quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

ALBUM REVIEW | CLC - Crystyle (2017)


Eu poderia muito bem fazer um post apenas sobre o MV de "Hobgoblin", falar sobre a Cube ter transformado o CLC no novo 4MINUTE, sobre a HyunA estar supostamente envolvida nisso e sobre o quanto esse grupo era uma bosta horrível antes disso acontecer. Porém, o imediatismo da pauta se perdeu e todos os meus coleguinhas blogueiros-fundo-de-quintal já se adiantaram em tais comentários (aqui, aqui, aqui e aqui).

Felizmente, o EP por trás desse comeback acabou se mostrando ridiculamente mais interessante que o esperado e, olha que delícia, decidi preparar um reviewzão sobre ele aqui.

Sem mais delongas, confiram ai os meus pitacos sobre o delicioso Crystyle...


Eu particularmente gosto muito desse período de girlbands onde a empresa aceita que a imagem "menininha pura" acabou não dando muito certo e resolve mudar completamente o conceito por trás do grupo. E enquanto uma proposta mais sensual e apelativa acaba não sendo a mais coerente com a idade das integrantes do CLC, migrar para o espaço girlcrush deixado por suas irmãs mais velhas é, no mínimo, interessante - mesmo que, hoje em dia, isso acabe não rendendo tantos resultados financeiros.



Liar tão boa, mas TÃO BOA que, mesmo eu, um nerdão otaku que odeia sair de casa, tenho vontade de ir numa rave coloridamente enfumaçada, colocar uns troços debaixo da língua e curtir o batidão disso aqui de maneira apropriada.

O andamento meio reggae, mesmo sem o instrumental correspondente, sendo esse plano de fundo substituído por sintetizadores Trap beirando ao Dancehall durante os versos, mas que explodem em efeitos Techno futuristas, que parecem ter sido tirados de alguma civilização alienígena, ou mesmo do hecatômbico vídeo do Aruan cortando a placa de 100 mil inscritos, é muito, mas MUITO bom de tão viajado.



Hobgoblin foi a faixa escolhida como lead single e, embora não seja tão 10/10 quanto a anterior, sua seleção é facilmente compreensível. Ele segue a fórmula básica de um número girlcrush Urban, com um uso massivo de sintetizadores, espaço para um pré-refrão mais melódico e um refrão incessantemente repetitivo, de forma que as palavras grudem e toda a canção se instale no cérebro de maneira definitiva. Comigo, funcionou.

É claro que as comparações com "Crazy", do 4MINUTE, são válidas, sendo ainda mais reforçadas com algumas das gatas esganiçando a voz de maneira que pareçam um clone da HyunA. Porém, não é como se o K-Pop fosse conhecido pela originalidade, não?

As inserções mais funkeadas em Mistake tornam-a a mais elegante e classuda do álbum. Os "oh my, my mistake" são sutilmente grudentos e todo o resultado final, com os riscos de disco e demais ícones sonoros, soa como um Hip Hop feminino dos anos 90, referência mais que perfeita para ser seguida por um grupo do tipo.



Meow Meow retorna ao Dancehall e, mesmo eu estando um tiquinho enjoado do estilo, tamanho o spam que rolou com ele na Coreia do Sul ano passado, não posso não dizer que amei isso aqui. O fator rebolativo é forte e ela seguir numa continuidade de andamento e tempo durante toda a execução a torna viciante. E óbvio que elas ganharam vários e vários pontos positivos por ficarem miando durante o refrão.

E se em "Liar" a influência no reggae estava apenas no andamento, em I Mean That, ela aparece também no instrumental. E o mais divertido disso tudo é que ele se mantém bastante minimalista para o que esperamos de uma gravação vinda de um grupo coreano. Dá para curtir cada micro detalhe da faixa, que reflete bem o clima good vibe que uma gravação do tipo busca em seu âmago.

Cinco faixas passadas e nenhuma abaixo da média. Então, é hora da ballad xaropenta que fecha mini-álbuns no K-Pop, certo? Bom, certo em partes. Depression é sim uma baladinha bolada para fechar o EP. Só que ela está longe de soar como um sonífero entediante. Pelo contrário. O instrumental mais orquestrado é eficaz quando somado com a interpretação vocal nada exagerada das meninas. A métrica é boa e agrada aos ouvidos. Talvez não funcione quando escutada isolada, mas no fim de um trabalho tão bom quanto o feito aqui, acaba encerrando com chave de ouro.


O gosto final que fica não poderia ser melhor.

É basicamente um mini-álbum do 4MINUTE cantado pelo CLC. A evidência é tão alta e tão física que, como eu disse lá em cima, algumas das meninas até passaram a forçar a voz de maneira anasalada para soar como a HyunA. E porra, isso funcionou bastante. Funcionou pois as músicas são boas, pois o apelo visual ficou bacana e todo o pacote final ficou extremamente divertido. Sim, meus caros, diversão, não se levar a sério, coisas que estão em falta no K-Pop.

Curti demais.

Nota: 7,0

- x -

VENENO PONTUAL

É bizarramente interessante e divertido notar como a história é cíclica dentro do cenário Pop sul coreano, né? Há alguns anos, tínhamos como dois maiores nomes do girlcrush/candy funky style o 4MINUTE e o 2NE1, vindas da Cube e da YG Entertainment. Entretanto, apenas o primeiro grupo conseguia soltar músicas boas acompanhadas de tal atitude e apelo visual, restando ao segundo chamar atenção apenas por ser de uma empresa grande e, na real, não acertar quase nunca em seus lançamentos. Hoje, isso se repete através do CLC e do BLACKPINK. Esse último, que até agora não soltou uma única canção que verdadeiramente valesse o hype. Triste.

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