quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ALBUM REVIEW | Brave Girls - High Heels (2016)


E ai que as meninas do Brave Girls anunciaram que farão um comeback amanhã e eu acabei não upando a resenha que fiz do mini-álbum delas há uns meses. Bom, antes tarde do que nunca, certo? Embora eu já tenha perdido qualquer timing, pude ter tempo de me aprofundar no que escutei, me permitindo dar uma opinião mais elaborada ao final.

E maturação é justamente a palavra para descrever minha experiência com essas gatas e seu primeiro EP desde o comeback em nova formação, o High Heels. Confiram ai a resenha faixa a faixa e algumas coisinhas mais...



Brave Girls - High Heels

Explicando melhor, o Brave Girls foi um grupo que debutou como um quinteto em 2011 pelo selo Brave Entertainment, comandado pelo ~famoso~ produtor Brave Brothers. Entre a estréia e 2012, elas lançaram três mini-álbuns que não foram bem em vendas e, bom, desapareceram. Corta pro início desse ano.

Três das garotas saem do grupo e outras quatro começam a fazer parte do lineup. Elas fazem um pouquinho de barulho dentro do nicho, já que o Brave Brothers bombou com produções dadas ao 4MINUTE e ao AOA. Então, de volta com o mini-álbum High Heels, as coisas começam a esquentar.


High Heels, faixa que abre o EP de mesmo nome e também usada como lead single de comeback, é ótima. Ótima, ótima, ótima, ótima! O modo como ela soa roqueira em sua construção, mas ainda ganhando elementos funkeados aqui e ali, é genial. A introdução com os "I'm a sexy girl, I'm top girl, I'm a pretty girl, I'm a foxy girl" gritados é chiclete puro. Ela é empolgante, é animada, grudenta, farofeira, divertida, viciante, eficaz na proposta inicial: entreter.

Lembro que a escutei repetidamente na ida e volta de ônibus ao cinema para assistir Procurando Dory - e não enjoei até agora. Aliais, não enjoei até agora, pois HH é aquele tipo de bubblegum Pop curtinha que não tenta reinventar a roda e nem adiciona elementos sônicos divergentes do normal, mas perdura por anos e anos, tamanha a capacidade de soar atual em diferentes períodos do tempo. Alguns qualificam isso como ser genérico, eu qualifico como competente.

Aproveitando o espaço para comentar o MV, já que eu não falava de K-Pop aqui quando ele foi lançado, é a mesma ideia usada por girl bands desde que o mundo é mundo: colocar cada integrante num papel diferente, atribuindo-lhes individualidade. E funcionou. Agora, olho para cada uma e penso, "Aah, é a gostosa bailarina", "olha, é a tosca fantasiada de coelho", "eita, é a gostosa que dança com a poc na borracharia". Sinceramente, não entendi o hate com tudo isso...


O clima britpop descontraído se mantêm na maravilhosa Help Me. É uma canção redondinha, bem cantada, bem tocada, despretensiosa, recheada de elementos que lhe dão um clima mais funny, algo que o K-Pop está necessitando retomar com urgência.

Saindo das escolas Beatles/Blur de britpop, as Brave Girls passam para o cursinho JLo/Mariah Carey de R&B/Pop dos anos 2000 com Whatever. Tenho quase certeza que já ouvi esse sample em algum lugar, o que, creio eu, é algo que conta a favor da faixa, já que a mesma foi feita para recobrar esse tipo de sonoridade. A mistura de versos cantados com rap está lá, efeitos idealmente autotunados nas vozes de maneira pontual também. Que resultado gostoso, melódico.

Quase no final do trabalho vem Don't Meet, uma balada tendo como linha condutora o violão, auxiliado ainda por uma bateria eletrônica bem marcada e alguns sintetizadores. É o espaço perfeito para que as meninas mostrem (ainda mais) o bom vocal. O maior brilho está no fato delas não precisarem dar uma série de gritos para demonstrar emoção, limitando-se a seguir a melodia. E ficou bonito. Mesmo a parte obrigatória dos raps não comprometeu em nada. Tudo contido, delicado, bem bolado.

E encerrando, Deepened, que já havia sido trabalhada no comeback delas no início do ano, traz todos os trejeitos do PBR&B - uma das ondas desse ano no K-Pop -, mas com muito mais pulso e bom gosto na escolha de elementos. A canção não precisou atrasar várias vezes o compasso para que soasse contemporânea, nem retirar partes cruciais da estrutura para declararem-na moderna. A sacada está em ser um "Pop" do PBR&B. Para mim, é um dos maiores destaques de 2016.


No fim, o sentimento que fica é o de o Brave Girls ter conseguido algo raríssimo no Pop sul coreano: um mini-álbum sem fillers, sem gordura, sem excesso. Pelo contrário, adoraria mais umas três canções de nível tão alto quanto essas para adicionar a minha playlist diária.

As músicas se diferem, mas conseguem conversar entre si. É interessante, é arrojado, é sexy, maduro. Uma pena uma parcela significativa do público capopeiro não se ligar em escutar álbuns e EPs inteiros, prendendo-se apenas às primeiras impressões de MVs. De minha parte, tenho certeza absoluta que encontrei um trabalho forte para escutar e, vá lá, um grupo que pode crescer bastante caso mantenham-se nesse nível. Um padrinho de peso elas já tem.

Nota: 9,0

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