sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Gain mostra o porquê de ser a solista mais interessante do K-Pop com 'Carnival (The Last Day)'


A Gain é foda. Por vários motivos. Ela canta bem, dança muito, sua staff conseguiu que ela trabalhasse com produtores que lhe dessem uma marca forte, original e diferenciada quando comparada ao feito no Brown Eyed Girls, ao feito por outras solistas e gatas de tem uma carreira além de suas girl bands.

Ela poderia muito bem se entregar anualmente ao que é tido como trend nos charts mundiais, igualando-se a todo mundo. Mas não. Com exceção da também ótima "Paradise Lost", que brinca com elementos do eletropop, sua discografia é marcada por releituras de sonoridades negras de antigamente. É tudo Pop, sim, mas sempre dão um jeito de adicionar elementos de Jazz, Soul, R&B e demais desdobramentos em seus releases.

Dessa vez, indo contra tudinho o que vem sendo lançado esse ano, ela apostou no Jazz de big band com Carnival (The Last Day):


Opa, carnaval errado...


Agora sim, bem mais escutável.

"Carnival", como eu disse, eu um Jazz tocado por big band excelente, com ares teatrais, dramaaaaático. É o tipo de coisa que eu amo desde MUITO novo por conta de horas e horas de Tom & Jerry assistidas diariamente no SBT. Inclusive, estaria em casa no excelente álbum "Modern Times", da IU, do qual a Gain participou na faixa Evereybody Has a Secret. Ou mesmo como trilha sonora do sensacional "A Princesa e o Sapo".

O instrumental vibrante serve de oposição à letra extremamente melancólica, que fala sobre esquecer os amores vividos na noites de carnaval, pois a vida segue. As metáforas com fogos de artifício representando a efemeridade do romance são sensacionais, assim como toda a métrica da canção, que vai tornando-se mais e mais intensa conforme os segundos passam.








Já o MV, tão teatral quanto a música, mostra a Gain cantando e dançando em poucos trajes em cenários lindíssimos, gigantes, extremamente detalhados e milimetricamente montados para referirem-se ao cinema de antigamente. Não dá para definir exatamente se estão retratando algum ponto da Europa (eu chutaria a Espanha), ou da América, mas funcionou com o contexto todo.

A coreografia usando o guarda-chuva é legal, as cenas de drama são maravilhosas, colocarem ela morta sob a frase "Seja mais bonita que a morte" totalmente cola.

É aquilo, poderia ser um MV com a câmera girando, pegando ela numa mesa por cima e num carro, igual todo mundo está fazendo desde que "Dumb Dumb", do Red Velvet, estourou, mas não é. Poderia ser uma farofa Dance automática ou um Deep House pedante, ou mesmo um PBR&B descolado, mas não é.

"Carnival" vai contra a maré de repetições que o K-Pop vem mergulhando em 2016 e dá todo um gás no nicho como um todo. É uma música criativa com um videoclipe diferente e se destaca justamente por isso.


E o melhor de tudo é que não só o resto do EP "End Again" está sensacional, com influências latinas e várias outras faixas absurdas de tão lindas, como essa é apenas a primeira parte do álbum inteiro dela. Ou seja, mais pra frente, teremos ainda outras novas músicas vindas da Gain. Espero eu que se mantenham nesse estilo, pois enxergo nisso todas as possibilidades de ser o melhor álbum de 2016.

A propósito, deixarei aqui mais algumas faixas que misturam Pop com Jazz. É um segmento que eu curto muito e adoraria que fosse mais popular...







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