segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Happy Feet: O Pinguim (2006)


Como eu havia dito lá no post que fiz sobre O Espanta Tubarões, essa última sexta-feira (9) foi bem frutífera em relação a filmes do cinema de animação na TV. Enquanto a Cartoon Network exibia as aventuras do peixe Oscar fingindo matar tubarões, o SBT jogava em seu horário nobre o excelente Happy Feet: O Pinguim, de 2006.

O filme é o momento mais inusitado da carreira do diretor George Miller, mente por trás de longas que vão de "Mad Max" (1979) até "Babe, o Porquinho Atrapalhado" (1995). Ele traz a vida de uma tribo de pinguins imperadores na branca Antártida, cuja comunidade guia-se pelos princípios religiosos de que a música cantada irá trazer peixes ao mar próximo, servindo de alimento para os moradores.

Só que as coisas começam a esquentar quando Mano, um pinguim que teve seu ovo rachado durante a marcha, nasce sem talento algum para o canto, mas mostra-se um exímio sapateador. Tal atitude rebelde desperta a ira dos mais velhos da tribo, a vergonha da família e os olhares de deboche dos seus colegas. Por coincidência, nesse mesmo período, os peixes começam a desaparecer por conta da intervenção humana. Obviamente, a culpa recai sobre o jovem pinguim dançarino e todo o seu "pecado" afrontoso.


E ai, vemos Mano como um exilado, buscando respostas para o real sumiço dos peixes e descobrindo os diferentes tipos de vida na Antártida, novos amigos, perigos e um bizarro culto ao pinguim Amoroso, iconicamente dublado aqui no Brasil pelo fucking Sidney magal.

À época, o filme foi um sucesso. Com um orçamento de apenas U$100 mil, mundialmente, o faturamento ficou em mais de U$384 milhões. A ~crítica especializada~ também babou em cima, com todas altíssimas no Rotten Tomatoes, no Metacritics e demais meios de avaliação. Fora isso, o longa rapou um Oscar e um BAFTA de "melhor animação", deixando "Carros", da Pixar, chupando dedo, além de um Globo de Ouro na categoria musical.

Ignorando o meu favoritismo por filmes animados mais bagaceiros e farofentos, "Happy Feet" é uma obra prima. O Miller conseguiu criar uma metáfora criticando o sincretismo religioso ocidental, a xenofobia, o preconceito com deficientes físicos e a manutenção de valores recatados passados cegamente de geração em geração. Tudo de uma forma sutil, divertida de assistir, empolgante e recheada de clássicos da Disco Music.

O minimalismo de cores é lindamente utilizado, com uma simplicidade estética que deixa o resultado final não menos que épico. Os personagens são todos carismáticos e cada momento do desenho é aproveitável. Ouso ainda dizer que a parte musical ao som de "Boogie Wonderland" é um dos ápices do cinema mundial da década passada.


Infelizmente, a sequência "Happy Feet 2" (2011) acabou não tendo nem metade do brilhantismo de sua predecessora. Além de "Tá Dando Onda" (2007) ter seguido a linha de filmes com pinguins de maneira bastante equivocada e pobre em roteiro.

Um outro filme com pinguins que realmente prestou só apareceu mesmo em 2014, com o toscovilhoso Os Pinguins de Madagascar. Só que ai sou eu com a minha preferência por filmes animados mais bagaceiros e farofentos falando.

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