domingo, 18 de dezembro de 2016

Um apanhado geral sobre o Loona, o projeto, as músicas e a ousadia por trás disso


O mercado fonográfico Pop sul coreano é extremamente divertido de acompanhar. Julgo ele como bem mais interessante que o norte americano, por exemplo. Eu totalmente adoro o fato de tratarem essa indústria lá como um negócio, sem a hipocrisia ocidental de disfarçar a vontade de vender e lucrar como "arte". Gosto tanto que tenho esse blog onde falo besteiras sobre os lançamentos e dá e, pasmem, estou escrevendo um TCC para defender na minha faculdade de Jornalismo usando esse nicho como exemplo para meu estudo.

Porém, para quem já é macaco velho nesse mundo K-Popper, algumas coisas da forma como os atos de lá são geridos acabam se tornando habituais. Por exemplo, todos vocês que estão lendo isso aqui já devem saber que as empresas de lá, com auxílio do governo, contratam adolescentes, treinam eles durante anos até que, quando julgam melhor, debutam-os em grupos ou como solistas, enxergando onde melhor eles podem ser encaixados no cenário - tipo o BLACKPINK não estreando com 9 e sim com 4 garotas, pois a YG identificou uma saturação de girlbands infladas.

Então, é muito bom quando projetos que fogem do "habitual" surgem, caso do Loona...


O Loona é uma girl band agenciada pela BlockBerryCreative, uma subsidiária da Polaris (gravadora do Ladies' Code), que conta com 12 integrantes. Até ai, nada demais. Porém, a grande jogada disso tudo é que cada uma das meninas será apresentada mensalmente com faixas de videoclipes solos + um single com as previamente reveladas, com o debut do grupo completo apenas no final do ano que vem. O nome do grupo, em coreano, significa "garota do mês". Genial, não?

Entretanto, nada disso valeria a pena se cada uma das faixas (23, no total) não prestasse, certo? Bom, até agora, já saíram 5: sendo 3 solos e 2 em conjunto.

O primeiro deles, ViVid, apresentando a HeeJin, mostrou-se uma das coisas mais interessantes desse ano. A menina tem um timbre vocal bastante agradável e que combina bastante com esse tipo de arranjo jazzístico - nota-se pelas semitonadas propositais que ela dá em todos os "Oh my god, yes! Say: Oh my godness!".

O MV, que creio ter sido bolado pelo VM Project Architecture, mesmos caras que cuidaram da discografia do Red Velvet ano passado, é lindíssimo, cheio de jogadas interessantes de câmera e ícones pescáveis na tela.


A versão acústica também funciona bem justamente por a interpretação ter o mesmo punch da original (até porque, só pegaram a voz já gravada dela e trocaram o instrumental original pelo violão). O vídeo promocional filmado em Paris mostra que a HeeJin consegue ficar bem a vontade na frente das câmeras.

Não há do que reclamar.


Infelizmente, a pior música dessa leva veio já com a apresentação da segunda integrante, a HyunJin.

Around You é uma baladinha Pop com uns indícios de R&B aqui e ali, mas que acaba não decolando em momento nenhum. Gosto da maneira como ela coloca ar nas notas e, ao que parece, seu alcance vocal é bom. Uma pena a canção ser tão básica. Pelo menos, o comeback foi salvo logo em seguida com a junção das duas gatinhas reveladas...


I'll Be There é muito divertida, caras.

Gosto de terem resgatado o New Jack Swing noventista aqui e feito isso de uma forma tão gostosa. A melodia é muito boa, o refrão é super pegajoso, o clipe tá legal, as duas cantam muito bem e tem bastante carisma. Só os fãs de Glee vão entender a referência, mas é como se, vocalmente, a HyuJin fosse a Rachel e a HeeJin fosse a Santana.

Eu não vou me opor se a sonoridade assinatura do grupo completo ser essa ai não - embora eu tenha quase certeza de que vão apelar pro white aegyo, blergh.


O segundo retorno do grupo, apresentando a HaSeul, meio que concerta o erro do anterior, já que Let Me In é uma balada MUITO boa.

Toda ela ser montada a partir de um arranjo musical mais classudo dá ao release toda uma cara etérea que deixa-o parecidíssimo com o tipo de canção que a Disney coloca como tema de seus filmes de princesa, com a protagonista sofredora tentando livrar-se de seus problemas através de uma performance ultra dramática. Isso tudo com o plus de o refrão ser, basicamente, um break de tango.

O videoclipe também é espetacular e ajuda ainda mais nessa associação com obras cinematográficas. Pra mim, 10/10. Estou até em um dilema entre essa e "ViViD" aqui na minha cabeça sobre qual faixa do grupo colocar em meu top 40 de melhores capopes desse ano, ou até se chuto o GFriend alguém da lista para colocar as duas.


Já o comeback em conjunto, com o agora trio, é uma canção natalina bonitinha. The Carol não foge em nada do esperado para esse tipo de produção comemorativa, soando vibrante e adquirindo uma série de elementos que nos remetem à data na backtrack, como sinos, notas mais agudas ao piano e pratos de bateria tremendo.

Eu curti.

E eu curti a proposta como um todo. O fato de a gravadora ser nova e o grupo ser um projeto experimental permite que eles ousem mais, tanto na maneira de fazer os videoclipes quanto na escolha de estilos para seguir nas faixas. Quer dizer, que outras girlbands lançaram algo como "I'll Be There" em 2016? Com a IU atuando num dorama, que outra cantora além da Gain apostou no Jazz como em "ViViD"? E uma ballad tão imaginativa quanto "Let Me In", vocês se lembram de algo parecido?

Eu totalmente não sei o que virá daqui pra frente com as próximas garotas do mês e também não tenho a mais remota ideia sobre qual será a aposta sonora do grupo completo, mas o hype em mim já está criado e, provavelmente, acompanharei isso até o final. Ou melhor, até o começo, já que tudo isso é um grande - e ousado - pré-debut.


HEAUHAEUHAEUAHEUAEHUAHA com uma cantora chamada Loona arrasando no YouTube com uma série de faixas sacanas e videoclipes com ela de biquíni nas thumbnails. Sempre que pesquiso pelo grupo na plataforma acabo escutando algo dela.

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