segunda-feira, 25 de julho de 2016

MOVIE REVIEW | Batman: A Piada Mortal


Olá, pessoas que gostariam de colocar uma fantasia de morcego e sair por ai enfrentando mafiosos e vilões insanos noite a fora junto com uma bela parceira ruiva voluptuosa. Como estão? Espero que bem.

Se vocês ai se consideram jovens nerds, já devem saber que o longa-animado da HQ Batman: A Piada Mortal já foi lançado, inclusive em exibições únicas hoje em alguns cinemas aqui no Brasil. E devem saber também que muita gente mesmo considera essa história do morcegão uma das importantes de todos os tempos. Então, é claro que sua adaptação em desenho criaria um certo buchicho dentro do nicho, por variados motivos.

Visto isso, confiram ai abaixo a minha humilde opinião sobre o que assisti...

Aah, geralmente eu monto essas resenhas de uma maneira que não apareçam spoilers muito importantes da trama, ou que esses não interfiram na apreciação geral seja lá do que vocês forem ver. Entretanto, dessa vez, é imprescindível que vocês já tenham ou assistido o filme, ou lido a HQ. Caso contrário, sugiro que parem a leitura aqui e o façam, ou boa parte da graça se perderá.


"A Piada Mortal" sempre foi considerada uma das histórias mais importantes do homem morcego entre os fãs de gibis. A HQ foi feita em 1988 pelo Alan Moore, vulgo rei da porra toda, e pelo Brian Bolland, mantendo-se até hoje como uma das novels mais vendidas ano a ano e servindo de ícone para exemplificar o quão terrível o Coringa pode ser como personagem.

Talvez por isso algumas adições feitas pelo diretor Sam Liu e pelo produtor Bruce Timm venham despertando a ira de alguns fãs mais chatos e conservadores que não devem lavar uma louça há bastante tempo. Tudo Bobagem.

Vai um cafezinho?
O longa começa com um segmento inédito da Bárbara Gordon, a Batgirl, com o Batman, cuidando de um bandido da máfia italiana que visa assassinar seus chefões e tomar conta do negócio. Entretanto, ao enfrentar a menina morcego, o psicopata fica obcecado, envolvendo-a num jogo de perseguição quase sexual. Tais acontecimentos levam Batman a tomar a decisão de afastar Bárbara do caso, enfurecendo-a pelo descaso.

Todo o prelúdio serve para que entendamos a Batgirl e a mulher por trás dela, o que ela sente, o que ela viveu, sua relação de afeto com o Bruce Wayne e todo a tensão sexual por trás daquilo - culminando numa cena de foda no terraço espetacular. Por outro lado, vemos o quanto ela é importante para o Batman e o quanto isso o torna passional. Por fim, a jovem decide abandonar o capuz, dando o engate perfeito para o que está por vir.


Temos de fato o início da história proposta no título. A polícia encontra meia dúzia de cadáveres antigos com o sorriso provocado pelo gás do riso em um local abandonado. Apenas o Coringa poderia ter feito aquilo e, quando Batman vai interrogá-lo no Asilo Arkhan, todos descobrem que o palhaço escapou novamente.

E então, a tão memorável cena. Bárbara e comissário Gordon conversando de guarda baixa em casa, quando Coringa toca a campainha e aleija a heroína com um tiro em sua coluna, supostamente estuprando-a em seguida, com seu pai inconsciente. Sequestrado, Gordon sofre todo tipo de tortura física e psicológica no circo de horrores do vilão. No fim, o mesmo que a HQ, mas com algumas cenas de luta com os capangas freaks circenses adicionadas no caminho e um pouco menos de subjetividade que no material original.


Ao terminar de assistir, não pude pensar outra coisa que não "caralho, que filme bom!".

Embora tenha um tom um pouquinho mais pé no chão que os recentes longas animados da DC lançados pela Warner, visto não aparecerem referências à quaisquer outros heróis - de fato, se a Batgirl não tivesse feito um cameo nas cenas finais de Batman: Bad Blood, eu juraria que isso aqui estaria à parte do resto -, o filme mantém a qualidade alta dos anteriores. É aquela junção de fatores mais apimentados que se tornam permitidos por isso não ser voltado para o público infantil, com bastante violência, insinuações sexuais e uma completa falta de maniqueísmo.

A adição do prelúdio tornou toda a experiência mais redonda. Tudo foi feito de forma a nos ligarmos com a Bárbara, apenas para, no final, vermos ela se ferrando. Só que, ao mesmo tempo, não há como ter tanto ódio do Coringa, seja pelo carisma que o personagem exala, ou pela vida trágica que ele teve - retratada de forma arrepiante nos flashbacks -, levando-o a se transformar nessa figura. É como se a culpa dele existir fosse quase nossa.

Aquele que viria a ser o Coringa usando o manto do Capuz Vermelho...
No mais, a trilha sonora é ótima, o contraponto de fotografias, sendo mais quente na "vida real" dos personagens e com uma paleta de cores mais fechadas enquanto usam as fantasias, mais envelhecida nas memórias do Coringa e insanamente vibrante em seu mundo de fantasias, é de deixar qualquer cinéfilo empolgado como um cachorro quando vê um osso. Tudo está em seu lugar.

Enfim, "Batman: A Piada Mortal" é um filme muito bom, que lhes vale a pena sejam fãs ou não de HQs. Agora, se vocês fazem parte daquele seleto grupo que acha que as coisas não podem ser modificadas quando adaptadas, lamento pelo quanto vocês deixarão de se divertir por puro pedantismo desnecessário.

Abraços do tio Lunei.

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