sexta-feira, 1 de julho de 2016

MOVIE REVIEW | Procurando Dory


Vai chover. Granizo. Capaz até de ventar forte, tremer a terra, acabar a luz. Isso pois, em um ato inédito, esse maravilhoso blog que, no âmago, se propõe a comentar desenhos animados, finalmente irá falar de algo que chegou nos cinemas brasileiros no fim de semana da estréia.

Nem gastarei mais tempo com minhas piadas de tio introdutórias. Confiram abaixo o que tenho pra comentar de Procurando Dory:


Procurando Nemo deve ter sido o filme que mais assisti na minha vida até hoje. Diferente da Dory, que sofre de perda de memórias recentes, lembro como se fosse ontem da primeira vez que entrei em contato com a aventura do peixe-palhaço Marlin desbravando o oceano em busca do seu filho, o Nemo. Eu estava no Ensino Fundamental e, numa dessas tentativas de arrancar uns trocados de crianças sonhadoras, um cara foi até minha escola, cobrando R$5,00 para cada estudante que quisesse assistir o VHS do longa em seu datashow. Não deu outra: sessões e sessões lotadas.

E eu amei aquilo.

Semanas depois, alugamos a fita numa locadora aqui no bairro. Anos depois, quando compramos um aparelho de DVD, adivinham qual foi o primeiro filme adquirido? Já assistimos Nemo em aniversários, em almoços de natal, de ano novo, nos domingos quando não tinha nada de bom para acompanhar na TV - e nem internet banda larga -, enfim, em todas as situações possíveis. Logo, vocês já podem imaginar a minha expectativa ao sentar hoje na sala de cinema para ver tal continuação, né?


Lembram do que comentei na minha resenha de Zootopia, sobre eu ter uma relação meio aleatória com os filmes em CGI da Disney sozinha, amando uns, gostando de outros e, diferente de muitos da minha roda de amigos, não chegar a odiar quase nenhum? Minhas opiniões sobre as produções deles com a Pixar são um pouco mais controversas. Não tenho toda a idolatria que boa parte da internet insiste em declarar aos quatro ventos. Na verdade, se não fosse "Divertida Mente" no ano passado, o estúdio teria entregado a última animação que considero realmente acima da média deles há quase 10 anos atrás, com o cataclísmico "Wall-E". Fora isso, apenas filmes de razoáveis para bons, ou bem ruins mesmo. Procurando Dory está na primeira categoria.

O longa começa nos localizando sobre o passado (fofo, mas triste) da peixinha azul e o que a levou a esbarrar com o Marlin enquanto o mesmo nadava em busca do barco que pescou seu filho. E então, um ano após o ocorrido, toda a trama segue os passos dela através do que volta à sua memória por meio de flashes. Lembrando agora que tem uma família e, conforme junta as pistas em seu caminho, ela vai recordando e costurando pontas de sua infância, que levam-a prum instituto de preservação da vida marinha, na Califórnia. O local do seu nascimento. Obviamente, com sua nova família de peixes alaranjados.


A aventura começa a esquentar quando Dory acaba separada da dupla de peixes-palhaço já no instituto à beira mar, colocando o longa em perspectivas separadas. De um lado, ela desvendando significados em sua cabeça a cada nova placa vista, reencontrando velhos conhecidos e criando novas amizades com os divertidíssimos personagens inéditos. Do outro, Marlin sendo desesperado e sistemático, mas permitindo-se pensar de maneiras diferentes para enfrentar as situações. E tem o Nemo também, mas os roteiristas esqueceram de adicionar "carisma" ao conjunto de skills dele. Que morte horrível.

O modo como grande parte do longa é mostrado sob essas duas perspectivas faz com que todo aquele novo universo onde animais são colocados em exibição seja melhor explorado do que, sei lá, "Madagascar", por exemplo. Podemos ver os bastidores do instituto e o modo como cada habitat se conecta como um todo. Tá ai um ponto extremamente positivo.

Também temos explicações de onde surgiu o baleiês entoado pela Dory e de sua deliciosa canção, "Continue a nadar". Obviamente, há também toda uma boa e gratificante mensagem sobre o preconceito sofrido por deficientes, sobre coragem para mudar de vida, sobre perseverança e fé. Os traços estão lindos, a finalização, a trilha sonora, as cores... Tudo muito bem produzido. Conseguiram criar a animação de modo que expressasse bem os espaços pequenos e fechados do cativeiro da imensidão azul marítima.

O problema é que o roteiro é básico demais. Simples demais. "Procurando Nemo" teve a capacidade de interligar cada acontecimento e ato da cruzada marítima feitas pelos personagens de forma orgânica, com pontos altos de clímax e esquetes mais açucaradas, dando toda uma leveza ao filme. Faltou isso dessa vez. Faltou um pouquinho mais de sutileza em emendar cada ato e tornar todos os momentos memoráveis e distintos entre si.


Não que isso torne o filme ruim. Procurando Dory ainda serve de entretenimento infantil muito bem. Os números não negam. Até ontem, com menos de 15 dias em cartaz, a bilheteria já havia arrecadado mais de 423 milhões de dólares.. Isso é o que pode ser chamado de sucesso.

Mas... sei lá. Assim como o Nemo e o Marlin são para a Dory, gostaria que esse filme fosse algo inesquecível. Culpa da expectativa que coloquei? Vai saber.


P.s.: a música cantada pela Sia na trilha sonora está divina;

P.s²: Marilha Gabriela rainha do Pop. Quem teve essa ideia foi um gênio, sério.

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