o ouvinte para a década passada, algo que se repete mais pra frente em Start Again. Gosto bastante.

Infelizmente, as coisas voltam a decair em I Was King, uma power ballad que reprisa os aspectos negativos das bandas "emo" de anos atrás sem melhorá-los em nada. É tudo choroso demais, com um peso mal utilizado e todo um ar de constrangimento que, se já não me agradava quando eu era adolescente, agora, me causa uma certa irritação.



Mudando da água pro vinho, Listen se mostra um dos pontos altos do disco justamente por pegar os erros de "I Was King" e consertá-los. Sim, é outra power ballad emotiva e etc., mas a interpretação vocal mais descontraída e a montagem fora do óbvio, que permite várias explosões em momentos diferentes, funcionando como uma montanha-russa sonora, é bem mais divertida e interessante de escutar. Uma pena a participação da Avril Lavigne ser exclusiva ao release nipônico, pois a presença dela deixa o pacote final ainda melhor e mais nostálgico.

Eu talvez gostasse mais de One Way Ticket se não optassem pelo Tropical House como segmento, pois a faixa fica completamente aleatória quando escutada no álbum junto às outras. Porém, isoladamente, ela é bem legal, embora não fuja muito da fórmula pronta dessa modinha. Bem que poderiam tê-la produzido da mesma forma que Bon Voyage, que também é bem mais Pop que Rock, mas sem cair em tais maneirismos datados.

Encerrando, temos Take What You Want, que conta com a participação inútil (em termos sonoros) da boyband australiana 5 Seconds of Summer. É o tipo de canção que começa como uma baladinha e, aos poucos vai se tornando uptempo. Tal formato quase sempre me conquista e cai muito bem na ponta final de um LP.



Na versão exclusivamente japonesa do CD, temos além do já citado dueto com a Avril Lavigne em "Listen", mais três faixas. E enquanto Always Coming Back acaba não fazendo muita diferença, já que é apenas uma baladinha aguada, as outras bem que poderiam entrar na internacional como substitutas das mais fracas em inglês.

20/20 é bem boa, tipo, bem boa MESMO. Ela faz um paralelo com aquilo de a visão estar correta no oftalmologista (20/20, btw) com a compreensão de que a mina lá descrita na faixa é uma escrota. O refrão é ótimo e o instrumental mesclando Techno com Rock orgânico é delicioso demais.

Lost in Tonight é extremamente oitentista, besuntada com o conteúdo New Wave que imperava na época, com o teclado em bastante evidência. Uma pena não rolar um videoclipe disso, aposto que, caso seguissem as manias de tal período, ficaria espetacular.


Versão japonesa do "Ambitions"

Ao fim, o "Ambitions" é um álbum que mais acerta do que erra. É bem provável que a galera que não acompanhou a cena Pop/Rock radiofônica dos EUA na década passada acabe achando que as canções são todas parecidas demais e não note as referências. E claro, o fator nostalgia não existirá. Para quem pegou essa época, é um prato cheio. O público parece ter comprado a ideia, já que ele vendeu bem nessa primeira semana em ambos os países de maior enfoque.

Eu retiraria algumas músicas da tracklist, substituiria umas da versão americana por outras da japonesa e deixaria-o mais enxuto. Me pegou pela nostalgia e pelo biased na banda, o gosto final é da satisfação, mas como um trabalho fechado, acaba sendo inconstante.

Nota: 6,8

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