segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

ALBUM REVIEW | BIGBANG - M.A.D.E (2016)


Eu provavelmente devo ser um dos maiores debochadores do BIGBANG desde que o K-Pop começou a fazer barulho mundialmente. Como personalidades da mídia, os caras não dão uma dentro. Os membros estão frequentemente envolvidos em escândalos de racismo, homofobia, xenofobia e machismo. E para piorar, chega a ser ridículo o quanto a YG força um visual "do guetto" na boyband, resultando numa apropriação cultural fodida e totalmente desrespeitosa - o cabelo do Taeyang é uma ofensa a todos os negros do planeta, bicho.

Como se já não bastasse toda essa carga negativa deles como celebridades, em 10 anos de carreira, não há quase nada na discografia dos caras que se aproxime do aceitável em termos sonoros, cujas canções, na maioria das vezes, variam entre farofas eletrônicas de muito mal gosto (não, eu não gosto de Fantastic Baby), bobagens R&B sem qualquer criatividade e besteiras que eles denominam como "Hip Hop" que elevariam a Iggy Azalea ao título de rainha do Rap apenas pela comparação.

Pois bem, apenas por essa introdução, vocês já devem imaginar o meu ânimo para o lançamento do adiadíssimo M.A.D.E, terceiro álbum de estúdio deles na Coréia do Sul e provável último em uma grande quantidade de tempo, pois eles devem entrar no serviço militar em breve e permanecer em hiato durante uns bons anos - tanto que a YG já criou no iKON o mesmo arquétipo deles, btw.

Sem mais enrolações, vejam ai os meus pitacos um tiquinho ácidos clicando no "continuar lendo":


Antes de tudo, vale lembrar que o M.A.D.E, na verdade, começou como um projeto da YG para o BIGBANG onde, durante o ano passado, eles lançariam o álbum em quatro partes, uma para cada uma das letras da palavra, com singles específicos e sei lá quantos videoclipes nesse meio tempo.

O intuito mesmo era encerrar já em 2015, mas, sabe-se lá por qual motivo, foram adiando o lançamento do full album físico por vários meses e, então, ele acabou saindo só agora.


O álbum abre com FXXK It, um simulacro de reggae com batidas eletrônicas, se aproximando bastante do Dancehall, demasiadamente fraco. As batidas são inexpressivas e não há absolutamente nada em seus 3 minutos e 52 segundos de duração que fique guardado na memória, tão genérico que o pacote todo se revela.



Genérica também é a ballad que vem logo em seguida, Last Dance, também usada como title track do CD. É aquela melação de sempre, com os rapazes cantando como se estivessem chorando por cima de um instrumental pomposamente brega, sendo uma candidata séria a pior single do K-Pop em 2016.

E a leva de inéditas chega ao fim em Girlfriend, outra baladinha R&B pouco inspirada que beira a irritante na hora que chega o refrão. Que maçante. E as coisas não melhoram daqui pra frente não, viu, já que as demais canções que eles lançaram do projeto durante o ano passado estão num nível de qualidade semelhante ou inferior.



Let's Not Fall In Love é tão chata, tão sonolenta e tão sem graça que nem parece ser um Dance uptempo. Caraca, a música não engrena sonicamente em momento nenhum, parecendo ser uma repetição dos mesmos acordes bobinhos durante quase quatro minutos. É uma punhetação sonora que jamais chega a um clímax. Que tédio.

As coisas pioram ainda mais em Loser, uma das piores músicas do ano passado. O instrumental é meloso demais e a maneira como o refrão "adolescente sofredor" é cantado me dá a impressão de que eles tomaram doses e doses de calmantes antes de entrar em estúdio. Até agora não entendi o porquê da fucking Billboard dos EUA ter nomeando esse lixo como o melhor K-Pop de 2015. Qual foi o critério dessa redação? Foi apenas para chocar?



Bang Bang Bang deve ser um dos troços mais ridículos (e irritantes) da história recente da música Pop mundial. A escolha de sintetizadores é muito equivocada e histriônica, cafona demais, emulando o que de pior era feito nas rádios norte americanas na década passada, quase uma backtrack do Pit Bull piorada. E como o que é ruim pode ficar mais horrível, em vez de criar um refrão pra isso, o Teddy resolveu aleatoriamente jogar um break de trap "vida loka" com eles repetindo "bang bang bang" apenas pelo lulz.

Não sei se fico mais chocado com ele por produzir isso ou com as fãs aceitando como se fosse a melhor coisa do mundo. E ainda tem gente que defende que o Teddy é o maior produtor musical atual do K-Pop. Credo...



O álbum termina com uma sequência de três faixas que servem para testar a nossa paciência.

If You peca por não manter manter o minimalismo instrumental (e vocal) razoavelmente interessante mostrado nos primeiros versos levados apenas ao violão e cantados com uma contenção extremamente coerente com a proposta, já que outros instrumentos basicões aparecem após o refrão e, para estragar ainda mais, todos eles começam a encher a melodia de firulas, agudos, gemidos e enfeites completamente desnecessários.

Zutter é um ~Hip Hop~ try hard cujas batidas eletrônicas não passam do bê-a-bá repetitivo habitual para esse tipo de número e nem incomodariam tanto caso o rap feito em cima fosse de qualidade, coisa que não é, já que as rimas do T.O.P e do G-Dragon se assemelham à textos de pré-adolescentes sem qualquer criatividade ou boas influências musicais que acham estar "abafando" ao dizer que "as pessoas aplaudem mesmo quando eu cago". Sim, isso faz parte da letra. A propósito, eu adoraria entender o porquê de o G-Dragon esganiçar TANTO a voz dele. A impressão que passa é que em todas as faixas do BIGBANG ele parece estar com algum tipo de catarro preso, é irritante.

E fechando com chave de cocô vem We Like 2 Party, uma daquelas musiquinhas teen ao violão para tocar em volta da fogueira, cuja profundidade se equipara a de um pires, tão rasos que são os versos. Como alguém consegue levar isso a sério?



Os únicos momentos que conseguem "se salvar" na tracklist, com muito custo e muita boa vontade deste que vos escreve, são Bae Bae e Sober. A primeira, que deve ser a única faixa que eu escuto com mais frequência do grupo, funciona justamente por ter um apelo mais Pop e menos pretensioso que todo o resto do LP, com um instrumental de maior punch, variações bacanas na melodia e um bom arranjo, dando espaço individual para cada um e juntando-os apenas nos versos finais.

A segunda, por mesclar o EDM com o Rock de uma maneira interessante e divertida, com cada camada da back track se somando para explodir no refrão. É o básico bem feito. Curiosamente, esses são também os dois momentos visuais mais bacanas dessa era.



O gosto final que fica na boca é o pior possível. O "M.A.D.E" foi um projeto megalomaníaco vendido como experimental e inovador dentro do cenário musical sul coreano. Entretanto, os caras do BIGBANG, os produtores envolvidos e os engravatados da YG esqueceram nessa trajetória de preparar o mais importante em tudo: músicas que prestem.

Está vendendo e ainda vai vender bastante? Sim, é provável. Porém, o que as pessoas não se ligam é que esses caras já são um grupo consagrado em seu cenário, com anos de carreira, com uma gravadora gigantes e bem rica para investir em publicidade e um fandom alucinado que consome e aplaude absolutamente tudo o que eles lançam - até a sua merda, não é, G-Dragon?

A minha opinião não vai mudar os fatos ou interferir na fama, nas vendas, sucesso ou conta bancária de cada um dos envolvidos, porém, como consumidor do que a galera faz musicalmente no oriente e admirador de música num geral, tenho a necessidade de expressar que esse deve ter sido um dos PIORES álbuns coreanos que escutei em toda minha jovem vida.

Fama, visual e toda uma construção semiótica por trás para que os cinco passem uma imagem de "descolados", "bad boys", "descontraídos" ou qualquer besteira dessas que os holofotes e uma boa gerencia de marketing nos fazem imaginar não conseguem disfarçar um punhado de músicas horríveis, que em nada se destacam do que muitos outros fazem sem o mesmo rendimento financeiro.

Nota: 1,5

3 comentários:

  1. Não que eu seja fã do BIGBANG (lol muito longe disso, só gosto de umas duas faixas deles), e nem que seja um leitor assíduo do seu blog (o qual realmente não fede nem cheira pra mim), mas esse artigo é uma merda tão horrível, que chega a ser pior que o álbum, sério. Jesus Cristo, como aconteceu de eu vir parar aqui? Risos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aah, pelo menos o seu comentário fez eu me lembrar de que tenho que colocar o player do álbum do Spotify ali, pois o link que coloquei do youtube já foi apagado. Obrigado pela utilidade.

      Excluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...