quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ANIME REVIEW | Boku Dake ga Inai Machi


E ai que, dia desses, eu estava sem internet e, num canal genérico da TV a cabo, estava reprisando pela septuagésima quarta vez (só nesse ano) o maravilhoso pipocão "Efeito Borboleta". Lembro que, da primeira vez que assisti esse longa com o Ashton Kutcher, uma dúzia de situações chatas de infância voltaram na minha cabeça e desejei voltar para mudá-las.

Claro que não era nada tão sério quanto no filme - a mais agressiva envolvia chiclete na carteira de alguém -, mas o poder de mudar linhas temporais sempre me foi muito interessante. Talvez por isso eu tenha curtido tanto o anime para qual estou criando esse nariz de cera antes do review: Boku Dake ga Inai Machi...


Dando uma bela de uma resumida na sinopse, o anime conta a história de um mangaká de 28 anos, o Satoru Fujinuma, cujas criações não tem chamado tanto a atenção do público e dos editores, que alegam que seus manuscritos não tem uma identidade própria e nem chamam atenção o bastante para serem publicados, sendo obrigado a trabalhar como entregador de pizza para arcar com as contas do dia a dia.

Entretanto, o rapaz convive com uma habilidade sobrenatural que não pode ser controlada: ele volta no tempo para evitar catástrofes, sendo sempre enviado para momentos antes do incidente ocorrer e obrigado a repetir esse loop temporal até que consiga impedir a tragédia.

Só que, certo dia, quando sua mãe o visita, Satoru acaba sendo envolvido em um caso de assassinato e visto como o principal suspeito. Nisso, ele retorna 18 anos no passado, se tornando agora, mais uma vez, um estudante do ensino fundamental. Porém, ele percebe que a data para a qual ele voltou é um mês antes do desaparecimento de sua colega de classe, Kayo Hinazuki, e dessa forma decide prevenir que isso ocorra uma vez que esse evento parece ter ligação com o que viria lhe acontecer anos depois.

Basicamente, uma versão japa animada e contemporânea de "Efeito Borboleta", certo?


Boku Dake ga Inai Machi deve ter sido um dos animes que mais vi comentários na temporada de inverno, perdendo apenas para o horrível Ajin. Felizmente, mesmo com toda a expectativa perigosa que criei, diferente do troço chato lá de pessoas que voltam da morte com CGI de comercial da Dolly, não me decepcionei nem um pouco com  que assisti.

O anime se divide em alguns atos representados pelas linhas temporais. Temos o presente, com ele fugindo da polícia por um assassinato não cometido, tendo vivido uma série de traumas na época da escola, com uma amiguinha que foi estuprada/assassinada por alguém, cujo culpado foi (supostamente) um outro amigo dele, um adulto, que brincava com as crianças das redondezas e as ajudava com problemas. Depois, temos ele viajando ao passado, como criança, tentando salvar a fofinha da Kayo das mãos de uma família abusadora - que culminaria em seu sequestro -, e seu colega de bairro mais velho de ser acusado de tal crime. Por fim, temos uma terceira linha, onde os resultados dos atos dele no passado afetam o presente atual.

Lidar com diferentes universos temporais é algo difícil em um anime de tão poucos episódios, mas que o autor e a direção fazem bem. Outros pontos fortes são o carisma de todos os personagens, dos adultos às crianças, que, mesmo num clima tão soturno e tenso, conseguem cativar e se individualizar nos curtos tempo de tela em que aparecem.


Além disso, a trilha sonora, a fotografia mais fechada e mesmo a tonalidade das vozes dos dubladores dão a todo o pacote uma emoção admirável. Fora que o fato de não erotizarem os personagens em momento algum adota uma mentalidade adulta bem mais madura que boa parte dos animes em geral

Infelizmente, como nem tudo são rosas, faltam algumas aparadas no roteiro para que ficasse perfeito. Vi muita gente reclamando do poder do Satoru não possuir qualquer regra, ser inconstante, quase aleatório e sequer existirem outros como ele para que, sabe-se lá o motivo, houvesse uma explicação de que tal sobrenaturalidade, naquele mundo, era... natural. Tudo besteira. Ficou claro que o poder se manifestava para salvar e consertar problemas na realidade do Satoru, seja voltando momentos antes num acidente de trânsito, ou mais de uma década para se livrar de uma acusação.


O real problema é, justamente, a solução do mistério, JÁ QUE SÓ COLOCARAM UM SUSPEITO CABÍVEL NA TRAMA TODA. Estava mais do que óbvio, tanto pelos sinais, quanto pelo NÚMERO REDUZIDO DE POSSIBILIDADES.

Ignorando esse erro escroto, Boku Dake ga Inai Machi é um anime de suspense muito bom e acima dá média para o gênero. Não foi o meu favorito de toda a temporada, mas chegou muito perto disso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...