domingo, 7 de agosto de 2016

A importância de Ben 10 no cenário atual de animações


E ai que a notícia que trouxe aqui recentemente sobre o novo teaser de Ben 10 na San Diego Comic-Con 2016 levantou alguns questionamentos sobre essa ser ou não a animação mais "importante" da Cartoon Network atual. Bom, os conceitos de importância podem ser relativos para cada um, mas, financeiramente, essa é a franquia que gera mais lucro ao canal.

Só fora dos EUA, os produtos do desenho já arrecadaram mais de 2 bilhões de dólares, vendendo não só mais de 100 milhões de brinquedos ao redor do mundo, mas com a marca em DVD/Blu-Rays, jogos eletrônicos, aplicativos de celulares, artigos escolares, roupas, produtos alimentícios e tudo mais que a mente de vocês possa imaginar. O que é muito mais que outras animações atuais consideradas mais importantes por alguns fãs, visto atingirem também um público um pouquinho mais velho, como "Hora da Aventura", "Steven Universo", "Apenas Um Show" e "Gumball".

Some isso ao fato de Ben 10 estar no ar já há mais de uma década e ter conseguido se manter por duas eras em alta no canal, temos também um fenômeno cultural. A primeira animação do moleque usando um relógio que o transformava em 10 alienígenas heróis diferentes estreou na última semana de 2005 nos EUA e em novembro do ano seguinte aqui no Brasil.


Para quem não lembra, a programação desse período da década passada na CN representava a metade final de uma era em animações (a minha favorita do canal, por acaso), com programas de alto escalão em audiência e qualidade, do naipe de "A Mansão Foster Para Amigos Imaginários", "Johnny Test", "Duelo Xiaolin", "A Vida e Aventuras de Juniper Lee", "As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy", "Meu Amigo da Escola é um Macaco" e "Os Jovens Titãs".

Ben 10 não só se destacou positivamente entre essas, mas manteve-se tão forte que outras animações foram lançadas no final da década, continuando na programação mesmo com praticamente todos os programas de sua época finalizados e novos surgindo, como os já citados "Hora da Aventura", "Steven Universo", "Apenas um Show", "Gumball" e também "O Show dos Looney Tunes", "Os Jovens Titãs em Ação", "Over The Garden Wall", "Ursos Sem Curso" e "Titio Avô".

O sucesso rendeu além de quatro temporadas para a primeira animação, outros três desenhos com o Ben envelhecendo e cinco longa metragens, sendo dois deles em live-action. Assim, Ben 10 é o único desenho de sua época a permanecer no ar por tanto tempo, ganhando um reboot que chegará ao Brasil no início do ano que vem.


E é claro que eu nem estaria me dando ao trabalho de fazer uma matéria sobre isso se a qualidade da série não fosse, no mínimo, excelente. E esse é aquele momento em que dou meus pitacos sobre tudo isso.

À época de Ben 10, era muito comum animações com heróis teen que não necessariamente precisavam usar máscaras para lutar contra o mal, mas sim se inserirem num universo fora do habitual com inimigos retirados dele. Para tirar a prova, é só votar alguns parágrafos e reparar nos que citei da CN, ou notar que, em outros canais, desenhos com enredos semelhantes eram feitos, como "Jake Long: O Dragão Ocidental" e "W.I.T.C.H." na Disney ou "Avatar: A Lenda de Aang" e "Danny Phantom" na Nickelodeon. Creio que Ben 10 tenha se destacado nisso tudo por ir numa vertente diferente: o Sci-Fi.

Enquanto, a maioria dos outros protagonistas lutavam com poderes adquiridos de maneira paranormal, Ben usava um relógio ultratecnológico e futurista que alterava seu DNA para o de (inicialmente) 10 alienígenas com habilidades diversificadas. Se os vilões dos outros cartoons partiam de mundos invisíveis aos olhos humanos, com criaturas místicas, demônios, trolls, fadas, duendes, todos os seres monstruosos enfrentados por Gwen, vô Max e cia vinham ou do espaço, ou de organizações na Terra criadas pela interferência alienígena.

E além desse tempero a mais que o fazia ir fora da curva para sua época, é claro que havia todo o pacote de fatores obrigatórios que tornam uma animação acompanhável: um bom enredo, boas tramas secundárias, carisma, profundidade na personalidade dos personagens - o fato de TODOS amadurecerem, menos o Ben, é uma puta sacada. Além da paleta de cores vibrantes que sempre imperou nas animações, contrapondo o escuro com o color block. É uma marca visual e tanto.


Infelizmente, é necessário reconhecer também o quanto o desenho é visto com maus olhos por parte do público. Por um lado, há a galera preguiçosa de antigamente, que assistia a Cartoon Network nos anos 90 e não admite que coisas boas vieram após a virada do século. Por outro, há os demais fãs mais velhos que assistem as séries atuais "mais apimentadas" do canal e não dão uma chance prum desenho já antigo, caso comparado com os atuais.

No mais, Ben 10 é, de longe, uma das melhores franquias já feitas. Torço para que, futuramente, além das animações, venham bons quadrinhos em editoras grandes, filmes para o cinema, spin-offs e tudo mais o que se possa extrair dela. Esse desenho é um marco para o cenário de séries animadas do século 21 e que servirá de inspiração para muita coisa que será criada futuramente.

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