quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Em 'Don't Believe', Berry Good traz o Dancehall que o BLACKPINK não conseguiu


Eu ainda não falava de asian music aqui no blog quando o gringo lá do Asian Junkie comentou sobre "Angel", do Berry Good, e como numa reação em cadeia, quase todo o público brasileiro de K-Pop começou a spamar o MV no Twitter, em grupos de Facebook e caixas de comentários dos outros blogs daqui. Uma pena, pois eu teria bastante a falar na época.

De qualquer forma, as meninas estão de volta. Elas deram uma repaginada no visual, adicionaram uma nova integrante e pularam da moda white aegyo para a moda dancehall/tropical house na gostosinha Don't Believe. Vejam ai o MV...


Ooh, que delícia de música, que videoclipe maravilhoso.

Vamos lá, eu tenho dito isso aqui de forma um pouco mais contida post após post, mas vale ressaltar: estou achando o K-Pop em 2016 muito chato. Não sei se há um motivo que ocasione isso, mas acredito que seja a soma de muitos fatores, como a grande quantidade de grupos e artistas ruins lançando músicas ruins, a "ocidentalização" que vem sendo imposta pelas produtoras coreanas para que o estilo chegue ao redor do globo e, principalmente, a total falta de individualidade sonora e visual dos idols como um todo.

Tudo isso faz com que os videoclipes sejam quase sempre semelhantes, sendo impossível distinguir ou atribuir uma pegada estética "única" aos artistas. Só que as coisas pioras quando isso chega NAS MÚSICAS lançadas. Todo o esforço para deixar o K-Pop alinhado com as sonoridades internacionais tem feito com que diferentes artistas de diferentes gravadoras lancem faixas extremamente parecidas. No início do ano, foi assim com o PBR&B, onda norte americana do ano passado, e com o white aegyo, conceito próximo ao que vende muito no Japão. E enquanto essas modas já parecem ter passado, outras como o Dancehall e o Tropical House, que estouraram após issoisso, continuam fortíssimas.

O que nos leva ao comeback do Berry Good...



"Don't Believe" segue a risca todos esses modismos. É sim um Dance com elementos de Tropical House e Dancehall, com uma letra razoavelmente melancólica e todos os demais maneirismos desse tipo de som. No videoclipe, temos aquela estética "digipediana" de brincar com cores, metalinguagem e todo um ar weird através das expressões faciais e linguagem corporal das meninas. Até o momento da coreografia com a tela colorida atrás tem.



Só que... Funciona. E é pela boa execução. As meninas cantam lindamente, a métrica da letra funciona, com versos fortes e um refrão impactante, grudento, que dá vontade de se envolver e cantar. E o refrão É MESMO UM REFRÃO e não só as gatas se calando enquanto os sintetizadores explodem atrás. Pelo contrário, os sintetizadores SÓ explodem após elas cantarem o refrão. A bridge chega suave e não há um break bizonho para que entre um rap mal colocado.

Essa competência sonora somada ao MV lindíssimo deixam todo o pacote final muito aproveitável.

E tem ainda a mudança no visual do grupo, que amadureceu, largou a bobagem infantilóide para punheteiros doentes que é o aegyo, adotando um estilo mais girlcrush, sendo mais adolescente, quase sensual. Curti tudo do início ao fim.





E fica ai também aquele pensamento de que o BLACKPINK foi mesmo, em qualidade, o pior debut desse ano, já que TODAS as faixas foram superadas por atos flopados com a mesmíssima proposta. Quer dizer, elas tentaram lançar um urban respeitável, mas "Whistle" é fraca demais e foi superada por Why Not, do Bulldok. O farofão despretensioso, "Boombayah", foi um dos troços mais execráveis do ano, sendo totalmente eclipsado pela Crayon Pop zoando um meme. A vertente mais orgânica, no estilo "acústico MTV" em Stay não chegou nem aos pés de Bobby Doll, da menina lá do Secret. Pra encerrar, a veio melancólica dancehall de "Playing With Fire" ficou totalmente apática quando comparada com essa do Berry Good.

Anos e anos de espera pra isso?

2 comentários:

  1. Na minha opinião o debut do blackpink foi muito bom. Agora em relação a comeback, eu super curti Stay, mas eu esperava uma coisa mais de playing with fire, sabe, mais cheguei. Quando assisti o debut do Bulldok, achei legalzinho, porém a música não me interessou muito. Agora quando assistir o comeback do Berry Good, rebelei a bunda quando começou o MV, tão bem dirigido, ele está tão bonito, minha mãe até falou que queria o refrão como toque de celular.

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