quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

TOP 40 | As melhores faixas do J-Pop em 2016 (10ª até 01ª)


2016 já está de malas prontas para, enfim, partir. Nesse ano, musicalmente, tivemos lançamentos inesperados, fins de eras, retornos quase lendários e ausências muito sentidas. O idol Pop cantado por dezenas de garotas começa a dar sinais (mesmo que modestos) de saturação e uma nova cena formada por bandas cada vez mais abriu espaço no imaginário do público japonês médio. O arquétipo da "diva Pop" voltou a respirar e a onda hallyu quase desapareceu.

No mais, foram dezenas e dezenas de canções memoráveis lançadas no J-Pop durantes os últimos doze meses. Da semana passada pra cá, revelei 30 das que mais escutei e, abaixo, estão as minhas 10 favoritas...

10) NMB48 - AMAGAMI HIME


Eu tenho bastante implicância com os grupos idol 48. Nem tanto pela estética kawaii exagerada, beirando ao infantil, que insistem em aplicar a eles, mas sim por essa aura infantilóide acompanhar sonoramente praticamente tudo o que essas meninas lançam. Ironicamente, em 2016 isso começou a mudar, pelo menos um pouco. Não, não estou falando do AKB48, que continua desovando várias bostas no mercado fonográfico, mas justamente de seus grupos "irmãos", que resolveram amadurecer e se destacar da manada por isso. Enquanto as SNH48 lançaram o melhor Dancehall de 2016 lá na China, no Japão, as NMB48 injetaram um pouco mais de Rock'n'Roll em seu som, soltando a excelente "Amagami Hime". Uou, que troço legal. Todo o instrumental disso remete ao Pop/Rock que era muito utilizado antigamente em trilhas sonoras de animes, mesclando a sonoridade radiofônica ocidental dos anos 80 com instrumentos tradicionais nipônicos de maneira muito bem feita. Eu quase posso imaginar algum sideboot de Sailor Moon iniciando ao som disso, com a protagonista se transformando em magical girl através de uma caneta ou sei lá o que. O videoclipe com elas "doentes", precisando se alimentar uma das outras, é um ótimo acompanhamento visual. Continuem assim, meninas...


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09) BED IN - GOLDEN PLEASURE


E se a faixa a cima ganhou muitos pontos de nostalgia comigo por emular a sonoridade das OSTs de Shoujos do passado, "Gold" ganha ainda mais por retomar o estilo roqueiro hair afetado daquilo que era produzido para animes Shonen. É muito virtuosismo para uma música só. Do instrumental carregadíssimo, com guitarras solando em momentos aleatórios, sei lá quantos teclados reverberados num tempo enorme a bateria num peso hediondo, até a empostação exagerada na interpretação vocal das duas, o Bed In conseguiu retratar fielmente o "desespero" trash podre do que era feito musicalmente no período dos anos 80/90 no Japão. O videoclipe tem erotismo gratuito, roupas coladas de cores duvidosamente berrantes, cenas completamente aleatórias, expressões faciais que deixariam a Maroca do BBB com inveja e todo um espírito sátiro que é muito bem vindo. O interessante disso tudo é que eu demorei para levar o grupo a sério. Que bom que mudei de ideia, afinal, é para esse tipo de coisa no-sense que eu acompanho o J-Pop e não as bobagens que surgem no hot 100 da Billboard...


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08) AYUMI HAMASAKI - FLOWER


Demorou bastante, mas finalmente a Ayu conseguiu voltar a lançar música boa e justificar a fama mundial de diva do J-Pop. A melhor coisa de seu álbum mais recente, o "Made In Japan", é justamente a faixa utilizada para sua promoção, "Flower". A utilização de instrumentos tradicionais nipônicos deu à canção todo um ar melancolicamente folclórico, como se fosse ela um tipo de trilha cantada por uma yo-kai em alguma lenda oriental. Além disso, a parte "ocidental" na backtrack é muito bem montada, tocada, com o peso ideal para torná-la séria, provocativa e viciante, remetendo inclusive a outros trabalhos da Ayumi nos anos 2000, quando essa sonoridade mais agressiva era a sua assinatura. Sério, esse solo de guitarra é capaz de converter qualquer um à j-music. Uma pena o álbum não ter vendido o esperado, sendo isso um provável reflexo dos lançamentos anteriores terríveis pós "Rock'n'Roll Circus". Pelo menos, rolou uma tour bacana de assistir e fica aqui a torcida para que essa nova-velha-Ayu permaneça assim por mais uns bons anos...

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07) WEDNESDAY CAMPANELLA - ALADDIN


É tão bom constatar que o Wednesday Campanella fechou mais um ano em saldo positivo quando o assunto é qualidade em sua música e proposta artística. Um álbum legal com lead singles fortes e tracks tão boas (ou melhores) quanto, CFs, singles digitais e físicos muito bem feitos e de nível altíssimo, além de b-sides super aproveitáveis. O que mais curti deles nesse mar de sucesso, estranhamente, foi "Aladdin". Falo que é estranho por isso ter sido lançado há, tipo, dois meses e eu já ter uma ligação tão forte com a faixa, algo que costuma demorar comigo. Na primeira vez que a escutei, já sabia que ela ficaria rankeada bem alto nessa lista e acabaria tomando o lugar de "Phoenix" no top 10. Bem, isso aconteceu. E nem é pra menos, já que o início com o teclado mais pesado remetendo ao synthpop dos anos 80 (Michael Jackson, numa comparação mais inusitada) é bem marcante e acaba servindo de pano de fundo para os demais sintetizadores que surgem, dando um ar bem mais viajado e cintilante à produção final. É meio estranho numa primeira ouvida, mas alucinantemente viciante depois disso, ainda mais com o a KOM_I dançando toda esquizofrênica no videoclipe. É tudinho o que eu espero sonoramente do grupo - e de releases Pop japoneses num geral...


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06) AIMER - NINELIE


2016 acabou não sendo um ano tão frutífero quando o assunto são animesongs. Mesmo com várias e várias animações excelentes sendo soltas esse ano, foram poucas as OSTs que realmente me cativaram, me fizeram ir atrás dos artistas e consumir seus trabalhos. Uma das quatro que atingiram em cheio nos últimos meses foi "Knife of Day", da banda fictícia do Matt em "Digimon Adventure Tri", outra foi "History Maker", tema de "Yuri!!! On Ice", que já deram as caras nas partes anteriores desse top. A segunda melhor faixa vinda de um desenho japa foi "Ninelie", meu primeiro contato com a Aimer no encerramento de "Koutetsujou no Kabaneri". Essa é uma balada intensa, emotiva e totalmente construída de forma a nos levar para um estado depreciativo conforme os versos são entoados num instrumental mais contido durante sua primeira parte, até que tudo comece a explodir depois do primeiro refrão, nos aquecendo e trazendo esperança. O final com os "don't be afraid, daydream has come" é quase celestial de tão arrepiante e toda a experiência é como uma montanha-russa de emoções. Tamanha riqueza lírica se dá não só pela interpretação congelante da Aimer, mas também pela produção do Hiroyuki Sawano, cara responsável pelas trilhas sonoras grandiosas de "Attack on Titan", "Ao No Exorcist", "Kill la Kill", "Gundam" e "The Seven Deadly Sins". Aah, quase ia esquecendo, a melhor faixa vinda de um anime esse ano está lá no pódio...


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05) FEMM - COUNTDOWN


UM, DOIS, TRÊS, QUATRO, CINCO, SEIS, SETE, OITO! Amei tweerkar com o Twisty em "PoW!", adorei bater o cabelo ao redor da luz em "Neon Light" e me viciei na letra onírica de "L.C.S", mas o meu troço favorito vindo do FEMM esse ano foi "Countdown". Esse mote do grupo de refazer as sonoridades norte americanas que faziam sucesso no Pop dos anos 2000, em full engrish, fingindo ser manequins em clipes satânicos se tornou uma fórmula mais que certeira, pois as opções de exploração são gigantescas e sempre terão aquele apelo ruim/bom para os que vivenciaram essa época (oie). No caso de "Countdown", temos o Electro/R&B transante a la Future/Sex Love/Songs que comumente era produzido pelo Timbaland antigamente e ajudou a hitar nomes como Justin Timberlake, Ciara, Fergie e tantos outros. A letra disso é uma bobagem sexual maravilhosa, com elas explicando passos para o cara sobre o que ele deve fazer para conquistar uma noite de amor com elas, incluindo nisso sei lá quantas referências 2000s. Tudo isso pode parecer uma idiotice desmedida (a carreira do FEMM como um todo, num caso), mas o que fazer se dai saem boas faixas Pop, que divertem e anseiam para ser repetidas incansavelmente?


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04) PERFUME - COSMIC EXPLORER


Eu falei algumas vezes ao longo desse top 40 sobre faixas de 2016 que são excelentes, mas foram muito mal aproveitadas por seus artistas. Teve a JY soltando um clipe de bastidores para "I'm Just Not Into You", a Nicole e o REOL deixando "Lunar" e "Lunatic" apenas como album tracks e o Wednesday Campanella fazendo o mesmo com "Phoenix". Porém, nenhum desses erros se compara ao do Perfume ao completamente ignorar a existência de "Cosmic Explorer", mesmo sendo ela a que dá título ao álbum que o grupo lançou no início do ano. Caraca, eu mal posso imaginar as milhões de possibilidades exploráveis na mão de um bom diretor que um videoclipe disso poderia render. Imagina o quão lindas seriam as três em trajes espaciais desbravando o universo. Ainda assim, "Cosmic Explorer" segue sendo uma das melhores músicas desse ano na minha cabeça. O Nakata conseguiu transpor sonoramente todos os signos que nos remetem à Trash Space Movies, com os sintetizadores indo num crescendo lindíssimo até o refrão esmagador de almas. O uso das percussões aqui é perfeito, assim como a escolha de inserções eletrônicas e harmonias do trio. Uma das canções mais emocionantes da discografia do Perfume e do meu ano como um todo...


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03) TK FROM LING TOSITE SIGURE - SIGNAL


Lembram aquilo que falei no parágrafo da Aimer sobre a faixa dela ser uma montanha-russa de emoções? Pois bem, multipliquem isso por noventa e um dias e, então, vocês entenderão o quão intensa "Signal" pode ser. Toda ela soa como uma cântico apocalíptico, com um instrumental capaz de levar ao êxtase conforme são tocados os compassos, batendo na cabeça como se fosse uma marreta gigante, mas, logo em seguida, curando como se fosse um anjo da guarda a postos. Uou, que poético, não? Mas é bem essa a sensação mesmo. O Toru Kitajima deve ser uma das figuras mais importantes dessa revitalização que a cena do J-Rock vem sofrendo ao longo dos últimos anos, produzindo para um monte de gente. Porém, esperto, ele guarda as melhores coisas para si. Porra, o desgraçado enfiou um solo de guitarra virtuoso pra caralho logo depois do primeiro refrão e, depois do segundo, colocou outro ainda mais agressivo, além de todo o auxílio de um grupo de cordas e, claro, de seu timbre único e iconicamente desconfortável de escutar. Para mim, a melhor faixa masculina, a melhor faixa solo e a melhor animesong de 2016...


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02) UTADA HIKARU & SHEENA RINGO - NIJIKAN DAKE NO VACANCE


A Utada Hikaru deu um tempo de 6 anos em sua carreira para cuidar de uma série de atribulações pessoais. Nesse meio tempo, ela precisou lidar com um casamento, o nascimento de sua primeira filha e o suicídio de sua mãe. O que poderia ser um fim de carreira justificável, na verdade, se transformou num surto de criatividade louvável, convertendo os diversos sentimentos que passaram em sua cabeça num álbum quase que inteiramente composto e produzido por ela, o "Fantôme". Dentre todas as suas lindíssimas e perfeitas faixas, a que mais mexeu comigo foi "Nijikan Dake No Vacance". Convidar a Sheena Ringo para um dueto e não permitir que os elementos habituais das produções dela, como Jazz, Bossa Nova ou Rock imperem, no começo, me soou como um desperdício e tanto. Só que a surpresa está, vejam só, no resultado final ser justamente algo que não tem absolutamente nada a ver com isso. "Uma Folga de Duas Horas" é liricamente e melodicamente agradável, sendo sumariamente Pop, mas com uma montagem que permite-a dar a oportunidade de apreciar cada mínimo ícone sonoro dentro dela. O final orquestrado deve ser o mais bem trabalhado do LP. A voz da Sheena, uma das mais facilmente identificáveis da asian music, torna tudo único, individual. E claro que tudo ser sobre elas serem amantes que não podem se permitir curtir mais tempo que o previamente combinado, pois tem vidas para cuidar dentro do armário, torna tudo mais delicioso. Eu realmente amei isso aqui, sério. Uma pena eu ser naturalmente tão farofeiro, ou isso estaria no topo da lista. Como não está, fica ai um prêmio simbólico como melhor J-Pop feito apenas por japoneses em 2016...

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01) AOA & T.M. REVOLUTION - GIVE ME THE LOVE


Isso porque, na real, o J-Pop do ano foi lançado por uma girlband coreana em parceria com um cantor japonês de meia idade. O 2016 do AOA, musicalmente, não poderia ter sido melhor. O melhor EP coreano da carreira delas, vários singles japas bons e, pra melhorar, um segundo full album na Terra do Sol Nascente redondíssimo, com boas adaptações para a língua da ilha vizinha e tracks inéditas bastante acima da média (nem sei como também não coloquei "Ok!" nesse top, mas enfim). Em tudo isso, "Give Me The Love" conseguiu se sobressair como a melhor faixa da carreira do grupo. A soma de Surf/Rock com os sintetizadores New Age totalmente colou no pacote final, que tem ainda uma letra divertidíssima de acompanhar, bastante punch da interpretação vocal das angels, o acréscimo de sei lá quantos ícones na backtrack, como palmas, assobios, pneus de carro no asfalto, os "Hey!" memetizáveis do grupo e a lista segue. E é óbvio que a participação do embasbacavelmente plastificado T.M. Revolution torna tudo ainda mais espetacular, com seu timbre rouco e envelhecido servindo de contraponto para as vozes de menininhas do elenco de apoio, de gripe da Jimin e pro vibrato mais gospel da ChoA. Eu, particularmente, não conseguiria fazer um top mesclando J-Pop com K-Pop, pois são coisas que abrem chaves distintas na minha cabeça. Os coreanos são como uma franquia de fast food, com músicas milimetricamente preparadas para seguirem a onda Pop e serem aceitas por diferentes públicos. Já os japas, fazem algo mais orgânico, de nicho. Com "Give Me The Love", é como se o AOA tivesse conseguido acertar sua fórmula de produção em massa para que o gosto final fosse como o de um prato feito em casa. É J-Pop e K-Pop ao mesmo tempo. E isso, meus caros, é algo a se aplaudir...


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2014 ~ 2015

[40-26] [25-11]

E é só isso ai de J-Pop desse ano, meus queridos. Sei que os jotapopeiros mais conservadores irão me odiar por colocar o feat. de um grupo coreano no topo de uma lista, ainda mais em um ano com a Utada Hikaru lançando álbum, mas optei por seguir meu gosto, o que me divertiu ao longo dos meses e, de alguma forma, me marcou em 2016.

Se vocês também curtem K-Pop, amanhã soltarei a lista com as 10 melhores faixas lançadas lá na Coréia do Sul. Se estão aqui apenas pela galera do sushi, um feliz ano novo. E, claro, voltem em 2017, pois teremos várias novidades vindo por ai, incluindo relembrar alguns álbuns, animesongs e singles que foram sucesso dos anos 80 pra cá e muito mais.

Aah, digam ai nos comentários se vocês concordam com a lista, discordam, quais foram as suas favoritas do ano e tudo mais... =)

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