domingo, 23 de outubro de 2016

MOVIE REVIEW | Kubo and the Two Strings


Olá, pessoas que adorariam ser massinhas computadorizadamente animadas que vivem aventuras no Japão da idade média, enfrentando criaturas místicas e dando movimento para origamis através da música. Como estão?

Como eu já tinha adiantado nesse pacotão de comentários, semana passada eu pude assistir um dos melhores filmes de 2016. E agora que minha semana de provas se foi, posso respirar aliviado e sentar o rabo na frente do computador para dar os meus dois centavos sobre ele. Vejam ai o review de Kubo and the Two Strings...


Antes de tudo, alguém ai sabe qual a tradução oficial do título aqui no Brasil? Falo isso, pois vi adaptações diferentes em diferentes meios oficiais (Wikipedia, Ingresso Ponto Com, YouTube, cartaz no cinema), variando entre "Kubo e as Cordas Mágicas", "Kubo e as Duas Espadas" e "Kubo e a Espada Mágica". Se souberem, por favor, avisem ai nos comentários.

Dito isso, deixem-me contextualizar vocês no que está acontecendo comigo em relação ao cinema de animação esse ano: estou achando ele muito fraco. Não sei se por eu esperar e criar expectativas demais para alguns longas ou, sei lá, por incompetência dos estúdios, foram poucas as produções que REALMENTE me intrigaram, empolgaram, arrepiaram etc. A grande maioria do que assisti, ou foi MUITO RUIM (cof cof "Norman of the North" cof cof), ou ficaram naquela zona do ~bacana, mas poderia ter sido legal~ ("Angry Birds", "Pets", "Cegonhas" e por ai vai).

O lance todo é que "Kubo" não entrou na lista dos ruins, não entrou na lista do bacaninhas e nem dos bons, mas sim nas do MUITO BONS.


A animação conta a história de Kubo, um garotinho que mora refugiado em uma ilha com sua mãe, um tipo de criatura espiritual que vem perdendo seus poderes (e sua sanidade) gradativamente. A grande história por trás disso é que havia um poderoso samurai no passado, que desafiou seres perigosos. A mãe do Kubo era um desses demônios, mas apaixonou-se pelo guerreiro e, juntos, tiveram-no.

Entretanto, o patriarca desse clã demoníaco não gostou da ideia e amaldiçoou o samurai, que desapareceu para sempre. Para a mãe de Kubo, restou apenas a opção de se exilar no mundo humano e criá-lo escondida. O menino cresceu com a regra de nunca estar ao ar livre quando as estrelas aparecessem, ou coisas horríveis poderiam acontecer.

E é claro que o moleque acaba saindo ao ar livre após o por do sol e, bom, várias coisas ocorrem por conta disso, envolvendo muitas lutas, magias boladas através da música, animais falantes e todo um tom de mistério soturno muito bem empregado.


A sacada nisso é que os diretores, roteiristas e animadores conseguiram contar essas história de uma maneira tocante, sensível, madura, mas ao mesmo tempo empolgante, vibrante, hipnotizante. Não estou falando isso só pela direção de arte sensacional, mas pelo pacote completo mesmo.

Em especial, a cena dele narrando a história por trás de seu nascimento, musicando-a e, ao longo disso tudo, seus papéis transformarem-se em origamis, encenando todos os acontecimentos, foi o que de mais lindo assisti na sétima arte esse ano - diria até que entraria num top 5 da minha vida inteira, mas tenho fugido de hipérboles.

É instigante observar a sutileza como alguns temas são tratados através de metáforas ao longo do desenho. A completa indiferença que seres místicos tem pela vida humana e por todo o local onde Kubo e sua mãe se abrigavam pode refletir uma série de situações, como o feudalismo, a escravatura, as invasões estrangeiras em qualquer parte do globo ou mesmo o modo como ricos enxergam pobres.


Há sincretismo religioso, tradição e folclore nas festividades e orações pelos mortos, há sentimentos com a arte no fato de o poder estar na música e os origamis se mexerem conforme Kubo toca sua música nos acordes do seu shmisen, há o medo do desconhecido no fato de as criaturas só aparecerem durante a noite.

Embora não tenha ficado entre os mais procurados enquanto esteve em cartaz, o desenho tem aquela cara de azarão que costuma dar trabalho ao favorito do ano nas premiações. Ou seja, é melhor os produtores de "Zootopia" abrirem o olho e se esforçarem bastante na campanha pré-Oscar, pré-Globo de Ouro, pré-Annie, pois a disputa finalmente ficou acirrada.


O gosto final que fica na boa é de satisfação. Sem tirar nem por, sério, eu realmente gostei e não tenho qualquer ressalva aqui. "Kubo and the Two Strings" é um ótimo filme, para crianças, jovens e adultos. É instigante, bem bolado, bem montado. Amei. Parabéns para a cachorra Laika!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...