domingo, 13 de novembro de 2016

ALBUM REVIEW | EXID - Street (2016)


Continuando a série de resenhas de álbuns lançados esse ano que eu já tinha preparado para um outro site que eu participava, mas acabei não postando e não quero que se percam em meu HD, é hora de aproveitar a total falta de pauta recente e relembrar o primeiro LP completo de uma das girl bands mais competentes da atualidade.

O Street foi foi lançado pelo EXID no dia 01 de junho, numa nova gravadora, sendo um marco para a carreira do quinteto após entrar no radar mundial com o viral de Up & Down. Sem mais enrolação, confiram ai os meus pitacos sobre ele...


O EXID deve ser um dos troços mais legais do K-Pop atual. Essas meninas, desde "Every Night", em 2012, vem lançado boas músicas atrás de boas músicas. Uma pena uma grande parcela do público capopeiro ou implicar com a sensualidade exposta de maneira crítica nos MVs, ou alegar erroneamente que as garotas lançam versões da mesma canção de 2014 pra cá. Coitados desses, pois, junto com Mamamoo, o AOA e o Red Velvet, as gatas formam a elite de novos nomes interessantes do gênero.

O primeiro álbum de um grupo é sempre um divisor de águas, pois deve conter características do material já lançado em singles e EPs, mas também apontar um horizonte sonoro para o futuro da banda. E nisso tudo, o Street se sai bem...


Don't Want a Drive retoma o R&B noventista gostosinho de "Every Night", com elas encarnando a discussão de uma menina que não quer a carona do bonitão da turma para casa, mas este insistindo em levá-la. É o tipo de historinha que dá formato e, vá lá, motivação para a faixa. Algo calmo tão competente aparecer já de cara é uma grata duma surpresa, ainda mais pelo que vem logo em seguida.


L.I.E despertou sentimentos diversos no público geral. A mesma galera que acusava-as de relançarem "Up & Down" em "Ah Yeah" e "Hot Pink", agora, reclamava por elas virem com algo bastante diferente como lead single. Tudo besteira. Temos aqui um teen Pop bem executado, cuja primeira parte tem ares de retrô, adquirindo velocidade no refrão e, após ele, mergulhando em sintetizadores - chupinhados de "Bitch I'm Madonna", pra ser sincero.

Eu gostei, pois é despretensiosa, tem um MV fantasticamente recheado de semiótica e não derruba o clima em momento nenhum. Quer dizer, é a história de alguém descobrindo uma traição, mas ainda dá vontade de dançar - mesmo que de raiva.


I Know fala de uma garota que ouve diariamente das amigas que deve largar o namorado abusado que a trata mal, que se irrita facilmente e a machuca - nos sentidos verbal e físico. Entretanto, ela não consegue abandoná-lo, mesmos sabendo o quanto isso a destrói por dentro, admitindo que seria pior sem ele que com. Como se já não bastasse o lirismo sensacional disso, com uma crítica fodida ao machismo, o instrumental também está lá em cima, alternando entre o já usado Pop/R&B e teclados que explodem depois do refrão, com os "I know, I know, I know, I know".

No solo da Hani em Hello, temos essa menina finalmente deixando o cara que a magoava. Ela precisa se recompor de tanto chorar pelo término, nada do que ela coloca de roupas ou maquiagem funciona para disfarçar os olhos inchados de tristeza, mas sabe que agora poderá se divertir como quiser, sair com suas amigas, usar roupas curtas e ser quem ela tem vontade de ser. Tudo isso através de uma midtempo R&B clássica fenomenal.



As cinco se jogam num Dance com ares de Disco em Cream, uma das melhores do LP - e de 2016, talvez. A temática ainda é sobre relacionamentos destrutivos, com elas declarando de maneira depressiva prum cara que ele é como um "creme que arruína seus corpos", mas que estão viciadas e não conseguem parar. O saxofone no final é a cereja do bolo.

Em 3%, é a vez da Solji ter seu solo. Sendo uma balada levada de maneira totalmente acústica, essa linda teve a oportunidade de demonstrar todo o seu vocal poderoso, sustentando tudo de maneira coerente e limitando-se a seguir as notas em vez de gritar desnecessariamente. A letra, sobre alguém que não acredita que seu amor realmente deixou que terminasse o relacionamento pode ser vista como a personagem lá, incrédula pelo cara não ter tentado procurá-la novamente, ou pelo ponto de vista dele, chocado com ela tomando uma decisão definitiva em vez de, novamente, voltar para ele.

Essa dualidade de interpretações também está presente em Only One, cuja letra fala de alguém que frequentemente pensa no passado vivido, perguntando-se onde errou e o porquê de ter deixado o amor de sua vida escapar. Aqui sim, temos uma baladinha que começa lenta, mas que se transforma num Dance uptempo a partir do refrão.



O Dance dá lugar ao Hip Hop dos anos 90 em Of Course, com elas ainda putíssimas com o cara, cobrando mais valorização, atenção e fidelidade. é uma das mais divertidas do álbum. Até seria a mais divertida, se não fosse pelo que vem a seguir.

As coisas começam a tomar um novo rumo quando chega a vez do dueto da Junghwa com a Hyerin na bizarra Are You Hungry?, com elas, basicamente, psicóticas com o cara, que elas terminaram, não estar se alimentando direito e se cuidando tão bem quanto era cuidado por elas, ou pela personagem criada, sei lá, tá muito louco isso. Então elas dizem que vão preparar uma série de pratos, que estarão deliciosos, pois foram feitos com amor, incluindo uma bebida maluca que é servida com escorpião ou cobras. Como se já não fosse o suficiente, isso tudo num EDM Orange Caramelistico cujo vocoder vai afinando a voz da dupla para que ambas pareçam crianças. WTF



Nove faixas passadas e tudo foi absurdamente aproveitável, hora da balada melosa obrigatória em álbuns coreanos. Like The Seasons é o esteriótipo completo desse tipo de faixa, melosa, açucarada e pouco inspirada. De tão genérica, desaparece da memória. Já Good é o número Pop/Funk obrigatório, mas acaba se destacando em comparação, sendo energética e mantendo-se fiel ao conceito do LP, com elas afirmando que estão vivendo um relacionamento mentiroso.

Hot Pink não tem muito a ver com a história contada no álbum, já que é só uma faixa delas pedindo pro cara descobrir o quanto a vagina rosada delas é deliciosa. Entretanto, o remix deixando-a com a cara do Daft Punk funcionou legal, diferente da versão reggae de L.I.E, que é totalmente dispensável.


No final, o EXID provou que além de idols, são verdadeiras artistas e que podem lançar um álbum fechado e interessante. Elas não só seguiram um conceito em todo ele, mas o fizeram de maneira competente, com canções que se diferenciam entre si nas sonoridades, mas contam uma história através das letras.

Fico curioso pra saber o que de ruim aconteceu na vida amorosa da LE, da Solji e do Shinsadong Tiger, porque, puta que pariu, esse chifre rendeu bastante inspiração.

Nota 8,75

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