terça-feira, 4 de outubro de 2016

ALBUM REVIEW | Crayon Pop - Evolution Pop Vol. 01 (2016)


Essa última semana foi bem agitada dentro da música Pop asiática. Vários e vários lançamentos japoneses extremamente relevantes (e que prometo ir comentando ao longo dos dias), Dal Shabet me viciando com um single simpático, GOT7 decepcionando. Nesse mutirão de novidades, uma em especial me alegrou bastante, visto perigosíssimas expectativas que fui criando nesses anos de capopeiro: um comeback do Crayon Pop com seu primeiro full album coreano.

Entretanto, eu estive absurdamente ocupado nesses últimos tempos, quase não podendo sentar o rabo em frente ao computador para atualizar esse blog. Por isso, acabei não delegando ao quinteto seu espaço por aqui logo quando retornaram. Felizmente, isso me permitiu dar uma apreciada melhor em todo o trabalho e, vejam só, preparei um review bacanudo para o LP. Sem mais delongas, confiram ai os meus dois centavos sobre o Evolution Pop Vol. 01...


Como vocês podem ter visto lá no top 2013, eu tenho uma espécie de adoração pelo Crayon Pop. Elas carregam em seu âmago toda a aura que sempre me atraiu para a música Pop asiática, sendo agradavelmente estranhas, bizarramente divertidas, caminhando naquela corda bamba entre o tosco e o maravilhoso. Obviamente, esse conceito por trás do grupo é algo montado, proposital, pensado nos mínimos detalhes. E funciona. Pelo menos comigo, já que venho consumindo boa parte do material do grupo desde que as conheci através do viral "Bar Bar Bar".

Porém, sempre me questionei se esse aparato todo renderia um álbum completo, conciso, coerente e que não enjoasse por acabar sendo apenas a repetição de uma mesma piada ou, no total contrário, se levar a sério demais. Bom, todas as minhas dúvidas foram sanadas agora...



O CD já começa lá em cima com a maravilhosa Vroom Vroom, um amálgama da Disco Music dos anos 70 com o Synthpop dos anos 80. Há timbragens cintilantes, um andamento funkeado levado na guitarra maravilhosamente contagiante, distorções no teclado e um refrão certeiro. É um dos pontos altos da carreira do grupo e me deixa um pouco triste pela falta de um videoclipe com elas andando de carrinho de mão vestidas de unicórnios numa pista de dança ou alguma coisa parecida.

A sonoridade é totalmente modificada em Too Much, um Pop bem adolescentão mesmo, mas de qualidade. Os efeitos sônicos bizarrinhos que, acredito eu, emulam uma caixa de música, deixam todo o pacote final um pouco mais destacável entre as várias outras canções parecidas soltas por girl groups aegyo semana sim, semana não. Eu curti.

E a sonoridade volta a passear por ai, com outra mudança brusca de proposta já na terceira faixa, Doo Doom Chit. Essa tipo de música quase nunca funciona comigo, mas algo aqui me pescou. Não sei se a letra completamente sem sentido, os riffs de saxofone completamente aleatórios, os "oh oh oh, oh oh oh" escondidos após o primeiro refrão cheios de autotune, o clima EDM mudar pruma grade Deep House na hora do rap, o videoclipe ser uma zoação com um meme. SEI LÁ. Só sei que tenho escutado isso aqui trocentas vezes por dia desde o lançamento.



A sonoridade assinatura do grupo retorna numa trinca la disco setentista maravilhosa após o lead single. Minha faixa favorita das três é, justamente, a mais simples dela: Boogie Woogie. Não tem muita invenção aqui, sendo apenas alguns sintetizadores futuristas (porém retrôs) interagindo com acordes de guitarra, bateria eletrônica e efeitos simulando bolhas de sabão estourando. A letra é descompromissada, a vibe é dançante, os "boogie woogie, oh oh" após o refrão são super grudentos. Ao ouvir isso, me sinto assistindo "Austin Powers" num sábado a tarde na Record e genuinamente divertindo com isso...

As seguintes são as também ótimas Tonight e Get it Here. A primeira, um pouco mais soturna na escolha de sintetizadores, que parecem saídos de algum jogo obscuro de Super Nintendo, e também na interpretação vocal das integrantes. A outra, ainda mais retrô. Ficaria em casa na tracklist do álbum mais recente do Giorgio Moroder.

Infelizmente, a qualidade começa a cair logo nas duas faixas que encerram o trabalho. Não tanto em Love Couple, já que umas guitarras aqui e ali, um piano jazzístico bem evidente por toda a back track e a participação do The Zoo acabam por tirá-la um pouco da mesmice desse tipo de canção R&B filler, embora o resultado final seja bem inespecífico se comparado com o resto do LP. Porém, esses ícones apenas não existem em Sketch Book, um trocinho chato, açucarado demais e pouco memorável.


O álbum é dividido em duas partes. Enquanto na primeira temos toda essa enxurrada de novas canções, na segunda, temos um pack com alguns dos singles já lançados por elas na Coréia do Sul. Pra ser honesto, nem me incomodo com isso, já que a carreira do Crayon Pop é uma das mais aproveitáveis da cena atual no oriente. Porém, confesso que gostaria de ouvir versões coreanas de seus lançamentos japoneses, como Ra Ri Ru Re e Dancing All Night, dois grandes destaques nipônicos do ano passado. E podem me condenar se quiserem, mas seria bem legal se incluíssem a tosquíssima Get Dumb, feat. com uma boy band latina qualquer epicamente cantado em espanhol, coreano e inglês.

O gosto final que fica na boca é o melhor possível. O "Evolution Pop Vol. 01" é excelente, leve, divertido de ouvir, seja numa sentada só, do início ao fim, ou pegando cada faixa isoladamente no aleatório do celular. É aquilo que o K-Pop tem de melhor: canções despretensiosas trabalhadas de uma maneira estranha, que funcionam bem para quase qualquer ocasião. E é inevitável não achar tudo ainda mais incrível ao saber que, na verdade, tem o dedo das cinco na composição e produção das faixas, do videoclipe e em todo o conceito por trás do comeback. Tudo isso em uma empresa que mal tem dinheiro para se manter.

"Vroom Vroom", "Boogie Woogie" e "Doo Doom Chit" são os grandes destaques e sozinhas já teriam salvo o K-Pop em 2016. As demais deixam o pacote redondo e agradavelmente palatável. Infelizmente, "Sketch Book" ser uma bosta acaba me impedindo de dar a nota máxima para isso aqui, mas foi quase, viu...

Nota 9,5.

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