quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Comentando a nova do Mamamoo, 'Décalcomanie' (e isso delas se repetirem)


Amo Mamamoo. Essas meninas são competentes, cantam bem, dançam bem, são simpáticas, tem uma personalidade marcante que as destaca na multidão de idols coreanos, tem bom gosto e se cercam de bons produtores que as dão uma assinatura sonora bem característica, passeando de maneira coerente entre as musicalidades negras norte americanas (R&B, Funk, Jazz, Soul etc.) de uma forma que quase ninguém no K-Pop consegue fazer.

Bom, elas estão de volta. Sei que a maioria de vocês já deve ter visto, mas confiram ai o MV de Décalcomanie...


Por algum motivo que jamais entenderei, de uns tempos pra cá, a fan base capopeira vem reclamando que o grupo se repete, não inova. Isso até poderia ser justificável por, no debut com Mr. Ambiguous, elas brincarem com R&B da mesma forma que a Diana Ross fazia com as Supremes, algo que se repetiu esse ano em You're The Best. Fora isso, não há sentido algum nisso.

Vamos lá, logo no primeiro comeback com Piano Man, elas deram uma carregada maior no Jazz e tornaram o pacote final parecido com um número de musical, em Aah Oop! elas injetaram uma pegada Doo-Woop mais roqueira cinquentista na backtrack, em Um Oh Ah Yeh elas inseriram sintetizadores eletrônicos numa faixa Pop, mas que ainda assim consegue remeter ao que era feito na gravadora Motown, tipo o que a Beyoncé fez em "Love On Top", em Girls Crush liberaram sua veia Bebop, em Teller Then You brincaram competentemente com o Hip Hop, em Woo Hoo misturaram synthpop oitentista com Trap e caíram no Soul em New York.

E isso sou só eu mostrando a variedade nas canções que ganharam videoclipes, pois até Bossa Nova tem no álbum delas...

mamamoodecalcomaniechoreo

Enfim, em "Décalcomanie" elas retomam essa proposta "teatral/musical da Broadway", injetando ainda mais dramaticidade, peso e pulso tanto no instrumental quanto nas interpretações vocais carregadas. Curti o modo como os elementos mais orgânicos da faixa se complementam, deixando-a com a grandiosidade necessária para um número do tipo. Não é a minha música favorita do repertório delas (tanto que demorei dias para postar esse texto), mas ainda é um bom acréscimo para esse ano morgado e repetitivo.

O MV também está lindo, com elas utilizando bem esse conceito de "reflexão" no nome da música. E ele ficou bem melhor sem a cena desnecessária pra caralho de estupro no final. Ponto para o bom senso, ponto para o Mamamoo.

capa do mini-álbum "Memory"

4 comentários:

  1. Vou ser sincera é o grupo mas talentoso e multi-facetado do Kpop. Contudo, se querem vender não podem sair mais da zona de conforto. Msm assim acho que já o fazem muitas vezes em alguns do temas b-side dos albuns anteriores.
    Não o meu grupo stan mas é o grupo q mais respeito

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    Respostas
    1. Eu acho que isso de sair da zona de conforto é algo relativo. O 2NE1, por exemplo, lançou as mesmas coisas durante anos (farofas eletrônicas + hip hop + baladinhas no violão) e nunca vi ninguém reclamando por isso.

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  2. Reeditaram o vídeo sem o estupro por causa das reclamações dos fãs, amém!

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