segunda-feira, 11 de julho de 2016

ANIME REVIEW | Dimension W


Outro dia, estava eu aqui em casa entediado. Liguei o computador e, dentre trocentas coisas para fazer, notei que um podcast que acompanho semanalmente já tinha jogado mais um episódio no ar. Fui ao site, baixei-o e fui atrás de meu cabo USB para passá-lo pro meu celular e escutar. Entretanto, no momento que conectei o telefone no PC, PUM, faltou energia elétrica em todo o meu bairro.

Mas, meus caros, para que estou lhes contando isso, além de exibir o quanto sou dinossáurico por fazer downloads através do computador de mesa e não direto no smartphone? Obviamente para criar um gancho com o anime que resenharei hoje, cujo tema também está relacionado com o uso de energia.

Sem mais enrolações, confiram ai os meus dois centavos sobre o anime mais ocidental da temporada de janeiro: Dimension W.


Muito é falado e discutido internacionalmente sobre o consumo desenfreado de energia que cometemos atualmente. Protocolos são criados, novas fontes mais limpas são inventadas, maneiras ecologicamente aceitáveis são investigadas. Porém, por diferentes motivos, o que temos em nossa realidade são milhões gastos em usinas hidro e termoelétricas. Nucleares em alguns locais.

Terminando aqui a minha cota de blogagem sustentável, na realidade de Dimension W, 50 anos no futuro, as pessoas encontraram uma maneira de gerar energia e distribuí-la para uma boa parcela da população mundial. Isso é feito através de imensas construções que coletam essa energia de uma dimensão paralela, no eixo W, e a passam via bobinas que são utilizadas em praticamente TUDO. De celulares a carros, de microondas à próteses cardíacas, de secadores de cabelos à androides de invasão. O problema é que, por estarem mexendo com um tipo de energia fora da compreensão humana, por vezes, as coisas não seguem padrões considerados como normais.


E é ai que entram os personagens principais da trama. Kyouma é um caçador de bobinas ilegais averso à tecnologias. Certo dia, numa missão, ele se depara com a androide Mira, que impressiona por seu alto nível de semelhança com um ser humano. Eles acabam se tornando parceiros na vida de caça e, então, toda a primeira metade da temporada acaba tomando um ritmo ocidental impressionantemente agradável.

Temos, ao longo dos episódios, diferentes situações, com início, meio e fim, onde eles se metem por conta da profissão. Conforme os capítulos passam, começamos a ter uma ideia da profundidade de cada personagem ali. Isso tudo somado aos bons gráficos, o estilo adotado para o traço da animação, as "vírgulas" colocadas em mudanças de cenas e as cores berrantes, transforma esse anime Sci-Fi (otakus mais conservadores me xingarão, fecharão a página e jamais visitarão esse blog com o comentário a seguir) quase numa versão nipônica de Ben 10.


Numa "segunda parte" da animação - iniciada quando um novo personagem aparece -, temos então a proposta habitual japonesa, com episódios seriados que seguem um objetivo até o final. Embora muitos pontos de interrogações colocados na primeira parte tenham sido explicados aqui, confesso ter curtido mais o início. Foi um mundo de possibilidades semi-explorado que poderia ter continuidade até o final da temporada, pena.

Vi muitos em minha timeline, roda de amigos e em outros blogs elogiando Dimension W e colocando-o já como um dos destaques de 2016. Não foi o meu favorito da leva de inverno, mas, ainda assim, reconheço que é uma produção acima de média em muitos quesitos, incluindo roteiro. O autor conseguiu explorar num mundo futurista ficcional diversas questões, como o uso de energia, a falta de preparo de multinacionais e, na segunda metade, a exploração ocidental (e oriental) na África.

Que puta crítica colocarem justamente no continente o único tipo de minério que serve para a construção das bobinas, explorando arduamente seus recursos e transformando o país fictício numa potência.


No mais, o gosto que fica no final é de esse ter sido um anime de grandes oportunidades, mas que acabou sendo prejudicado pelo curto número de episódios - apenas 12, quando, diferente de vários outros da temporada, suportaria 26.

Essa dança ridícula... 

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