quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

ALBUM REVIEW | AOA - Angel's Knock (2017)


Eita que finalmente estamos em 2017! E, vejam só que inusitado, um belo punhado de bons lançamentos vem ocorrendo nesses primeiros dias do ano. Claro que, para abrir os trabalhos aqui do blog nessa nova fase, eu obviamente teria que resenhar o primeiro álbum coreano do AOA.

Sim, aquelas meninas que, antes, eram apenas levadas como uma boa piada no meio capopeiro finalmente escreveram seus nomes no panteão "sério" da indústria e lançaram seu primeiro LP completo na Coréia do Sul. Será que todo o tempo de espera valeu?

Sem mais narizes de cera, confiram ai os meus pitacos sobre o Angel's Knock...


Apenas dando uma explicada sobre o que disse de elas serem uma boa piada no meio capopeiro, há alguns anos, o AOA debutou como uma banda, que tocava instrumentos e tinha até uma menina exclusivamente para tocar bateria em seu lineup. O flop foi tanto que a FNC resolveu mudar completamente a imagem do grupo, apostando em algo mais sensual (ou apelativo, depende do ponto de vista), trabalhando com o produtor Brave Brothers em canções extremamente chicletes, com sei lá quantos vícios que deixaram-nas conhecidas, como a Jimin iniciando as faixas com introduções em inglês engraçadíssimas, mandando vários "hey" ao longo delas e, claro, videoclipes apostando em diferentes fetiches malucos.

O sucesso veio. Porém, a partir do primeiro release inédito delas no Japão, "Oh Boy", as angels deixaram de trabalhar com o brave sound drop it e, de certa forma, amadureceram seu som, resultando no espetacular EP Good Luck e no também incrível segundo álbum nipônico delas, Runway.

Nesse meio tempo, a girlband foi do ápice ao chão por conta de um patético escândalo envolvendo não conhecer uma figura histórica sul coreana. É claro que a parte hipócrita do público - que provavelmente também não conhecia o tal militar - usou isso como desculpa para despejar seu ódio machista em cima do AOA, um dos poucos grupos a ainda apostar num conceito mais sensual e empoderador em uma cena musical onde há um culto pelo white aegyo pedófilo.

O "Angel's Knock" mostra dois lados do AOA. Em uma frente, temos elas ousando e mostrando o quanto evoluíram musicalmente do final de 2014 para cá, brincando com sonoridades e texturas em instrumentais. De outro, temos elas revivendo os tempos áureos ao lado do produtor que as colocou no radar mundial. Porém, talvez essa dissonância seja o maior problema do álbum como um produto completo.



Excuse Me deve ser uma das melhores coisas já feitas pelo grupo em termos sonoros, dando mais um passo em direção ao amadurecimento "fora do K-Pop" anteriormente apresentado em canções como "10 Seconds", "Good Luck" e "Ok!". Há algo na continuidade da melodia que a torna viciante, mesmo que toda ela seja ligeiramente simples, tendo na bateria eletrônica seu fio condutor com mais alguns elementos que vão somando-se a ela, como sintetizadores, acordes de ukulele e um pianinho frenético. Acrescente ainda um refrão repetitivamente grudento, com os "excuse me, cuse me" propositalmente soando como "kiss me, kiss me" e pronto, temos um jam instantâneo.

Aproveitando o espaço para comentar o videoclipe, temos a fórmula AOA de MVs levada ao ápice, com elas encarnando a fantasia de detetives retrôs gostosas com um sucesso estético que Selena Gomez alguma conseguiria. A dancinha delas no refrão rodando e rebolando a bunda não será superada ao longo desse ano.



E então, Bing Bing traz o AOA fazendo, basicamente, aquilo que lhes rendeu sucesso. Um midtempo com o instrumental organicão caprichado, recheado de cornetas, guitarras e toda uma pegada mais jazzística, mas ainda assim Pop e "rampeira". A Jimin aqui meio que serve de host para a música toda, começando-a subliminarmente com um "Hey, eu sei o que vocês querem!" e voltando O TEMPO TODO com seus "Hey!", gemidos e sei lá quantas outras frases enquanto as outras cantam. Mais uma boa música.



A veia no Jazz se mantém em seguida com Three Out, que adiciona também elementos de Doo Woop que deixam-a com cara daqueles Pop/Rock dos anos 50. Particularmente, não gostei do tanto de variações de tempo e ritmos nela. Mesmo que o resultado final seja, creio eu, atribuir uma "cara Broadway", o resultado final soa como uma versão menos estridente de Cheer Up, o Twice.

O bom nível retorna em Feeling, cujo uso de sintetizadores 8-bits remetem bastante ao New Romantics, algo que elas já haviam feito com primor antes em "Ok!" e continuou funcionando aqui. Uma pena essa influência não ter aparecido em mais faixas, pois esse seria um bom caminho para o grupo seguir como assinatura sonora.

Em seguida, temos a resposta para uma das maiores dúvidas do ano passado. Muita gente ficou se perguntando como seria se o AOA tivesse gravado High Heels em vez do Brave Girls. Bom, é exatamente isso ai o que vemos em Can't Sleep. A única diferença é que em vez de toda ela se manter num instrumental orgânico como na original, aqui, durante o refrão, ela viaja um pouco em sintetizadores Dance.

Uma pena que Lily não se diferencie nem um pouco de tantas outras baladinhas comumente presentes em álbuns e EPs de girlgroups, pois uma carregada maior da guitarra a destacaria bastante do bando, visto sua levada remeter àquelas canções ula havaianas. Do jeito que está, o resultado é bem qualquer coisa e esquecível. Aah, e um tal de Ro Woon, do SF9, fica harmonizando com elas em alguns versos, não que faça muita diferença.

O pacotão genérico continua em Melting Love e With Elvis. A primeira, uma album track que fede a album track, onde a única coisa razoavelmente memorável é o modo como a bateria dá algumas interrompidas no refrão. Já a seguinte, é só uma balada bobinha em que a melodia desaparece da cabeça segundos após ser escutada.

Help Me é apenas a versão coreana da apocalíptica Give Me The Love, melhor J-Pop do ano passado. Infelizmente, ela perde parte do charme trash ao não ter o vocal dividido com algum velho de voz rouca. Bem que poderiam ter substituído o T.M. Revolution aqui pelo JYP, ou pelo Psy, sei lá. Assim, ficou só muito boa, mas poderia ser TÃO melhor, poxa. =/

Oh Boy não mudou muito não, continua sendo um popão gostoso de escutar, com um refrão viciante. O momento de rap da Jimin me causou estranheza no início, mas já acostumei e estou executando a coreografia da gravata como antes.



No fim, o "Angel's Knock" é legal, mas só isso mesmo. Não é ruim, mas não é impactante e nem tão bom quanto o "Runway". Não é o tipo de coisa que marcará a carreira do AOA e nem será lembrado como um trabalho acima da média e diferente, com uma assinatura musical marcante, tipo o "Reboot", do Wonder Girls, o "The Red", do Red Velvet ou os "4 Walls" e "Red Light", do F(x). Não há nenhuma música ruim, mas são poucas as que acabam tornando-se memoráveis.

Eu não tenho a mais remota ideia se o hate gratuito em cima do AOA na Coréia do Sul irá passar algum dia - e parece que não -, mas não sei se eu me importaria tanto caso o foco principal delas a partir de agora fosse o público japonês. Pra mim, é só comparar o mais recente álbum delas lá com esse e perceber que a diferença é gritante.

Nota 6,0

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