terça-feira, 27 de setembro de 2016

'Digimon Adventure Tri: Confession' transforma a franquia num slice of life xarope


Quem acompanha esse blog há mais tempo, sabe que eu jurava que Digimon Adventure Tri seria uma bosta completa, pois seguiria a tendência de reboots/continuações tenebrosas já estabelecida com "Dragon Ball Super", "Sailor Moon Crystal" e "quinhentos-animes-genéricos-de-cdz" que eu tanto abominava. Entretanto, a minha opinião mudou quando assisti o primeiro OVA, lançado no final do ano passado.

Só que, infelizmente, os meus instintos naturais não estavam errados e apenas foram enganados por uma boa dose de nostalgia. Quando essa desapareceu no segundo OVA, acabou levando junto o meu ânimo. Alguns meses se passaram e o terceiro OVA, Kokuhaku (ou Confession) já está entre nós. O problema é que ele conseguiu ser ainda pior que o segundo, mas não me adiantarei muito nessa introdução. Cliquem ai para ler os meus dois centavos cheios de palavrões desnecessários...


Obviamente, virão alguns spoilers a partir do próximo parágrafo. Então, se não tiverem visto e quiserem manter a surpresa, assistam antes de ler.

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Sora
Eu totalmente adoraria dizer que adorei esse terceiro OVA, que foi o que de melhor assisti vindo do Japão esse ano e, quiçá, da franquia Digimon em toda vida. Mas pelo amor de Ho-oh, né.

Por algum motivo que jamais entenderei, a Toei decidiu transformar "Digimon Tri", que parecia ser promissor e divertido como entretenimento para a galera de curtia o anime nos anos 2000 e também pros novos otakus, em um slice of life enjoadíssimo, arrastado, mal montado, mal contado, sonolento, entediante e sem qualquer estímulo para ser acompanhado fora o fator nostalgia.

Uma das duas piadas em todo o OVA...
Seguindo os acontecimentos do segundo OVA, temos três episódios extremamente dramáticos pós-revelação de que Meicoomon estava infectada, assassinando o Leomon e fugindo para outra dimensão. E então, todos ficam com medo dessa infecção e Izzy aprisiona os digimons dentro da rede isolada que ele havia criado. Paralelamente a isso, temos o Matt tentando tirar satisfação com os caras lá da organização secreta sobre que porra está acontecendo, já que o Imperador Digimon havia aparecido dias antes e SÓ AGORA eles resolveram lembrar da existência dos digiescolhidos da segunda temporada.

Nisso, TK visita o apê do Izzy e percebe que o Patamon está infectado pelo vírus lá, já que o bichinho tentou assassinar ele. E qual a decisão mais correta que o loirinho indie pegador tomaria? Sim, esconder isso de todos e levar o parceiro digimon pra fora. Tem também algumas cenas bizarras, como a do Patamon dizendo que aceita ser morto, que os amiguinhos digimons deveriam fazer isso, a da Kari sendo possuída aleatoriamente e contando aos monstrinhos que a solução pra tudo era reiniciar o sistema, com eles perdendo todas as suas memórias e, com isso, todos decidindo tirar o dia para aproveitar os últimos momentos com seus digiescolhidos EM VEZ DE CONTAREM TUDO E PENSAREM COMO RESOLVER O PROBLEMA.

Tudo um mar de tédio, num lima dramalhão que deixaria a Televisa com inveja.

Zzzzzzz...
As coisas só esquentam um pouco no quarto episódio, onde a porrada começa a comer e, no fim, todos se fodem, com o digimundo sendo reiniciado. Todos ficam chateadinhos e, subitamente, decidem voltar para a Ilha Arquivo e reencontrar com digipets (estou ficando sem sinônimos, sorry).

Ai, descobrimos que ainda rolarão muitas coisas, já que dois digimons deuses lá estão lutando, que o Imperador Digimon era o Genai disfarçado e que a Himekawa é uma bitch, que provavelmente está armando isso tudo desde o início. Sério, só faltou entrar a Thalia cantando, porque isso virou uma novela mexicana de pior categoria.

Zeraram os digimons. Podiam zerar o Tri como um todo, na verdade...
O roteiro está esdrúxulo. Focarem mais no sentimentalismo dos personagens humanos em vez da ~magia~ dos digimons até poderia ser ago interessante, caso não fosse tudo tão apelativo e, sei lá, bocó. Eu nem ia entrar no mérito da animação também estar muito abaixo do esperado, mas fica difícil ignorar os vários frames paradíssimos e personagens conversando de costas ou de longe para economizar o trabalho dos animadores. Porra, são meses entre um OVA e outro chegarem nos cinemas japas, é sério que não dá tempo de produzir algo mais trabalhado?

"Digimon Adventure Tri: Confession" é uma bobagem sem tamanho. Não funcionou comigo mesmo eu sendo um grande fã da franquia. Não adianta só colocar um ápice no final se toda a escada que serve de caminho para ele é sonolenta e mal inspirada. É chato admitir, mas num ano onde tanto animes bons e realmente interessantes tem saído, me sinto meio mal por ter dedicado esse tempo a assistir e escrever sobre algo tão fraco em vez de qualquer outra coisa que poderia ser melhor.

Confiram a galera da rádio J-Hero discordando de mim no nosso podcast dessa semana

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