quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ANIME REVIEW | Koutetsujou No Kabaneri


Olá, otakus. Saudades de vocês. Como estão? Ouvi dizer que a atual temporada de animes está tão ruim que as únicas produções razoavelmente interessantes são sobre patinar no gelo e sobre garotas se esfregando na piscina em roupas de banho. Isso procede? Eu deveria saber, mas, acreditem se quiser, ainda estou conferindo os lançamentos da temporada de abril.

A boa notícia é que estou quase acabando os componentes que separei na minha listinha e quase já passando para a próxima. Enquanto isso não acontece, confiram ai o meu review sobre o comentadíssimo Koutetsujou No Kabaneri...



Logo que anunciaram a existência de "Koutetsujou No Kabaneri", as reações no meio otaku internauta (tão Pedro Bial essa palavra, duh) foram as mais acaloradas possíveis. Afinal, seria mais uma animação dirigida pelo Tetsurō Araki, nome por trás de "Death Note", "Highschool of the Dead", "Guilty Crown" e "Attack on Titan", escrita pelo Ichiro Okouchi ("Gundam", "Azumanga Daioh", "Space Dandy", "Negima", "Berserk" etc.) e com a trilha sonora assinada pelo Hiroyuki Sawano ("Kill la Kill", "Attack on Titan", "Ao No Exorcist"). Ou seja, um time de peso.

Somem isso ao fato de, por algum motivo que jamais entenderei, esse mesmo público reclamar bastante em suas irritantes redes sociais pela "ausência de animes maduros" no catálogo de 2016. Imediatamente, o desenho acabou ganhando ates de ~cult~ apenas por sua sinopse steam punk apocalíptica. Quase como um substituto natural do já citado "Attack on Titan". Obviamente, isso fez com que minhas expectativas baixassem bastante por motivos de... não acho SnK tão perfeito assim. Se acalmem, vou explicar...


Os roteiristas, animadores, idealizadores etc. conseguiram criar uma mitologia fantástica em "Attack on Titan". Realmente, metaforizar a barbárie humana através de um mundo onde os sobreviventes da Terra acabaram por se fechar numa cidade murada dividida em castas e cercada por gigantes pelados devoradores de homens foi genial. O problema são os personagens. TODOS são clichês de arquétipos muito mal construídos, sem dualidade, que não despertam nem um pouco de empatia.

E, a título de comparação, o novato se saiu bem melhor nesse quesito.

Vamos lá, "Kabaneri" segue por essa mesma vertente apocalíptica onde não houve tempo para que as tecnologias digitais evoluíssem. O Japão está condenado por um vírus que transforma as pessoas em zumbis sanguinários e alguns poucos resquícios do que era a sociedade sem mantém em "cidades estações de trem" (hahahahaha, adoro essa criatividade), todas interligadas por trilhos que atravessam o país.


A história começa quando uma dessas cidades é invadidas pelos zumbis, fazendo com que toda a população seja obrigada a se transportar de trem para os locais vizinhos. Nesse evento, o personagem principal, Ikoma, acaba mordido por uma das criaturas e, por obras da engenharia avançada, ele descobre que se apertar uma argola em seu pescoço o vírus não irá afetar seu cérebro. Ignorarei o fato dele não ter morrido asfixiado ou com alguma gangrena, pois a descrença de realidade é algo maravilhoso.

E ai que ele se torna um Kabaneri, um híbrido de zumbi com humano. E ai que ele conhece a Mumei, outra kabaneri, uma badass fofinha, inteligente, carismática e debochada que eu já amo muito. Juntos, eles acabam enfrentando os olhares agressivos e sorrisos amarelos dos humanos com quem convivem, desenhando uma metáfora sútil sobre a intolerância bem bacana de assistir.

Não quero me aprofundar em spoilers, mas posso dizer que toda a história se desenrola de um modo que podemos ver como essa realidade do Japão está devastada, muito por conta de diferenças políticas e atrasos na forma de governo. Daria até para traçar um paralelo legal com a nossa realidade, com a maioria da população sendo apenas massa da manobra (zumbis, rs) perante decisões vindas muito do alto.

Fora isso, o anime tem ainda muitos outros pontos positivos. Como eu disse, diferente do desenho dos gigantes nudistas, os personagens aqui realmente fazem a diferença, são carismáticos, bem trabalhados, únicos e despertam sentimentos. Do mais bobinho ao vilão lá no final, é perceptível que tiveram a preocupação de criar um background bacana e de trabalhar a personalidade de maneira que não soassem genéricos.


É lindo também terem como cenário... O Japão. Não tenho problema algum com as produções nipônicas estarem cada vez mais americanizadas, já que entendo que há uma necessidade de internacionalizar o mercado e tudo mais. Porém, confesso que a emoção de ver o estilo de vida japa retratado novamente, algo que era bem comum nos anos 90, com as vestes, os costumes, a misticidade e tudo mais, é bem tocante.

Fui buscar alguns outros textos sobre esse mesmo anime antes de escrever a resenha e reparei que há um consenso sobre o fato de a Mumei, que se mostra forte e decidida na primeira metade da temporada, acabar ficando meio dependente e na sombra do vilão. Vi gente até envolvendo feminismo nisso e dizendo que estavam querendo colocar mulheres numa posição inferior. Isso de fato acontece, mas discordo que seja algo ruim. A ideia é justamente mostrar o quanto o rapaz lá é poderoso, influente e conquista a todos com a sua lábia, certo? Então é mais do que justificável a Mumei se comportar como uma marionete para seus planos.

No mais, o gosto final que fica é de satisfação. É lógico que "Koutetsujou No Kabaneri" não é um anime perfeito. Entretanto, para o que ele se dispõe, que é ser um entretenimento de ação/sobrevivência, ele acerta totalmente. Além disso, tive a oportunidade de, através dele, conhecer o trabalho da Aimer. Quer coisa melhor que isso?



Relaxem, pessoas.

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