sexta-feira, 23 de setembro de 2016

ALBUM REVIEW | Cosmic Girls - The Secret (2016)


Estar inserido quase que diariamente dentro do meio capopeiro me permite observar a reação de seguidores e admiradores do estilo conforme novos grupos vão surgindo no cenário. Por algum motivo que, sinceramente, não consegui entender, o Cosmic Girls não foi tão recebido assim - pelo menos aqui no Brasil, já que a maioria absoluta dos comentários em sites, blogs, fóruns e redes sociais em seu debut no início do ano foi bem negativa.

Comigo foi diferente. A ideia de um grupo gigantesco composto por quatro subunidades, com cada integrante representando um uma casa zodiacal me soou curiosamente interessante, já que essa temática astronômica/astrológica, científica/mística poderia servir de fio condutor para praticamente qualquer videoclipe que elas quisessem lançar, sejam eles com canções que fizessem sentido nisso ou não. É aquilo de se diferenciar, ter uma identidade, sacam?

E embora Mo Mo Mo não seja assim tão memorável, acabei adquirindo um afeto maluco por Catch Me em seu lançamento, pois foi um daqueles casos de algo indo tão fora dos trilhos que, de tão absurdo, acabou fazendo a volta e se tornando cult - não tem como não gargalhar com elas requebrando "sensualmente" na parede e a aleatória lá dando um mortal do nada.

Pois bem, a Starship Entertainment continua apostando nelas e resolveu abrir a carteira para um comeback, além de acrescentar mais uma gatinha no line up, uma das meninas que venceu o Produce 101 e faz parte do bombado I.O.I, representando aqui a constelação de Serpentarium (!!). Será que elas foram bem? Será que o "The Secret" é um EP competente e vale a pena ser escutado? Confiram minha opinião clicando abaixo...


Antes de tudo, vale explicar que, assim como vários outros grupos mais novos do K-Pop, como o Red Velvet, o Oh My Girl e o EXO, o Cosmic Girls possui dois lados diferentes em sua sonoridade e estética visual, sendo o primeiro algo mais voltado pro Pop, com afinações mais agudas e açucaradas, e outro mais voltado ao Urban, onde elas tentam ser sensuais, mas não conseguem tanto, com um resultado bem mais engraçado do que esperariam atingir.


Dito isso, o mini-álbum começa com a faixa título, Secret, um amálgama de Pop com R&B repleto de elementos do Funk americano dos anos 70 e sintetizadores dos anos 80. Um dos maiores destaques está para a parte do rap, com a Chu Sojung supreme bias mandando rimas num flow bem consistente. A canção é simpática e agradável, tem seu brilho e é o melhor single delas até aqui, com uma aura "madura" que me remete a coisas como Find Me, da Jun Hyo Seong, e Drama, do 9MUSES.

Aproveitando o espaço para comentar o MV, ele segue o mesmo molde dos do Red Velvet pré-Roleta Russa, com planos giratórios, jogos de câmera por cima, (creio ter sido feito pelo mesmo diretor), mas acrescenta ícones zodiacais e remetendo a filmes de Sci-Fi B, o que deixa tudo num nível bem mais empolgante. é exatamente o que eu esperava ver do grupo no debut e o que espero que venha da videografia delas daqui pra frente. Ouso até a dizer que, até agora, é o melhor desse ano...


O EP segue com BeBe, que, inicialmente, parece caminhar pela vertente urban do grupo, mas logo se revela uma canção Pop teen vibrante, com um teclado retrô que parece ser daqueles coloridos antigos de brinquedo. Há o acréscimo de precursões por poucos segundos, precedendo sintetizadores que a deixam rapidamente uptempo. Eu curti e acho até que talvez até funcionasse mais como lead single pelo fator grude e apelativo da coisa toda.


Eu entendi a mistura que quiseram propor em Would You Kiss Me?, com variações na faixa entre momentos delicados e mais agressivos, com o instrumental aegyo sumindo no pós-refrão e dando lugar à batidas trap. O problema é que essas batidas aparecem tão pouco que acabam soando totalmente deslocadas ali. Se elas se mantivessem após o refrão ou, ao menos, retornassem quando o segundo termina, faria sentido. Fora que a parte aegyo parece ser uma demo ruim recusada por outros grupos de maior alcance, sem nada que a torne memorável. Que ideia mal executada.

O synth perfumeiro no início de Prince é o prenúncio do quão legal a música será. Ai sim, porra! Versos ótimos, um refrão explosivo, efeitos sônicos robóticos bem selecionados, um uso sensacional de dubstep. Toda a back track parece ter sido tirada da trilha sonora de algum jogo do Nintendinho. Retiro o que eu disse lá em cima sobre achar que "BeBe" seria uma escolha melhor para lead single. "Prince" sim seria uma faixa de trabalho sensacional.

O lado urban do grupo finalmente aparece como deveria em ROBOT. O encontro das partes cantadas com o Hip Hop funciona primorosamente aqui, tudo numa base eletrônica de muito bom gosto. O vocoder em alguns versos dá todo o clima toscão futurista que cola perfeitamente com o grupo. Outro grande destaque positivo.

Pra encerrar, tem Good Night, a balada-R&B-fecha-álbum obrigatória do K-Pop. O minimalismo dos versos que precedem o refrão soam elegantes e fazem com que ela cumpra bem o seu dever. É esquecível, mas cumpre bem o seu dever.


O gosto final que fica ao ouvir o "The Secret" é o de estar apostando no cavalo certo. É lógico que alguns momentos são totalmente desnecessários na tracklist, mas a boa quantidade de sacadas legais na escolha de elementos para montar seu conceito é louvável. "Secret" e "Prince" estão entre as minhas canções favoritas desse ano, já "Robot" entra naquela lista de album tracks maravilhosas de 2016 que quase ninguém irá escutar, o que é uma pena.

Nota 7,75.

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