terça-feira, 5 de julho de 2016

ANIME REVIEW | Ajin


Era uma vez, em um reino tão tão distante, um homem bastante malandro que resolveu enganar um rei. Ele apresentou-se no castelo como um famoso tecelão, portando nas mãos aquela que, segundo ele, era a melhor de todas as roupas já feitas. Entretanto, explicou, apenas aqueles com uma inteligência acima da média poderiam enxergar o tecido.

O rei, tosquíssimo, acreditou e não quis admitir aos súditos que não enxergava aquilo. Afinal, como poderia um governante não ter a inteligência necessária. Seus cavaleiros e seguidores, procurando não contrariá-lo ou admitir que não viam nada, concordaram que era mesmo uma bela roupa. O rei aceitou a oferta, comprou o traje e vestiu-o.

Minutos depois, andando no jardim, encontrou sua esposa, a poderosa rainha, e sua filha de 3 anos e princesa de todo o reino. A rainha corou e a menininha gritou: olhe, mamãe, o papai está a andar de ceroulas!

Moral da história: não acreditem em algo apenas pelo que os outros dizem. Muitas vezes, o que taxam como bom, pode ser apenas ignorância - ou malandragem.

"Mas, Lunei, seu blogueiro sensual, você começou esse post com um conto sobre coisas boas que são ruins para que? Alfinetar gratuitamente os fãs de Game of Thrones?"

Não. Na verdade, essa introdução serve apenas para eu iniciar o review do pior anime que assisti nesse início de ano: Ajin.


Todo mundo falava de Ajin no final do ano passado. Todos os sites especializados em animes, todos os sites nerds (já que ele seria distribuído via Netflix), os outros blogs pedantes, podcasts, grupos de Facebook, it boys otakus no Twitter, TODOS.

Aparentemente, a história de um garoto que descobre ser uma criatura mística após morrer foi o bastante para encher os olhos de todo mundo, já que devem ter esquecido que, basicamente, o mesmo plot foi utilizado nos dois anos anteriores com o ótimo "Attack on Titan" e o sonolento "Tokyo Ghoul".

Entretanto, diferente dos dois anteriores, Ajin tem duas coisas que o destacam, de maneira positiva e de maneira extremamente negativa. Explicarei...


O anime se passa numa realidade onde, há 17 anos, em uma guerra na África, criaturas em forma humana, mas que não morrem, foram descobertas, os Ajin. Por conta de suas habilidades de cura instantânea, os governos ao redor do mundo pagam bem para qualquer um que capturá-los e dividir informações sobre. Rapidamente, uma série de vídeos com cientistas torturando essas criaturas viraliza na  internet.

Dito isso, temos Kei Nagai, o protagonista "obscuro" que, quando atropelado na frente de seus amigos, volta a vida e descobre ser um Ajin. Dai pra frente, sua vida fica uma merda, já que o incidente chama a atenção de todo o Japão e seus próprios amigos tentam vende-lo em troca de dinheiro e fama. Então, Kei, acompanhado de um amigo de infância que ele havia abandonado (ai que clichê), foge de tudo e todos e acaba se encontrando com outros Ajins.


E então, temos algumas reviravoltas no roteiro que, num resultado final, deixam tudo num nível de tensão e maturidade um pouco maior do que animes do estilo apresentam normalmente. Quer dizer, só de a história focar nele fugindo do Ajin psicopata terrorista em vez de, sei lá, no oitavo episódio transformar tudo numa catástrofe global já é um ponto e tanto. E, caso optassem por um estilo de animação e traço natural, já teríamos um anime bem na média.

UMA PENA QUE NÃO FOI BEM ISSO...

É ai que chegamos no segundo ponto de destaque, o negativo. Por sabe-se lá qual motivo, decidiram fazer todo o desenho em CGI e não em 2-D. Não me incomodaria se tivesse bem feito, já que, como disse em outros posts, não sou um desses otakus nostálgicos que acham que ausência de movimentos em frames representa uma santidade que não deve ser alterada. Muito pelo contrário. O problema é que o resultado final ficou tão porco, mas tão nojento, que toda a suposta seriedade do roteiro foi eclipsada pelo Dollynho dançando na minha tela e cantando que devemos tomar muito líquido.

Bebam muito líquido... :D
Algumas coisas simplesmente não funcionam e é ai que está o maior problema do anime. Embora haja toda uma aura soturna nele, uma pegada policial e até mais lenta - o que me agrada - para o desenrolar da história, os personagens serem melhores desenvolvidos e etc. etc. etc., a arte final estraga tudo de uma maneira irreversível. Tem uma cena onde um policial no meio da rua está tentando explicar o incidente para um cidadão que, quando assisti, a impressão que tive com a falta de traquejo e oscilação não era de estar assistindo uma produção japonesa milionária, sim isso aqui...


E a minha vontade foi essa aqui...


Enfim... O gosto final é de que as horas perdidas com Ajin poderiam muito bem ser gastas com qualquer outra coisa mais interessante, tipo horas numa fila de um banco, lavar uma pilha de louça ou esfregar uma privada. Está ai um anime clichê que, por conta do bom roteiro e dos desdobramentos diferentes, poderia se destacar positivamente nesse ano como tanta gente prometeu em 2015. Uma pena que o CGI tornou-o uma piada de péssimo gosto.

E a soundtrack até que prestava, poxa...

2 comentários:

  1. Ajin tem um erendo otimo, sim. O unico defeito dele é o CGI, só... Só. Realmente a animação é ruim. Fora isso... É sensacional. O mangá tambem tem um traço ruim ai complica. Apesar desses defeitos eu me acostumei ao CGI enquanto assistia, de inicio me incomodava. Mas tambem não é tao ruim quanto você escreve amigão...

    Nota: 10 pra tudo. Animaçã fica com um 6.

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    Respostas
    1. Foi o que eu disse, poderia se destacar pelo enredo um pouco mais diferenciado, mas o cgi estraga tudo. Se vale a analogia, é como assistir um filme com um roteiro bom, mas com péssimos atores.

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