quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

MOVIE REVIEW | Sing - Quem Canta Seus Males Espanta


E ai que último filme importante desse ano já está nos cinemas e, vejam só que loucura, eu fui assistir no dia da estréia e já até preparei um reviewzão gostoso como se esse blog estivesse em seus tempos áureos e eu o dedicasse única e exclusivamente a cobrir o mercado de animações mundial. *o*

Enfim, Sing - Quem Canta Seus Males Espanta deve ter sido o troço que mais esperei para assistir esse ano, muito por sua premissa e pelo tom propositalmente tosco que seu roteiro aparentava ter nos vários teasers, trailers e materiais soltos ao longo desse ano para sua divulgação. Será que as minhas expectativas foram cumpridas? Confiram ai os meus dois centavos sobre o longa...



O meu amor por "Sing" foi a primeira vista. Em um ano onde praticamente todos os estúdios apostaram em longa-metragens animados com animais antropomórficos ("Zootopia", "Angry Birds", "Cegonhas", "Pets", "Procurando Dory"), a nova produção da Illumination Entertainment conseguiu pescar a minha atenção positivamente ao explorar no roteiro algo que, surpreendentemente, ninguém havia pensado antes para essa fatia cinematográfica: reality shows musicais - embora não seja bem um programa, mas me aprofundarei nisso mais pra frente.

Ou seja, não teríamos apenas um filme de animais humanizados vivendo suas vidas, mas sim um filme com animais humanizados onde o contexto fosse bem maior que eles. E, claro, nisso ai, ganharíamos várias performances musicais divertidas de assistir e escutar. Logo, win/win.


Na estória, o amante de musicais Buster Moon (Matthew McConaughey) é um coala que comanda um grande - e antigo - teatro em sua cidade, muito conhecido por sediar imensas e famosíssimas produções, mas que hoje está entrando em falência. Porém, muitos desses problemas foram, justamente, causados por Buster, que não demonstrou tanto talento assim ao gerenciar o local ao longo dos anos.

Vendo que está no fundo do poço, o coala decide então apostar em mais um espetáculo, só que num formato diferente: uma competição musical. Nos moldes de reality shows televisivos, ela teria etapas de audição, treinamento e toda a pompa necessária nesses festivais. No entanto, por um acaso (hilário) do destino, o concurso acaba tomando proporções gigantescas e previamente inimagináveis, resultando em mais e mais problemas que ele terá que lidar enquanto ocorre tudo isso.

Nisso, cinco competidores de peso surgem, todos eles representando arquétipos comuns desse tipo de show: o rato Mike (Seth MacFarlane), um bon vivant que se acha muito melhor que todos os outros competidores por ter formação em Jazz num conservatório musical; a porca Rosita (Reese Witherspoon), rerpresentando o esteriótipo das donas de casa insatisfeitas com o rumo que suas vidas tomaram no período adulto, desvalorizada em casa e extremamente ocupada com seus VINTE E CINCO filhotes; o gorila Johnny (Taron Egerton), que vê na competição uma oportunidade de se esquivar do caminho da bandidagem a qual é condicionado diariamente; a porco-espinho Ash (Scarlett Johansson), no papel das adolescentes que não são levadas a sério, com produtores que sempre tentam colocá-las em caixinhas Pop; e por último, mas não menos importante, a elefoa Meena (Tori Kelly, mas dublada aqui no Brasil pela Sandy), tímida, com um enorme pânico do palco, mas talento de sobra.



E o filme é não menos que ótimo. Fica nítido que o tom dele é de entretenimento, que foi feito para divertir, arrancar rizadas e, por que não, algumas lágrimas de emoção com o modo como os personagens são desenvolvidos. Todos eles tem tramas próprias que valem a atenção, sendo abordadas com uma profundidade bastante coerente. A gente consegue entender as dores de cada envolvido no concurso e o quanto aquilo será importante para suas vidas. O roteiro é muito redondo nesse quesito.

Outra coisa que me agradou bastante foi a semiótica adotada na hora da escolha de músicas. Me permitirei soltar alguns spoilers apenas para explicar isso. Logo na sequência inicial, a Rosita canta a bonitinha "Firework", da Katy Perry, que serve de pano de fundo excelente para a melancolia que ela sente na vida que está levando, resumível bem àquela cena dela cuidando de seus filhos, da casa e sendo ignorada pelo marido. Ela se sente como "uma sacola plástica usada" como se "gritasse do fundo da terra, mas ninguém escutasse", mas sabe que tem "uma faísca pronta para ser acesa dentro dela", que ela deve "explodir como fogos de artifício".



Outro momento metalinguístico espetacular é quando a porco-espinho Ash encontra seu namorado cantando "Love Interruption", do Jack White, em casa com outra garota. Ela chega exatamente no momento em que eles entoam o verso "Eu quero que o amor transforme os meus amigos em inimigos e me mostre como é tudo culpa minha". Na história, Ash tem uma banda de Punk-Rock com seu namorado, que é um compositor pedante e se recusa a deixar que ela cante mais que o backing vocal em suas faixas. Os dois fazem a audição para o concurso como um duo, mas apenas ela passa. Nisso, ele a acusa de estar se vendendo para a mídia e a desvaloriza de muitas formas. A Ash ter entrado naquele momento, com aquelas frases sendo cantadas por ele, cria toda uma narrativa ainda maior na cabeça dela, por seu amor pela música estar destruindo seu relacionamento e etc., send crucial para o desenvolvimento dela como personagem a partir dali.



O único problema mesmo que enxerguei no filme talvez nem tenha nada a ver com seus criadores. Acho legal que optaram por não traduzir na dublagem as músicas cantadas nele na maioria dos momentos, mas me incomodou a falta de legendas para ilustrar o significado das canções. Eu entendo inglês e já sabia mais ou menos tudo o que estava sendo cantado ali, mas e a criançada (público alvo principal do longa) que não sabe, como fica?


No mais, "Sing - Quem Canta Seus Males Espanta" é um filme fantástico. É simples de entender, mas cheios de easter eggs musicais que, quando pegos, deixam toda a produção com uma cara bem esperta. Ele é fácil de assimilar e consegue atingir espectadores de diferentes faixas etárias. Todas as cenas de música são lindas, principalmente as da Meena, que arrancou reações empolgadas da platéia na sala onde assisti em todas as suas performances. Um dos melhores desse ano e, talvez, o melhor da Illumination.

Amo quando pipocões acertam em cheio.



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