terça-feira, 12 de julho de 2016

ALBUM REVIEW | AOA - Good Luck (2016)


E ai que, nesse meio tempo que estive fora da ativa nas internetes, andei preparando alguns reviews de EPs e álbuns coreanos e japas que saíram. A ideia inicial era postar num outro site onde eu colaborava, mas, como agora estou publicando tudo por aqui mesmo, resolvi dar uma editada nesse material todo para que ele não se perda aqui no meu HD e ir soltando ao longo das próximas semanas. Para começar com o pé direito, é claro que tinha que ser com AOA.

Então, sem me esticar muito, confiram ai os meus dois centavos sobre o mais recente mini-álbum das angels, o Good Luck...


As pessoas que convivem comigo, aqueles que tem lido meus textos nesses últimos anos e, claro, quem acompanha as besteiras que posto no Twitter, com certeza já deve ter uma ideia do que acho sobre o AOA. Mas, para os novos filhos desse blog, explicarei.

Eu conheci Jimin, ChoA e etc. quando elas ainda eram uma grupo que apostava no conceito banda, onde as integrantes "tocavam" instrumentos e até vinham com a promessa de diferentes sub-unidades roqueiras. O problema é que as músicas eram muito ruins. Tempos depois, elas resolveram largar esse estilo e, ao lado do produtor Brave Brothers, apostar no sexy concept para hitar. E elas conseguiram mesmo estourar em 2014 com singles como Miniskirt, Short Hair e Like a Cat. Depois, em 2015, elas repetiram a dose com Heart Attack.

Embora eu escute e goste, todas essas são faixas bem genéricas, funcionando mais pelas piadas direcionadas à voz anasalada da Jimin, as introduções pastelonas e os MVs onde as meninas interpretam de forma "sensual" aleatoriedades como profissões, esportes escolares ou ladras de jóias. Valia pela graça, pelas risadas, mas nunca me permiti tirá-las da prateleira de guilty pleasures.

Até que tudo mudou quando essas lindas lançaram seu primeiro álbum japonês e, para isso, divulgaram sua primeira faixa inédita na língua do Goku, a deliciosa Oh Boy.

~

Eis que, finalmente, AOA começou a trilhar um caminho onde o mais importante era, de fato, sua música. Oh Boy me pescou de cara, sendo um eletropop com referências Rock extremamente grudento e bem executado. Dai pra lá, com um solo da ChoA, as três menos famosas lançado uma sub, Jimin virando uma rapper famosa, Seolhyun se tornando o rosto da nação e mais um comeback japonês ao lado do T.M. Revolution com a provável canção nipônica de 2016, minhas expectativas para o retorno do grupo completo à cena coreana cresceram como nunca antes.



O EP já começa lá em cima com a faixa de título, Good Luck. O Matthew Tishler fez um trabalho glorioso ao tornar essa uma canção Pop extremamente radiofônica com seu refrão contagiante e trompetes a rodo, mas ainda assim acrescentar elementos que a tornassem um tiquinho mais melancólica e sensual que o esperado, vindo dos teclados remetentes aos anos 80 no pré-refrão e na própria maneira instável com que ele segue.

A experiência se torna ainda mais inquietante com o MV, trazendo-as emulando Baywatch como salva-vidas gostosas na praia, dançando em cenários ensolarados...



E o mini-álbum segue de maneira crescente com 10 Seconds, onde as setes se aprofundam ainda mais na sonoridade oitentista sob um instrumental synthpop, acrescido de guitarras e levado no baixo de maneira que haja uma atmosfera bem mais madura que o esperado por idol groups.

É, basicamente, algo que o Wonder Girls lançaria com facilidade no Reboot, por exemplo. Fora que o fato de nenhuma delas gritar ou apresentar uma interpretação vocal mais esganiçada, deixando tudo numa tonalidade mais grave, as vezes até sussurrada, torna essa a faixa mais adulta do AOA - e uma das melhores de 2016.

E puta que pariu esse solo de teclado depois da bridge...



Cherry Pop evidencia ainda mais o clima "férias de verão" adotado como conceito para o comeback. é um Surf Music Pop/Rock refrescante acelerado e inacreditavelmente orgânico. O refrão é magnífico e a maneira como a guitarra impera nos versos após ele é um daqueles ícones que tornam todo o material final inesquecível. Isso e o rap da Jimin levado, inicialmente, apenas por palmas e pelo surdo da bateria, ganhando mais velocidade na medida que surgem os acordes da guitarra. Eu estou pasmo que isso aqui não foi escolhido como lead single, ou mesmo como pré-release.

As coisas voltam ligeiramente ao lugar comum de girl bands com Crazy Boy, um Dance/Rock dramático cujo instrumental vai variando entre cordas de violão, guitarra, com uma bateria crescente e algumas batidas trap aqui e ali. Não é a mais inspirada do mini, mas está longe de ser ruim.

Uma pena escolherem uma balada tão genérica quanto Still Falls The Rain para encerrar o EP. Não há nada aqui que a torne diferente de outras baladas no K-Pop, ou mesmo no J-Pop. Na verdade, há ainda mais uma cara de encerramento do anime que qualquer outra coisa. Talvez por isso sua versão em japonês seja usada como b-side do single mais recente delas lá na Terra do Sol Nascente...


A impressão final que tive ao ouvir o Good Luck pela primeira vez foi a de que, finalmente, a FNC conseguiu aparar os excessos e encontrar o direcionamento certo para o AOA. O fato de produzirem um EP cuja maioria das canções está acima da média do corriqueiro para o grupo - e para o Pop coreano feminino como um todo -, além de existir uma mesma linha de elementos sonoros que conecta as músicas, dá às angels a imagem competente que lhes faltava.

Resumindo tudo, não preciso ter mais vergonha de admitir que gosto do AOA. And the pretty girls are...



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